Domingo, 28 de Agosto de 2005

windows and lighthouses

lyndepointold.JPG

Desencontros,re-encontros e coisas que nos passam pela cabeça.
Tenho pensado nas janelas da minha casa.Antigamente pareciam abrir-se para o infinito,enchiam-me o pensamento de espaço traziam correntes de novos pensamentos...leves.Hoje parecem-me olhos negros.
Nem de dia consigo afastar a ideia de que não devo estar ao pé delas.Qualquer coisa me magoa,como uma luz demasiado forte,que em vez de queimar congela.Afasto-me....

Quando era pequena o meu sitio favorito eram as ombreiras das janelas,sentava-me na aragem e olhava para o céu.Não conhecia o mundo e por isso não tinha medo.
Hoje olho para a foice prateada que se ergue no escuro da noite e a minha pele doi.

Estranhamente nunca estive melhor do que estou ,mas parece que o que é mau nunca se ausenta depois de sabermos que existe.Tudo bem,tem o seu espaço para existir...aceito-o,espero-o de braços abertos.E tudo isso dá a minha vida uma calma estranha,um sentido de ordem mental...de que tudo é como deve.

Tenho pena de não te podido voltar cá com mais frequência...já senti este sitio mais suave,mas parece que o sinto ermo...tornei erma esta ideia no meu coração,tem a ver comigo não com quem cá vem,explique-se.

Tenho de reencontrar a suavidade...reclamar um bocado de mim e fazê-lo mais suave.
Gostava que houvessem ajudas,mas isto é trabalho meu.Estou cansada é só.

*boa noite...sabe bem dizer boa noite.
publicado por aware às 01:59
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Quinta-feira, 18 de Agosto de 2005

Quem és tu?

dificil.jpg

Quando era pequena pensava que queria ser uma 'savant',ser estar e pensar á frente do meu tempo.Um génio.Ah...o doce cheiro a arrogância da juventude.

O pior de tudo é que numa certa medida persegui esse sonho.E é preciso ter cuidado com o que se deseja...
Concentrei-me em coisas que não eram da minha idade,e essa idade que era a minha desapareceu nas preocupações e pensamentos de alguém muito mais velho que eu.
Esse tempo já não volta...ficou perdido.Até o ganhar outra vez claro...
Também foi esse tempo que moldou a minha personalidade,cansou-me como cansaria um velho.Alguém consumido pelas perguntas e respostas de uma vida inteira.
E muitas das respostas estavam erradas e muitas das perguntas estavam erradas,como as de tantas outras pessoas que existem ou existiram.

Sinto como se tivesse vivido a vida de outra pessoa,que me usou e cansou,mas sempre fui eu.

Um amigo disse-me 'tens o azar de estar a pensar sempre nas coisas erradas'...ainda não sei o que fazer com isto mas sinto que ele tem razão.
Com o tempo as pessoas perdem as suas ilusões,os sonhos tornam-se um fardo e aparecem ideias que enclausuram o modo como se vê o mundo.Conclusões derrotistas,ou apenas honestamente derrotadas.Tudo endurece e estagna.A vida é dor.
A mentalidade traduzida e adaptada de um adulto na cabeça de uma criança.E nós sabemos que sempre se pedem coisas em traduções.Abri os olhos cedo de mais e vi ...a realidade.Destorcida,inacabada,crua demais.

Mas o tempo de luto já passou.

Os budistas dizem que o sofrimento nos aproxima do nosso ser interior.Acredito nisso,acredito que o tempo que passou não pode ser alterado e que aceitar o sofrimento e amá-lo é o mais inteligente a fazer.O tempo nunca trabalha contra nós.A simplicidade do que nos resta é sublime.
Aperceber-me da simplicidade onde o caos é a lei será a mais dificil e recompensadora tarefa de toda uma vida.Depois de tudo escolho ver que não fui usada por uma vida que não era minha mas que tive o privilégio de ganhar uma vida.
Ganhei uma vida.Uma prespectiva diferente...que vai mudar a maneira como olho para as coisas para sempre.

Ainda sinto dor e medo...sempre os hei de sentir,mas já não os vejo com os mesmos olhos,e lido com isso de uma maneira totalmente diferente.

Agora o trabalho a fazer é muito,uma maneira de estar profundamente enraizada não se muda num segundo.Num segundo muito pode mudar mas não tudo.Todos os pensamentos teem de ser revistos,pesados,descartados ou re-aceitados.A vida continua...e nesse processo vislumbra-se uma pessoa novinha em folha,pronta a ser descoberta.
Uma nova mente.
Sonhos prontos a ser sonhados e libertados em seguida para que possam atingir a realidade.Freedom of thought...

São nestes tempos conturbados em que vivo e em que vivemos todos,na solidão de tudo,na multidão de tudo...no silêncio e na loucura,na sanidade berrante e colorida.
No perfume inebriante das imagens em movimento.No mundo.

Resta saber...''D'ou venons nous?...Qui sommes nous?...Ou allons nous?''
Podia pensar que voltei á estaca zero,mas acho que isso não existe nem nunca existiu.

aware

publicado por aware às 01:42
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Quinta-feira, 11 de Agosto de 2005

at night they hunt

p39.gif

Apetece-me escrever a horas tardias.
Mas falta-me a concentração,não consigo encontrar um assunto.Lembro-me de muitas coisas que podia escrever,umas demasiado simples outras demasiado complicadas.

Para além do mais é tarde e não consigo pensar muito mais.Mesmo assim sinto vontade de escrever e de viver.Ficam palavras que não são minhas mas que teem sido o meu pensamento:

'Om é o arco,a seta é a alma,
Brame é o alvo da seta
Ao qual se aponta firmemente'



boa noite*
publicado por aware às 00:32
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Quarta-feira, 10 de Agosto de 2005

'my heart is made of ice'...he said

1_1.jpg

''Tenho saudades de pensar que posso conversar contigo,espero que estejas bem.''

Escrevi isto a um amigo com quem já não estou há muito tempo...tenho saudades,tenho mesmo.
Chega a ser irónico porque eu que nem sabia o que era um amigo,agora tenho de aprender a perdê-los,a cultivá-los e a ter saudades...é incrível.Mas é uma coisa boa.
Faz-me feliz,mas continuo com saudades.(sorriso)

Coisas escritas,coisas ditas,tudo isso mudou...muito disso partiu.Algumas coisas nunca irão desaparecer.

Parece-me que estou na altura da vida em que se sente falta dos amigos.Os dias passam e eles passam pelo meu pensamento lentamente,todos sem excepção.Todos e todas as coisas que me disseram.Encontro coisas na rua que me fazem pensar durante um segundo que estão mesmo ao meu lado e sorrio.
Imagens e gestos ecoam onde já não existem.Pequenos fragmentos,recortes,que fui guardando sem que ninguém se apercebesse.

Encontrei por acaso um blog de uma rapariga que estava a agradecer a todos os que a vizitaram desde que o blog tinha começado,agradecia as pessoas que lhe tinham feito bem sem sequer a conhecerem de lado nenhum.E soube exactamente o que ela queria dizer...porque ainda guardo essa gratidão.Ainda...mesmo depois de ter perdido tanta dessa gente.Perdi-os porque perdi a minha identidade,e já não sei se a quero reclamar outra vez.
A eles chamo-os...convido-os a virem porque me fazem falta,porque os adoro.Mas o que lhes chega é o silêncio.
Eu espero.e entretanto vou sentindo saudades do que escreviam nas margens do meu pensamento.

'Escrevo porque sei que me vais ler,e sinto que só tu me compreendes...por isso continuo por ti'...ele disse-me isto e eu...eu?
Gostava de lhe poder dizer o mesmo agora...fica para os que me lêem,venham e fiquem.Eu estou aqui, escrevo para voçês enquanto oiço musica e o meu gato dorme quase em cima do meu teclado...procuro,devagarinho,quem sou.

Ele não me respondeu.Espero que esteja bem,e que ainda lhe possa dizer que vi no outro dia um livro de que iria gostar muito.

aware***
publicado por aware às 00:29
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Quarta-feira, 3 de Agosto de 2005

'Welcome to the desert of the real'

greydawng.jpg

Pergunto-me porque terão as cores desaparecido do meu mundo.

O pó varre as margens do meu corpo enquanto espero olhando para a água escura.
O som de uma cítara ouve-se ao longe,paira sobre o lago parado.Primeiro quase inaudivel em longas notas suaves.Olho para o longe e a musica perece esconder-se dentro da minha respiração que acelera com um arrepio.

Sobre a água alguma coisa rasteja sem peso nem forma.Aproxima-se...como se tivessemos um encontro marcado.
A minha mente treme mas o meu corpo continua imóvel,a musica continua na cadência da minha respiração alterada,sinto-a a sair-me pela boca poeirenta e pelos olhos quase fechados como luz.
O pó cobre-me completamente,tornando tudo da sua côr,da cor do chão...o meu cabelo escuro está agora branco e agita-se no vento.Só a água continua escura e parada.
Como um animal gigante,a forma negra aproxima-se calmamente tentando cheirar a minha presença.Aproxima-se e ergue-se sobre a água...no deserto da minha cara correm agora silênciosamente dois rios escuros enquanto olho para o que se ergue á minha frente.
A minha respiração e a musica contorcem-se em espirais cada vez mais velozes.

A cítara e a tabla gritam quando abro a boca para o meu ultimo grito.A escuridão desce e engole-me vorazmente,no tempo de um suspiro.
A margem,o pó, o lago e o silêncio.

Um pecado uma punição.Talvez...

aware
publicado por aware às 23:15
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Terça-feira, 2 de Agosto de 2005

Contra luz

sonho.jpg

É muito cedo,ou muito tarde...as cores ainda não acordaram,de qualquer maneira.

Uma janela imensa,uma sala grande e vazia com chão de madeira e o teu perfil a contra luz,sentado na nossa cama.O azul começa lá fora,suavemente.

Olho para as tuas costas nuas,claras,tão quieto no nosso silêncio.
Levantas-te...contra luz transformas-te num perfil negro,em alguém descalço que já não consigo destinguir.Sinto-te longe e sorrio.
Levanto-me também e fico atrás de ti,enquanto olhas para lá de tudo.Ponho uma mão na tua cintura,sinto o calor da tua pele.Encosto a cabeça entre as tuas omoplatas e fico...na simplicidade de te amar.

Dois vultos negros,um contra luz...azul intenso,luz fria.

aware
publicado por aware às 02:35
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Canto della terra


Tenho a minha janela aberta e com o fresco da noite oiço ópera...
Quem me dera poder encher a minha rua calma e dormente com o volume e a poesia da musica que oiço só para mim.

Si lo so
Amore che io e te
Forse stiamo insieme
Solo qualche instante
Zitti stiamo
Ad ascoltare
Il cielo
Alla finestra
Questo mondo che
Si sveglia e la notte e
Gia cosi lontana
Gia lontana

Vejo as pessoas a levantarem-se das camas e a virem descalças para a rua,a subirem aos terraços e sentarem-se na brisa,a ouvir.
Algumas sorriem,outras queixam-se,outras beijam-se,um casal de velhotes dança devagarinho....
Os carros esquecem-se de passar...

Guarda questa terra che
Che gira insieme a noi
Anche quando e buio
Guarda questa terra che
Che gira anche per noi
A darci un po’ di
Sole, sole, sole


Uma unidade inesperada,um amor comum que flutua na noite em arrebatamentos que chegam a apertar o coração,sorrisos e caras no escuro...todos tão diferentes.O ar que era vazio enche-se de um sonho.O sonho....

My love che sei l’amore mio
Sento la tua voce
E ascolto il mare
Sembra davvero il tuo respiro
L’amore che mi dai
Questo amore che
Sta li nascosto
In mezzo alle sue onde
A tutte le sue onde
Come una barca che


Guarda questa terra che
Che gira insieme a noi
Anche quando e buio
Guarda questa terra che
Che gira anche per noi
A darci un po’ di
Sole, sole, sole
Sole, sole, sole

Tudo sobe sobe...sobe,como uma criança nos braços de um pai,levanta-nos da nossa pequenez e eleva-nos ao céu,como se não houvesse peso...só existe extase.


Guarda questa terra che
Che gira insieme a noi
A darci un po’ di sole
Mighty sun
Mighty sun
Mighty sun

O momento passa e só sobro eu,a minha rua,e a noite vazia.As pessoas dormem,os carros passam...penso no poeta e em como nos afastámos,tenho saudades de o ler e de o ver,penso em pessoas com quem estive ainda ontem...e em toda a minha vida.
Penso neles...a musica continua comigo,triste,linda.Como a brisa que entra pela janela...
Boa noite.


aware

publicado por aware às 01:59
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