Sexta-feira, 25 de Novembro de 2005

young woman

John Hui Kim_Your Silence.jpg

Sinto as minhas costas a alargar.

A ficarem mais fortes,mais duras.Esta sensação desce-me pelos braços e sinto os músculos a contraírem-se.É aí que reparo como estão vazios os meus braços.
Não tenho ninguém para proteger.

Chamam a isto o instinto 'maternal'...

Sim,ser mulher é isto,por mais fácil ou dificil de admitir que seja.Sinto-o completamente,desde a pele até aos ossos.Uma identidade.
Chamam-lhes químicos eu sei.
É nesse ponto do raciocínio que eu quero falar sobre amor.Esse conceito abstracto e elusivo.O tema único.
Como posso falar de qualquer coisa que não conheço?Até que ponto isso é verdade?Dizem que quem menos amor tem mais o compreende...não sei como isso pode ser verdade,especialmente quando vejo duas pessoas apaixonadas.
Portanto tenho de fazer o que a maior parte das pessoas que falam de amor não admite:tudo o que posso fazer na realidade é reflectir a minha identidade actual.Não em muito bom estado confesso,um reflexo amarrotado pelo passado.O que me cansa...tudo isto me cansa,o passado,o presente e o futuro.Cansa-me.
Quando falamos no amor chega a uma altura tradicional em que pensamos no sexo oposto...o outro mistério.A minha opinião sobre 'eles' foi,durante muitos anos,negra.

Os 'homens'...essa ideia abstracta.

Sou nova....muito nova,que influências masculinas tive na minha vida?Falando a sério?
Já fui publicamente humilhada,usada,insultada,psicologicamen
te agredida,fisicamente assediada.Mas tudo isso não é nada...nada.Não significa nada...

No fundo no fundo só hà uma única maneira de arruinar alguém,quer seja no masculino ou no feminino:o abandono.Simples.

Não existem outras maneiras,no fim tudo se resume a isto.
O meu pai foi apenas o primeiro.(existe aqui um 'ahhh' quase audivel.)
Há quem confunda isto com auto-comiseração,enumerar defeitos,atirar com culpas,sexismo.Sinceramente até pode ser verdade,mas acreditem a minha intenção é absolutamente expositiva.A única coisa que os seres humanos podem fazer é reflectir o que viveram.É ciêntifico.
Durante muitos anos não consegui acreditar que o homem fosse capaz de amar.Não como eu conheço o amor.Não como eu sinto o amor...acho que esta duvida é partilhada por muitas mulheres.As que não são amadas,e as outras também,não se enganem.

Sendo assim,como é possivel que ao longo dos anos a minha opinião tenha mudado?Sobre os homens,sobre o amor...simples.Está inclusivé na declaração da Independência dos Direitos do Homem:

"Artigo 1°

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.''

Lembram-se?Democracia...não julgar o todo pelo um.É verdade.Tenho de ser justa...
No fim somos todos humanos.
E quem sou eu para ter certezas defenitivas sobre o que quer que seja?...num mundo cheio de ódio e guerra se não acreditarmos no amor,o que resta?
No fim do meu raciocinio,acabo sempre por pensar que a verdade é que não acreditar é muito mais fácil,desistir muito mais confortável...acreditar talvez seja muito mais doloroso.Porque se acreditar tenho de acreditar não só na sua existência...o que é avassalador,mas pior!Crueldade das crueldades!!!---Na sua ausência também...---

Quando tenho uma prova de que existe,o tempo parece abrandar até que pára.
Nos momentos em que nada mais me resta senão acreditar...sinto-o.
O amor para mim,neste ponto da minha história, representa a mais pura forma de dor.

Um dia,muito provavelmente,alguém se há de apaixonar por mim e eu por esse alguém.Acredito de facto que isso já começou....Muito provavelmente,também,nunca nos encontraremos.Aconteça o que acontecer a verdade é que conheci a sensação de amar.Literalmente é a matéria que compõe a vida.

Morrer e nascer ao mesmo tempo,isso é o amor.Não somos humanos até que o sentimos...

Aware

publicado por aware às 21:11
| comentar
|
3 comentários:
De a 26 de Novembro de 2005 às 19:27
Gostei muito do texto .. é como se fosses viajando no tempo .. e descobrindo ao pouco novas ideias e desmanchando outras que tu propria tinhas criado, uma conquista constante, novos mundos que aparecem constantemente.. mas sempre tudo à volta do tema amor. O ser humano tem uma capacidade extraordinaria para amar mas tb a crueldade suficiente para destruir esse mesmo amor, tem que se viver sempre nesse antagonismo. Mas a felicidade, quando descoberta.. vale por todo o resto :) bj, gostei de ler*****Ser-se em Palavras
(http://www.longtakk.blogs.sapo.pt)
(mailto:golden_sky_@hotmail.com)
De a 26 de Novembro de 2005 às 18:36
Olá! Passei para te dar um beijinho...Gosto de ler os teus pensamentos, por muito "estranhos" que sejam(o que não quer dizer incompreendidos)... mas estranhos devido a essa tua capacidade que tens para os transpor para aqui... No meu ver parece-me que buscas a tua própria identidade... e acho que este é um bom processo/caminho... e acho que com o passar do tempo irás encontrar o teu próprio equilíbrio...Um beijinho grandeAran_aran
(http://capricornioemim.blogs.sapo.pt/)
(mailto:aran_aran@sapo.pt)
De a 25 de Novembro de 2005 às 21:24
"Morrer e nascer ao mesmo tempo, isso é o amor.Não somos humanos até que o sentimos." Quem termina assim este texto, vai também um dia encontrar esse amor! Gostei muito!Maria Papoila
(http://apapoila.blogs.sapo.pt)
(mailto:msantosilva@sapo.pt)

Dezembro 2006

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
14
15
16
17
18
19
20
21
23
24
25
26
27
28
29
30
Hit Counter

...recent dreams

Home

The gates

sidartha

Burnt Wings

Ouro

Sleepwalker

Red

Luz e solidão.

Art of Peace

golden brown

...other dreams

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

...other dreamers

...other dreams

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

...other dreamers