Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2006

the eternity of the night

 

  Há meia noite saí de casa.

Calçei-me,vesti o casaco e as calças mais quentes, pus luvas de cabedal. Enrolei um lenço a volta do pescoço e pus o gorro preto...de lado,sempre de lado.
Saí para a rua deserta...para o silêncio absoluto e comecei a caminhar.A procura,o desafio,em busca do absoluto....acreditando e perdendo a fé ao mesmo tempo.

A percorrer as ruas naquele passo maquinal,seguindo pelo mesmo caminho sem sequer ter de pensar nisso.Imaginando a matilha de lobos invisíveis...e o vapor saindo-lhes da boca.

A realidade é a verdadeira solidão....e o frio cortante.O único som constante é o que fazem os meus próprios passos.
Mas há medida que caminho tudo se intensifica e para além da corrente de pensamentos começo a ouvir outros sons.Os sons da cidade e de uma outra divindade.

Passo pela minha escola primária,e pelas lembranças escurecidas pela noite,pelas ruas vazias e pelo café dos bêbedos...fechado,passo pelas garrafas vazias nos parapeitos das janelas e pela florista com bonsais do outro lado da vitrina.Tudo é vazio e as luzes fazem um ruído baixo.Uma delas falha e apaga-se.

As árvores soltam um cheiro bom com a humidade da noite...o chão está molhado e o alcatrão brilha negro.Do outro lado do passeio um esgoto soa como um rio.
Concentro-me nos sons e no pânico....olho para os prédios e oiço o som de alguém que se vira dentro dos lençóis .Espanto-me.

Mais a frente barulhos de panelas nas traseiras de um restaurante...um apartamento com luzes ligadas,um som distante de uma televisão acesa.
Começo a pensar no conteúdo das casas,nas pessoas que dormem,nas que fazem amor,nas que nascem e nas que morrem.Penso numa velhinha numa cama quente com medo de adormecer pela ultima vez...penso num miudo sentado na cama segurando-se para não enlouquecer nos suores dos seus pensamentos.

Penso num bebé gordo a dormir profundamente...oiço a respiração dele....tranquila...quente.



Sustenho a respiração até chegar de novo a casa,atiro as luvas quentes para cima da mesa.
Tudo isto é inútil e suspiro...pelo menos cansei o meu corpo e será mais fácil adormecer.Lembro-me de um outro corpo e do som de um outro coração...tão forte que quase conseguia ouvir o sangue a passar nas veias.

A escuridão e os meus passos,o frio.A dureza e a rigidez de todas as superfícies...o cheiro da noite.O medo e o labirinto.

Nada mais resta...excepto o sono que vem.

Aware
publicado por aware às 02:51
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1 comentário:
De a 16 de Janeiro de 2006 às 22:38
Essa tambem é a minha lua. Esta tambem é a minha noite. Eterna.Vincent
(http://arenque5)
(mailto:vincent-x@sapo.pt)

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