Domingo, 31 de Dezembro de 2006
Home
Another summer day
Has come and gone away
In Paris and Rome
But I wanna go home
Mmmmmmmm
Maybe surrounded by
A million people I
Still feel all alone
I just wanna go home
Oh I miss you, you know
And I’ve been keeping all the letters that I wrote to you
Each one a line or two
“I’m fine baby, how are you?”
Well I would send them but I know that it’s just not enough
My words were cold and flat
And you deserve more than that
Another aerorplane
Another sunny place
I’m lucky I know
But I wanna go home
Mmmm, I’ve got to go home
Let me go home
I’m just too far from where you are
I wanna come home
And I feel just like I’m living someone else’s life
It’s like I just stepped outside
When everything was going right
And I know just why you could not
Come along with me
This was not your dream
But you always believed in me
Another winter day has come
And gone away
And even Paris and Rome
And I wanna go home
Let me go home
And I’m surrounded by
A million people I
Still feel alone
Oh, let go home
Oh, I miss you, you know
Let me go home
I’ve had my run
Baby, I’m done
I gotta go home
Let me go home
It will all right
I’ll be home tonight
I’m coming back home
Michael BubleAware
Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2006
The gates

Tenho a sensação distinta que tudo está errado pelas razões certas...
Encosto a cara ás grades e respiro o ar que fica além delas...sem poder caminhar naquela terra.
Eu não sou livre.
Descobri a resposta mas esqueci todos os passos que me conduziram a ela. Até me recordar só posso viver distante e sonhar dentro do ar perfumado de uma promessa que se mantêm...inabalável.
Esqueci-me...perdi-me na compreensão, e no medo que ela fez renascer.
Distraí-me com a sensação de caminhar no mundo outra vez, como pela primeira vez e enquanto caminhava olhando para o céu lentamente elas regressaram, tal como a dor.
Agora já não consigo respirar o suficiente para fazer as palavras sairem da minha boca e nada permanece aqui. No sítio que me ajudou a definir-me durante tanto tempo...
Mas eu estou aqui.
Uma por uma as palavras regressarão,e eu recordar-me-hei e caminharei livre.
...eu caminharei livre.
Aware
Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2006
sidartha
"A viagem é uma sucessão de irreparáveis desaparições" Paul NizanMais uma vez o caminho chama...
...e eu vou.
Aware
Domingo, 10 de Dezembro de 2006
Burnt Wings

A existência afasta todas as palavras e a alma cala-se... as asas ardem.
Ardem...e eu nem as sinto enquanto observo e aprendo o estranho funcionamento do mundo.
Encontro muitos espelhos e todos me dão um reflexo diferente...perco-me na riqueza dos detalhes, tanto na beleza como na poeira que os cobre, tornando-os únicos. Um a um se viram...beijo-lhes as costas e olho para lá deles.
O ar está saturado de brasas... e do som que queima.
Está na hora de partir outra vez. O tempo sabe mais que nós, só ele dirá e a sua voz é sempre tão doce...saberei. Cada gesto, cada palavra falará por si como as estrelas no azul silencioso do teu olhar.
Mexo-me devagar e pedaços de mim partem-se e caem.
Grito a minha alma...bato-as com força e o ar enche-se de fogo e fuligem...as asas desfazem-se.
Basta...
...quero ser humana agora.
Aware
Segunda-feira, 27 de Novembro de 2006
Ouro

Mãos fecham-se nas minhas mãos...
...e a estrada continua.
Mesmo quando a minha alma é arrebatada pelo silencio elas seguram-me. Sinto-lhes a força nos meus cotovelos e antebraços enquanto me guiam, como quem guia uma criança, como quem guia alguém cego...ou doente.
Sinto-lhes a alma na ponta dos dedos.
Tão quente como os seus sorrisos...enquanto olho para a diferença de cada olhar e me pergunto de onde virão todas essas palavras.
As palavras que me seguram.
Depois de tanto tempo sem palavras sinto-me uma estranha nesta lingua que já foi o meu corpo...tal como não reconheço e descubro este corpo que sempre foi meu. A alma foge e regressa, muda e flui, seguram-me com constância, enquanto me lêem pelos olhos.
Já não lhes consigo mentir...e isso faz-me tão feliz.
Olho para o céu e aprecio cada segundo como se fosse o último, conversando com a morte sobre os segredos da vida, apreciando o ouro que as minha lágrimas compraram. Sentindo sabor metálico do medo na boca...falando a minha dor para que morra no abraço do seu amor, tão surpreendente como insondável.
Sinto o seu pulso em mim quando fraquejo...erguem-me quando mais temo, quando tropeço e caio. Sorrindo sempre, mas só pelos olhos...
...só pelos olhos.
A terra segura o rio que passa e permanece, não sei de onde vem, nem para onde vai...não é o mesmo e é o mesmo ainda assim.
Já nada é absoluto...
a alma regressa.
Está cada vez mais próximo o momento em que caminharei sozinha e por mim...em que correremos juntos lado a lado em risos perdidos de tardes de crepúsculo, como os sonhos que brincam com a minha alma antes de adormecer.
Acordo mais uma vez...e essa é a minha única alma.
Aware
Domingo, 19 de Novembro de 2006
Sleepwalker

O mundo agarra-me pelos ombros e sacode-me com violência...
Fecho os olhos com força.
Anseio por momentos de solidão e silêncio apontando pensamentos soltos na bainha da minha alma...quando chegam finalmente sentam-se ao meu lado e fazem-me companhia olhando para a estranha multidão das minhas horas.
Abro os olhos e já não os consigo fechar... agora e para todos os momentos que reclamam a presença imediata da minha alma. Todas as caras me olham de dentro do imediato e desejam a minha voz no agora.
Abro a boca mas tudo o que sinto é o frio da noite, não existe o som daquilo que ainda não...
Algo que se esconde de mim, uma palavra talvez, a resposta...o nome.
A inevitabilidade do momento leva-me aos lábios entreabertos uma pequena ampola de vidro, com uma devoção pura e uma candura que o meu terror acha quase doentia. A soma de todas as emoções...
Tão limpidas e concentradas como um veneno, sinto-as entre os lábios, descendo pela minha garganta, tomando o meu corpo que adormece num caos indecifrável e apocalíptico.
Pelos olhos abertos passam sonhos estranhos enquanto a realidade tenta extrair à força o nome oculto que não consegui capturar sozinha. Uma por uma são abertas todas as portas por este soro-da-verdade indiscriminado e brutal, numa nudez para além da génese...
O corpo transparece, demasiado cheio e demasiado fraco para compreender aquilo que o domina...olho através da pele translúcida, vejo muitas mãos dentro do meu peito. Mexem-se à volta do meu coração numa cadência lenta mas precisa, tocam-no para o tentarem entender, apertam-no para o tentarem sossegar...em vão.
A palavra permanece oculta.
O desapontamento corre silencioso pela minha cara quando as diferentes vozes cessam... num gesto automático e irreflectido limpo-a e todos os apontamentos se diluem...todas as palavras se perdem e os pensamentos esbatem-se numa mancha indistinta.
Olho para ela longamente, enquanto o mundo corre pelo meu corpo numa calma ensurdecedora.
Aware
Terça-feira, 14 de Novembro de 2006
Red

As tuas palavras gravitam à minha volta como laços de seda.
Um murmurio quente.
Envolvem o meu coração que bate mansamente e o meu corpo que esfria. Endurece à medida que o ultimo ar lhe escapa...morre.
Quando a alma se começa a separar do corpo que sossega, quando a força se dilui e acaba, o som de sedas enche tudo...
Perturba o silencio enquanto desliza e amarra numa velocidade inexprimível.
Aperta-me.
Seguram-me dentro de mim com força...quase não o suporto, prendem a alma que foge ao corpo que morre. Dentro da minha carne sinto-o...e a dor reacorda. Seguras a minha cara entre as mãos docemente e não compreendes a sua brancura nem porque azulam os meus lábios.
Enquanto o apertas de encontro ao meu peito...insciente.
"All night long she sang and the thorn went deeper and deeper into her breast...And the rose became deep red, like the red of the sky at sunrise; even the heart of the rose was deep red."Aware
Domingo, 5 de Novembro de 2006
Luz e solidão.

Fico nas horas que passam devagar, ouvindo o som continuo da chuva que não vejo.
Dentro de mim aguardo. Pelos que não me vêem...
Sento-me no calor do meu coração e entre os dedos seguro um pequeno livro. Encontro-me na simplicidade de me sentir dentro daquelas letras.
Relembro o poder daquele encontro e compreendo-o. Foi puro...
Temo pelas pessoas que vivem momentos e neles se prendem.
Por vezes a intensidade da beleza ou da dor capturam uma determinada fracção da nossa alma. Deixamos para trás essa cópia temporal de nós mesmos, sentada, pacientemente na companhia de um momento no tempo. Perdendo um pouco dos nossos olhos e de vista a dimensão da caminhada que continua, porque o nosso corpo nos carrega dentro do presente, inexorávelmente.
Existe quem tente recriar momentos iguais, mas a esse esforço, independentemente da sua força e do seu empenho, só é proporcional uma desilusão.
Não existem dois momentos iguais.
Tal como não existem duas caras iguais.
Prendermo-nos num momento, num único momento, numa única emoção é abdicar de todos os que se seguem e de todos os que o precederam.
Não é sequer permanecer fiel ao próprio momento porque esse é um abraço demasiado estreito. Ao longo do tempo é esse mesmo abraço que desvirtua aquilo que mais queria preservar.
Nada sobrevive sem espaço para crescer e se firmar...para se tornar naquilo que é e perceber que isso em si também significa uma mudança contínua. Ideias, momentos, emoções e memórias não são excepção porque fazem parte de nós. São o material que nos acondiciona, devemos respeitá-lo tanto como ao nosso corpo. Ambos são o barco que nos trasporta através de mais do que conseguimos ver ou imaginar.
Agora, inesperadamente, sinto o valor incalculável da minha solidão.
Quanto mais a minha alma cresce e brilha mais sinto a enorme necessidade de alguém que a veja, e vendo o mesmo que eu que acredite e me eleve.
Poucos são os braços que me seguram, e muitas as almas que duvidam quer porque não amam completamente ou por uma qualquer convenção social que se habituaram a respeitar. Fazem a minha dúvida crescer em vez de a aplacar. Agora que os vejo melhor e os respeito ainda mais sei que tenho de viver completa e por mim.
Independente de tudo o que existe.
Momentos são vividos no tempo presente, totalmente na sua primeira e ultima vez... como nunca e eu não os agarro, quero-os demasiado bem. Correm como a chuva, correm como as letras por entre os meus dedos.
Luz cheia e invisível.
Aware
Quarta-feira, 1 de Novembro de 2006
Art of Peace
Four"The Art of Peace is medicine for a sick world.
There is evil and disorder in the world because people have forgotten that all things emanate from one source. Return to that source and leave behind all self-centered thoughts, petty desires, and anger.
Those who are possessed by nothing possess everything."
O-sensei
Inspiro e a minha alma dissipa-se. Dilui-se...uma parte de mim, mil partes de vazio.
Entre cada gota de mim existe um espaço infinito, perfeitamente suave e infinitamente maleável por onde o tempo passa contendo tudo...Tudo.
Todas as caras...únicas e no entanto todas iguais de olhos fechados.
Toda a côr num branco absoluto e logo a sua ausência total.
Todas as estradas, todas as almas, toda a dôr...o Universo.
Existe uma fraqueza neste momento, no preciso momento final da inspiração, o fio de água na crista da onda. Essa fracção de segundo é muitas vezes um vislumbre de medo, a porta pelo qual ele espera para entrar e se consagrar. Atravéz do medo a morte.
Mas se prestarmos atenção a esse fio é o próprio Tempo e é ele que se torna a corda guia, o fio condutor, porque todos os momentos estão ligados, são indissociáveis.
Todos os músculos se começam a contrair, concentrando-se.
Os olhos abrem-se como o cumprir de uma ordem. Todos os fragmentos retornam abdicando do vazio, unem-se, estreitam-se. Trazem o poder que criaram dentro do vazio e esse poder habita a alma que retorna ao corpo outra vez.
Energia pura...Vida.
Só aí tudo se torna Tudo...só aí os olhos começam a Ver.
Aware
publicado por aware às 23:00
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Sábado, 28 de Outubro de 2006
golden brown

A luz enche tudo e ilumina cruamente, abro as janelas e olho para as copas das árvores, o céu azul e limpo. Como num dos dias mais frios de Inverno...
Espero o frio mas ele não vem. Sorrio.
Brinca-me uma brisa quente na pele, cheia de todos os cheiros de outono. Respiro-a longamente, uma ultima vez.
Invade-me como o calor que senti na tua cama,debaixo do meu casaco castanho novo. O pequeno livro que te emprestei numa mão e a outra debaixo da tua almofada.
Continuo a amar aquelas palavras...continuo a lê-las.
Faz-me lembrar de um sonho que tive hà anos, a pele castanha e macia, a lã e a caruma, o cheiro de pinheiros. A suavidade daquele cabelo dourado, o peso da cabeça dele no meu colo...
Foi o sonho que me fez começar a amar. Que me fez nascer e sonhar de novo. Acordo e sinto o cheiro da pele na minha pele, sinto o calor achocolatado da lã e relembro sonhos como esses. Como registos antigos, cartas, folhas amarelas pelo chão no silêncio do presente...que dádiva.
A simetria de momentos no tempo.
Fracções da mesma alma que se tocam.
Aware