Domingo, 30 de Outubro de 2005

Ilustre desconhecido

port11.JPG

Esta tarde pela janela da cozinha entrava uma luz côr de rosa,quase dourada.Saí o mais depressa possível para perseguir os ultimos minutos de luz.Persegui aquele pôr do sol,sofregamente,na esperança de poder sentir aquela luz na pele.Na alma.
Quando cheguei ao horizonte as nuvens eram só o que restava do fogo de artifício,vazias.Nesse preciso momento quiz ter-te comigo,precisava que me segurasses.Senti tanto frio...
Só restou aquela luminosidade azul,o alcatrão molhado e o mar escuro.O silêncio.

O meu horóscopo estava certo...

''Poderá sentir vontade de voltar à carga em relação a uma situação que não está resolvida ou acabar de vez com determinado processo. A ansiedade, a inquietação, a sensação de que lhe falta alguma coisa, o desejo de se isolar serão agora sentimentos normais. Esta situação é temporária.''

É pena que os horóscopos só me digam o que eu já sei...Este encontrei-o num café onde parei para beber um chá por estar a chover.Como sempre coisas por resolver...como é que posso acabar uma coisa que nem começei?É sempre a possibilidade que me atormenta.Sei que a outra opção é deixar de pensar nisso,mas isso soa-me muito a desistir.O tempo encarregar-se-há de apagar essa possibilidade,gostava de poder dizer que a inquietação morre aí,mas a inquietação nunca morre.De resto tudo é temporário,até a nossa existência.

Estou cansada...esta solidão cansa-me,cansa-me ter de beber chá para sentir o coração quente.De muitas vezes ter de lhe pôr demasiado açucar para me conseguir sentir minimamente doçe.Cansada de perseguir aquele pôr do sol.

São alturas como estas que me fazem ter os pensamentos mais terríveis,coisas muito racionais,estúpidamente infelizes,mentiras começando sempre por 'já não acredito em...'.

Sorrio-lhes de esguelha...e tento sentir-me eu outra vez.É difícil...sem ti.
aware
publicado por aware às 20:27
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Sábado, 29 de Outubro de 2005

Love generation...

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Esta noite revivi mais um dos pequenos rituais que partilho com a minha mãe.Depois de um dia lento saímos para jantar num restaurante chinês.Fazemos isto desde que me lembro...e continua a saber-me muito bem.Mesmo depois de todo este tempo.

Ultimamente descobri que adoro beber chá com o jantar.Servem-no delicioso num pequeno bule que adoro admirar ao longo da refeição.Hoje perdi-me um pouco a olhar para o vapor, na memória da noite passada.Fiquei assim num sorriso meio parvo até que ela me perguntou porque estava a sorrir assim.Sorri-lhe ainda mais e disse-lhe que já não me divertia assim há muito tempo.

Distrair-me de tudo o que é mau,amigos...com quem podemos ser,rir e dançar até não poder mais.Fazem-me querer divertir-me sempre mais.Como as crianças.

Nunca dei a importância que devia às outras pessoas,é estranho porque é mesmo delas que a nossa vida é feita...
Nunca me hei de esquecer de quando senti pela primeira vez,que sabia o que era ter um amigo.Sempre estive sozinha,e sempre me perguntei: 'porque não sou feliz'?
Viver numa sede terrível,ignorar o copo de água ao nosso lado e perguntar obstinadamente:'o que é que me falta?!'Ridículo...agora.

Lembro-me de adorar as pessoas de longe,a ideia de que as pessoas são apaixonantes...e como conclusão pensar:que pena que isso não seja real...

Agora adoro-os de perto.
Dão-me a oportunidade incrível de me poder sentir bem,de fazer disparates e rir-me deles.Como nos rimos!Sabe tão bem...
Encontros assim devia torná-los menos fortuitos,mas hábitos são dificeis de quebrar.A solidão ainda é a minha normalidade...é difícil mudar.
Tento,muitas vezes falho,outras não.

O tempo passa,muitas vezes sou infeliz...outras não. :)

aware*****
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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2005

Ask me anything but that

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Esta tarde vagueei pelas ruas da minha cidade...estava uma tarde linda,estamos quase na estação das flores de jacarandá.Fiquei feliz por poder ver o sol dourar o empedrado dos passeios,as casas e os prédios.

Lembrei-me de quando pensei que podia perder tudo,ainda posso...e senti gratidão.

Adorei olhar para as pessoas na rua,todas tão diferentes,com olhares expressivos.Uma mulher a olhar as montras,um homem velho à porta do barbeiro a olhar para a rua...pessoas num café.Coisas banais que apreciei ainda mais por saber que a paz de espírito é algo que nos pode ser roubado,num segundo.
E esta tarde eu tive paz de espirito.
Por uma horas senti-me bem na minha própria pele,senti-me bem por estar nas ruas da minha cidade.

Nessas alturas só resta a noção ténue de um abraço que não existe.Não me perguntem porquê...é uma ausência.Um espaço vazio,uma forma humana, passeia ao meu lado e se senta ao pé de mim.Talvez...também tem a ver com a pele,e com o coração.Não sei.

Sei que tenho sono agora,sei que vou adormecer com medo...talvez passe com o sol de amanhã.*

aware
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Terça-feira, 25 de Outubro de 2005

to lost inocence

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Quando somos novos sabemos que nos podemos magoar,mas nunca acreditamos nisso verdadeiramente.Só quando alguma coisa nos tira a normalidade é que nos apercebemos.Só quando perdemos qualquer coisa verdadeiramente importante é que vemos o seu valor.Nada nos faz sentir mais que a ausência...até nas coisas mais simples.

Há muito tempo tive como amigo um poeta,era das poucas pessoas com quem conversar podia ser durante horas sem o menor cansaço.Tenho muitas saudades de conversar assim.Não compreendo porque nunca mais o vi...mas essa é a realidade.

Nunca esperei habituar-me a contar com alguém,mas assim que deixamos de sentir uma presença percebemos.Pode ser um amigo,ou apenas um comentário...pode ser empatia ou o simples sabor de um chá.A verdade é que perdemos uma coisa que nos faz sentir bem.Na verdade são sempre as coisas mais simples que nos fazem sentir bem...e são sempre elas as mais dificeis de perder.
Acho que o meu joelho me ensinou muito disto também.

Á cura.*

aware




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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2005

Velvet black and deep red

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Um pequeno copo de vidro,do tamanho do meu polegar.Vinho vermelho,sangue.

Este vinho não é doçe,lembro-me dos dias em que o achei doçe...
Uma boca amarga faz qualquer vinho amargo.A doçura não resiste muito tempo num ambiente assim.
Olho para o meu reflexo na janela,a minha cara e a escuridão e bebo mais um golo.Entra no meu corpo e vai ter ao meu coração.Um sopro quente que se dilui.
Faz-me lembrar o ar quente de um verão perdido,o cheiro das árvores de fruto e da terra escura.No vidro frio correm as lágrimas dessa memória.O vinho são as minhas lágrimas,escolho bebê-las tranquilamente,guardo-as dentro de mim.

Este momento é apenas tão grande como o pequeno copo timido.Habituado a conter nada mais que vazio e o pó...como as nossas vidas são semelhantes.
Vivemos na imobilidade,na nossa pequenez,no enigma do tempo que parece não se mover e que se move alucinantemente ao mesmo tempo...até que alguém nos agarra,nos enche de qualquer coisa que não compreendemos,um liquido,um fogo,um ar que se consome.Levam-nos aos lábios e bebem essa alma...demorando o tempo que for perciso até que não reste nada.

Amor é só um outro nome para este vinho.
Sim,nunca esperaria ter tanto em comum com o pequeno copo...gosto mais dele agora.Fez-me sorrir na minha solidão,não esquecerei.

aware
publicado por aware às 00:56
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Sábado, 22 de Outubro de 2005

calling me

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Desculpa esfarrapadas entre desconhecidos.Um amor pendente...

Eu era quem queria ser amádo,tinha-me habituado ao sossego do meu proprio coração...mas depois de tanto tempo alguém ainda se lembra de mim,ainda arranja tempo para atirar uma pedra aos meus telhados de vidro.Faz-me sorrir...faz-me lembrar de coisas que não tenho vontade de recordar.
Podia ter um corpo sem ter o seu espírito...mas só de pensar nisso,sinto uma tristeza que não consigo descrever.Seria matar a minha própria alma.

Todos os dias acordo com a solidão tatuada no corpo,penso que quero ir para casa...no corpo de outra pessoa.Morar no coração de alguém...

Já acreditei mais que isso pudesse acontecer,queria livrar-me desta sensação de que as relações humanas são um 'usar e ser usado'.Queria que me provássem o contrário.
Acreditar que existe alguém que me pudesse amar...tal como sou,um universo.
Contento-me por saber que no mundo existem pessoas que se amam,é quase inacreditável,mas é verdade.Independentemente do que vemos nos noticiários...

Por agora tenho de me contentar com um entardecer de cores suaves,o céu...deixem-me em paz.Salvem-me desta paz...

aware
publicado por aware às 20:58
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Sexta-feira, 21 de Outubro de 2005

amazing grace

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Acordei com um grande sorriso,a primeira coisa que fiz foi fazer uma piada sobre o despertador e desatar a rir-me com a minha mãe...mesmo antes de lhe dizer bom dia.

O meu tio juntou-se a nós para o almoço,e como muitas vezes acontece acabamos sempre por conversar sobre tudo à mesa.Entre o vinho e o estufado aparecem sempre todo o tipo de conversas,com uma grande simplicidade discutimos temas eruditos(e outros menos)...acabamos sempre a falar numa qualquer religião ou filosofia.Num ultimo livro que alguém leu ou um comentário a alguém na televisão.
Adoro conversar com o meu tio...acho-o fascinante,as nossas conversas são sempre um jogo muito divertido.

Passei a tarde a ler um livro emprestado,por alguém com uma vida interessantissima,um jovem intrépido que se transformou num velhote amável....um professor.Esse livro elevou o meu espírito...fez-me pensar em todo o género de coisas boas e integras.Quado saí de casa à tarde tudo me pareceu mais nítido...as cores mais fortes.Fui passear um pouco com a minha mãe,no meio de conversas distraidamente fomos parando em todos os nossos sítios favoritos...depois de um pôr do sol que incendiou os céus e as nuvens,começámos a ir para casa,mas a música que tocava na rádio era tão boa que acabámos por ir ter à praia.Não há como musica...musica antiga de que nos possamos lembrar e rir.Acabámos dançando e rindo.Quem me dera que todos os dias fossem assim...

Um dia hei de conseguir sentir-me assim todos os dias,sei que para lá caminho...desde sempre.Saber isso faz-me sorrir.Por dentro e por fora.

aware
publicado por aware às 22:43
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Silêncio

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Entro no meu quarto vazio,escuro.A janela deixa entrar luz azul que se espalha pelo chão...aproximo-me olho para cima e vejo a lua,logo ao lado como diamantes colados a um veludo azul está Orion.Perfeição...

Alnitak,Alnilam e Mintaka...cintilam como lágrimas de luz.Não sei explicar porquê mas sinto uma tranquilidade profunda quando olho para a noite assim.Acalma-me com uma felicidade branda...sinto amor.

Sinto que encontrei qualquer coisa muito valiosa por acaso.

Neste mundo fisico senti com o corpo uma ideia.É muito estranho ter uma ideia no corpo,porque não a consigo perceber...consigo apenas senti-la.A unica tradução racional disto é um sentimento muito forte de reconhecimento...

Inconscientemente sinto que algo se abriu,o equilibrio vem daí.Penso em como é inacreditável que coisas físicas nos ensinem pensamentos avançados...esse era o ultimo sitio onde procuraria.
Há tanto por aprender...e quanto disso não estará num sorriso?

aware
publicado por aware às 01:45
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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2005

If I could fall in love again...I would

ace.jpg

Quero viver,quero escrever...sinto na pele uma aceleração,uma impaciência,uma vontade.No segundo antes do lápis pousar no papel,sinto um aperto na alma.Sinto-me pressionada,sinto que não é bom o suficiente...o ar foge-me.Não consigo respirar,e fico com o volume do meu trabalho a pesar-me nos ombros,folhas e folhas por escrever,por desenhar,de todos os formatos,rolos e cascatas de papel. Desabam...como eu.

Tudo se transforma na neve branca do nada...a neve,em lençois.O frio dos lençois,de que não me consigo libertar,quanto mais tento mais amarrada fico...presa desta loucura branca que é a falta de expressão,o grande silêncio abafado.A incapacidade de assumir um compromisso...pura e simples.

É facil pensar,mas difícil sentir...é nesta altura que tenho vontade de livros,de procurar incessantemente nos livros,qualquer definição...até um poema servia.Para quê?
Não sei...Sei que é essa a minha sede.Uma qualquer ideia antiga de que as respostas estão algures em livros apodrecidos e empoeirados...num qualquer corredor vazio e mal iluminado.
Quando durmo muitas vezes sonho que estou numa livraria e que roubo os livros,ponho-os no interior do casaco ou da roupa.Nos sonhos são como jóias que nem a vergonha mórbida me impede de levar...estranhamente nunca sou apanhada,mas também nunca os chego a ler.Penso nesses sonhos como uma metáfora da minha vida...que nunca cheguei a compreender.

Sinto que quero adoecer.

Outra vez...nunca deixo de pensar que alguém me devia acordar.Que se alguém me amásse me arrancaria da cama onde tento morrer.Alguém que me levásse embrulhada nos lençois ao mar,para me acordar no frio da água.Sentir a roupa pesada de água,o frio e os músculos gelados a tremer.A tremer como um pequeno pássaro entre as mãos de alguém.Mentiras...sorrisos e sonhos.Um sorriso que ninguém vê não é um sorriso...não sei.

Sei que sinto a necessidade de trabalhar...de ter trabalho feito,de dignidade.Encaro isto como o unico trabalho que consigo fazer,o unico que quero fazer.Porque sei fazê-lo...porque me torturo até conseguir.Porque preciso de sangrar...letras...preciso de provar que estou viva.

Em cima da minha mesa,por cima dos livros abertos resta um postal...a foto mostra a fonte de Trevi,a fonte dos desejos.No verso resta o calor da caligrafia de um amigo.Não sei que desejos faria...mas espero que os dele se realizem.
Ainda tenho de aprender os meus.

aware
publicado por aware às 23:06
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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2005

Misty and sleepy

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Chover no molhado...a estrada,o ar frio.Um passeio à chuva.

Parei em frente do mar,num pequeno café, entrei e senti-me em casa.Um chá...quente.O vapor e a chuva, o mar e a música,tão boa música.
Raro,para um café,pensei.
Só queria estar ali,só assim.Com pensamentos esfumados e o calor na ponta dos dedos...pontas dos dedos cor de rosa.Queria ficar assim,sentir-me no sitio certo por mais um tempo,mesmo não sendo perfeito...naquele cinzento confortável.Com todo o espaço do frio,com toda a distãncia do mar,com a solidão do meu calor.Regressar...
No caminho de volta cruzei-me com alguém...tinha exactamente o mesmo ar perdido e entediado que eu.Entre os dois acho que só houve uma única expressão. Naqueles,segundos em que nos vimos.
Deixei-o naquele banco de jardim juntamente com a minha alma durante umas horas...quando cheguei a casa vim ter comigo outra vez.Agora vou dormir.

...a lua está cheia e estou sozinha...amanhã,hoje tenho demasiado sono...

aware
publicado por aware às 23:42
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