Domingo, 24 de Julho de 2005

Falta-me...

mountain-moods-HR.jpg

Faltam-me palavras...faltam-me pessoas.Falta-me a minha identidade.

Queria falar com quem já não falo há muito.Parecem-me tão distantes as nossas conversas agora.
As outras pessoas são,apesar de tudo, os guardiões dos nossos bons e maus momentos.As testemunhas da nossa vida.
Tenho vontade de fugir para a vida que vivi,para o eu que já fui,vontade de me refugiar nos maus caminhos que percorri,numa maneira de ser que já não consigo viver.
Visto as roupas da outra vida,mas não me consigo abstrair da mentira que são.E sorrio.

Fico assim vestida,o meu corpo na mentira perfeita e o meu pensamento na tristeza da insatisfação.Os olhos no longe,fixos,como quem espera ouvir palavras de alguém na distância impossível.

Os olhos fixos de quem olha para dentro,aparecem memórias,imagens antigas...pedaços de musicas.As emoções muito ténues...alguma desorientação calma.

Procuro musica na radio mas tudo me soa mal,procuro ideias mas nenhuma é nova,lembro-me de pessoas mas nenhuma está comigo.Faltam-me palavras e ás tantas já me faltam até letras ás palavras.
Penso em viver os outros porque me farto de mim,mas não os quero tocar.Resto-me eu.
Estou doente de defeitos...não quero pensar mais em nada.

A lua nasce a morrer,como o meu sorriso cansado,as minhas ideias e o céu.

Não consigo escrever mais e sinto-me sozinha,abandonada no meu corpo de que não posso fugir,na minha alma que não posso evitar.

aware

publicado por aware às 00:28
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Sábado, 23 de Julho de 2005

Na rua

negativa.JPG

Na rua nada faz sentido.
As memórias,os pensamentos,nada disso parece ser importante.

Tinha uma saia vestida e passava pela rua de tarde.
Estava distraida com a rua,com a calçada,com a gente que passa...o movimento,o céu.

De repente uma cara,um sorriso.
Gestos entre duas pessoas que se conhecem pouco mas que se deram desde que se viram.Sabe-se lá porquê...

Pôs as mãos na minha cintura.A minha cintura,senti-me pequena.
Ficámos por uns momentos assim,numa simplicidade sem grande significado a trocar conversas de quem não se vê há um tempo.

Eu disse que estava de saia?Na cintura...as mãos.
Fiquei sem ar porque me recordou do que fugi...das pessoas,da vida em que me conheceu.
Agarrou-me pela cintura,lembrei-me que tinha saudades dele,e que nunca percebi porque nos demos bem tão facilmente.
Agarrou-me e pensei que não podia fugir do presente,durante um momento não pude fugir para as memórias do passado nem para as tragédias e sonhos do futuro.

Agarrou-me e eu fiquei...no agora.

Senti-me bem,as palavras acabaram e a rua continuou...fiquei com a sensação de que fui feliz por um momento hoje.
Fiquei com um abraço na cintura,sinto que se tirar esta roupa vai passar...

Vou dormir,vestida talvez.A lua está a minguar outra vez,quero agarrar-me as pequenas felicidades descomplicadas,efémeras.
...vestida talvez.

aware

publicado por aware às 02:42
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Fifty ways to leave your lover...

window.jpg


Porque nos refugiamos nos sonhos sonhos?

Tudo o resto é tão imperfeito...que a perfeição até pareceria uma mentira se nós não fossemos tão estupidamente reais.

A doçura,a doçura...

Os pensamentos como animais selvagens atrás de grades,enjaulados em movimentos maquinais,circuitos fechados.
O movimento perpétuo num corpo parado.Não se pode viver...não se pode morrer.
Os olhos...os pensamentos para lá deles.Quebrados.

E depois a liberdade...parece uma nudez subita.Quase mentira...
Muito medo,todos os espaços parecem grandes de mais,desprotegidos...há luz a mais.
Um despropósito de vida,sem direcções.

Tudo invertido...espaços infinitos.Possibilidades e caminhos ilimitados...aquele chão familiar aquela recta e o percurso de ida e volta...tão absurdos agora.
A minha pele ainda cheira aquela prisão.

Aparece-me um 'tenho de'...tenho de ir,Ir....Ir....


publicado por aware às 02:07
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Domingo, 17 de Julho de 2005

No escuro da estrada

no escuro da estrada.jpg


Gosto de estar na estrada,o movimento liberta-me os pensamentos...parece-me mais fácil pensar.Sair e aproveitar o ar fresco da tarde,e da noite.

Comecei por pensar 'nunca digas desta água não beberei'...pensei e senti que é mesmo verdade.Mesmo,mesmo verdade...Tudo acontece,tudo exactamente como imaginávamos e tudo como nunca nos passou pela cabeça.
Surpreendemo-nos porque os sonhos e os pesadelos se realizam ou porque nos encontramos em sítios onde nunca esperámos descobrir-nos.Surpreendemo-nos constantemente...
A estrada levou-me ao meu pai,sentei-me com ele e conversámos durante um momento.
Contei-lhe tudo o que sentia,mostrei-lhe que no meu mapa onde estava exactamente e o que compunha as minhas cooredenadas.Esvaziei o meu coração e ele ficou mais leve.Fiquei mais calma e ele ficou agradecido,porque para além do bem e do mal eu ainda lhe confio o meu coração.
Disse-lhe que a vida me tinha surpreendido outra vez,e que agora era a minha hora de parar e esperar que alguma coisa aconteça na minha cabeça.Qualquer coisa para além das outras pessoas...esperar pela minha voz.
Disse-lhe que nunca tinha esperado estar numa situação em que fosse preciso paciência,...talvez mesmo fé.
Fé!...de todas as coisas!...
Sempre senti desdém dessa palavra,quanto mais do seu significado!
Agora acho que não consigo arranjar-lhe sinónimos...

Chego repetidamente á mesma conclusão...hoje essa mesma conclusão veio ter comigo outra vez.
A unica maneira de ter paz é a aceitação.
Aceitação de ideias que nunca pensámos...aceitar o que é mau e o que é bom.Mais do que isso amar as coisas boas e as coisas más.Porque nos são igualmente úteis.
Se formos honestos,temos de dizer que aprendemos tanto com o que é mau como com o que é bom!E amar é mais fácil que odiar.
Odiar dá trabalho,consome-nos pedaço a pedaço...no fim já nem nos conseguimos lembrar do objecto do nosso ódio,odiamos o mundo inteiro!Já nem existimos...

E de repente senti-me constragida...por estar a pensar nisto.
De repente soou-me a qualquer coisa demasiadamente perfeita....absolutamente utópica.

Porque hei de desdenhar ideias utópicas?Porque tenho de controlar o meu pensamento?
Se é únicamente no meu pensamento que eu sou livre!!!
O único lugar onde a liberdade existe e mesmo assim os insidiosos sentimentos de repressão e de controlo.Memórias herdadas...

A verdade,no entanto,deve sobrepor-se ao resto...eu vejo a verdade na aceitação.Para mim torna-se claro como a água.Os únicos momentos em que me sinto em paz são os mesmos em que sinto que aceito tudo o que existe.
A partir daí...que seja pouco razoável ou infinitamente dificil...ou simplesmente impracticável!É aquilo em que acredito...e a calma vem.

Pensei que seria bom que alguma coisa acontecesse e sonhei que gostava que fosse correcta e acertada.
Enquanto espero pacientemente no escuro por uma voz que nunca se ouviu,percebo que preciso de uma nova maneira de viver.
Acredito que se consegui treinar-me para ter pensamentos negativos também me consigo treinar para aceitar.Também me consigo treinar para ter paz.

Enquanto me vinha embora pensei 'nunca esperei que conversar com o meu pai alguma vez me acalmasse o coração'...
Então voltei a lembrar 'nunca digas desta água não beberei'.Sim é mesmo verdade...é a diferença entre saber e compreender.
Ninguém disse que ia ser fácil...acredito até que quem é bom sofreu para ser assim.
Faz-me lembrar outra frase dessas que soam bem e que se apanham de vez em quando.
''The pure and simple truth,is rarely pure and never simple'...

Vou tomar um banho e vou dormir,tentar esquecer o medo que me invade de que quando alguma coisa boa acontece e imediatamente sinto que se ergue uma mão para me bater.
Esses segundos antes do impacto que se prolongam indefinidamente diluem-se no fresco do meu quarto...no macio dos meus lençois...no som do meu coração...no escuro.

aware*




publicado por aware às 00:53
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Sábado, 16 de Julho de 2005

Para onde?

25340.jpg


Sei que parei porque não sabia em que direcção ir.
Sei que amei quem me amou, e que odiei quem me odiou...e que numa medida estranha chamam a isso 'viver'.

Devem ter razão porque sinto que morri.
Mas não estou morta,daí tudo isto ser tão estranho.Agora fazem-me sentir que tenho de tomar medidas mas todas elas me parecem estranhas.Puz tudo tão longe,nem compreendo porquê.Já não me espanto que ter de alcançar pareça tão dificil.
Sei que para além deste ponto fica o sitio onde moram dragões e o infinito...e que ninguém me pode ajudar,nem proteger.
Olho para trás e sei que não posso voltar.Sei o que é aquela estrada e que a conheço completamente...demasiado completamente.

Sinto que tenho de sonhar...como nunca sonhei antes.Existe a urgência de sonhar o que não foi sonhado durante anos.

Continuo no caminho e estou a ficar com frio de estar tanto tempo no mesmo sitio.Olho á volta e não vejo,um dia vou tentar de olhos abertos.Hoje não.
Sinto-me sozinha e perdida.E lembro-me de uma vida inteira que já não é minha.

Oiço vozes...e sinto que isso é bom.
Quero ouvir a minha pela primeira vez...

Aware

publicado por aware às 01:19
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Sábado, 9 de Julho de 2005

O que resta?

ferring_y.jpg


O que resta quando a máscara cai...e se parte irremediávelmente?

Quando já não há aquela falsa sensação de segurança...O que esteve por trás da máscara existiu sequer?
O que me resta?
Quem eu fui...não fui eu.É isso que me é dito.
Tudo em que acreditei desaparece...tudo desaparece.E invade-me um medo sem nome nem limites.E esse sim,não desaparece.

Por comparação vejo que vivi sem sentir o medo...mas ele esteve sempre lá.A comer a máscara suponho...
Intuo que por trás dessa máscara não existe nada.Sinto o vazio,o vácuo de nunca ter existido.Sinto-me roubada,não porque me foi roubado algo,mas porque o que de valioso havia perdeu todo o valor.Os alquimistas devem sentir isto quando vêem que o cobre nunca deixou de ser cobre.

A minha identidade foi-me suprimida.Sinto que estou num corpo que costumava pertencer a outra pessoa.E o meu corpo sente-se muito estranho,tenta lembrar-se do que era o conforto.Sente a alma demasiado leve,como se pudesse ser levada de repente...
A sensação é a de cair continuamente...parece que aquele medo do desequilbrio inicial nunca se diluiu.
Continuo a viver nos sitios onde sempre existi,mas é como se nunca os tivesse habitado....todas as imagens que vejo,todas as palavras de que me lembro são de uma vida que já não é minha...nem nunca foi.
Saudades.

Depois da máscara se afastar,não vejo para além disso.Prefiro olhar para ela enquanto se afasta,e deixar-me invadir pelos ecos da outra vida que vêem dela.Pela memória.
Fixar o olhar no movimento que faz enquanto desaparece...e não olhar para o que esteve durante tanto tempo para lá dela.

Fujo de todos os espelhos e cerro as mãos furiosamente para não as levar á cara...e saber o que resta.

aware
publicado por aware às 22:49
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Sexta-feira, 8 de Julho de 2005

longe de tudo

blue moon.jpg

Posso falar contigo?

Posso contar-te o que me aconteceu?
Ainda te lembras de mim?
Sabes porque desapareci?

Queria contar-te como me perdi no escuro.Queria tanto dizer-te que não sou forte e que me deixei morrer.
Queria lembrar-te que não me esqueci de ti nunca.
Agora leio palavras e lembro-me que as amo.Lembro-me de nós mas tenho medo do que fomos.
Agora vejo pequenos pedaços de quem fui...e como fui para ti.
Tenho o tempo a viver no meu corpo e diz-me que 'tudo foi como teve de ser...tudo é inevitável'.
Sorri-me com aquele jeito gasto de quem sabe e eu arrepio-me.

Arrepio-me porque sei que te abandonei.
E sei que pensas que nem calculo o que isso te fez...mas sei.
Porque senti exactamente o mesmo...é o longe.

Aquele longe que não acaba mais...a pensar em tudo e em nada,contigo pelo meio.
Agora leio tudo o que escreveste desde que desapareci,e mato as saudades do que eu penso que és tu.Porque agora sei que não nos conhecemos...embora te consiga sentir na minha respiração.
E nem imaginas o medo que isso me dá.

Por causa desse medo acho que não te devia falar assim...assim perto...mas tinha saudades de falar assim com alguém.
Mesmo que não te fale assim nunca mais.

Tinha saudades tuas.E minhas também.

aware
publicado por aware às 21:11
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Eu...estou aqui.

Tenho a sensação de ter estado longe...tão longe.como se me tivesse perdido do mundo num deserto qualquer.

Já não sei quem sou,nem quem fui, mas lembro-me de pessoas...da sensação de as ter abandonádo.De ter saudades,de deixar saudades...um vazio.
Mas estou aqui.
Não percebo como consegui voltar,soa-me tão estranho.Parece que está tudo no mesmo sitio,que o que me parece um infinito foi para todos um segundo.
Tenho tantas saudades de quem fui...das pessoas que estavam comigo.

Estou aqui,e por muito medo que tenha estou feliz por voltar.Tudo é novo outra vez.
Sinto que me afastei muito...demais.

Mas agora estou aqui.A encontrar-me com vocês...estou aqui.

Aware***
publicado por aware às 18:33
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