Domingo, 27 de Novembro de 2005

the sound of flapping wings...

snakewings.jpg


Sinto-me morta.

Estou a decompor-me...

Hoje queimei a minha mão com água a ferver.Distraí-me...por uns segundos.
É o suficiente.
Fiquei,parece,com um pequeno rio vermelho nas costas da minha mão esquerda.

Como uma estrada...eu estava a voltar para casa,pelo carreiro de terra,ainda me lembro do cheiro.Na berma estava um pássaro pequeno,não se mexia...piava baixo,mas não era uma melodia.Fez-me lembrar alguém que quer falar mas que se esqueçe do discurso ao mesmo tempo,como uma pessoa distraída.
Aproximei-me e mesmo assim ele não se mexeu,ainda estranhei mais.Olhei para a erva mesmo em frente dele e foi aí que percebi.Estava uma cobra a dois palmos dele,imóvel...estava a hipnotizá-lo.

Um velho deus...baixei-me e esperei.

Passado uns minutos que me pareceram séculos,a cobra começou a mexer-se.Aproximou-se do pássaro,que não se mexeu nem fez nenhum som,abriu a boca quase em câmara lenta,e começou a engoli-lo.Em segundos comeu-o e voltou para erva alta...lembro-me do barulho do corpo dela a passar pela erva.

Quem me dera morrer assim...encantada.

''um regresso à harmonia pelo excesso,ao equilibrio por uma loucura transitória...a cura da serpente''...veremos.

aware

publicado por aware às 21:36
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2005

young woman

John Hui Kim_Your Silence.jpg

Sinto as minhas costas a alargar.

A ficarem mais fortes,mais duras.Esta sensação desce-me pelos braços e sinto os músculos a contraírem-se.É aí que reparo como estão vazios os meus braços.
Não tenho ninguém para proteger.

Chamam a isto o instinto 'maternal'...

Sim,ser mulher é isto,por mais fácil ou dificil de admitir que seja.Sinto-o completamente,desde a pele até aos ossos.Uma identidade.
Chamam-lhes químicos eu sei.
É nesse ponto do raciocínio que eu quero falar sobre amor.Esse conceito abstracto e elusivo.O tema único.
Como posso falar de qualquer coisa que não conheço?Até que ponto isso é verdade?Dizem que quem menos amor tem mais o compreende...não sei como isso pode ser verdade,especialmente quando vejo duas pessoas apaixonadas.
Portanto tenho de fazer o que a maior parte das pessoas que falam de amor não admite:tudo o que posso fazer na realidade é reflectir a minha identidade actual.Não em muito bom estado confesso,um reflexo amarrotado pelo passado.O que me cansa...tudo isto me cansa,o passado,o presente e o futuro.Cansa-me.
Quando falamos no amor chega a uma altura tradicional em que pensamos no sexo oposto...o outro mistério.A minha opinião sobre 'eles' foi,durante muitos anos,negra.

Os 'homens'...essa ideia abstracta.

Sou nova....muito nova,que influências masculinas tive na minha vida?Falando a sério?
Já fui publicamente humilhada,usada,insultada,psicologicamen
te agredida,fisicamente assediada.Mas tudo isso não é nada...nada.Não significa nada...

No fundo no fundo só hà uma única maneira de arruinar alguém,quer seja no masculino ou no feminino:o abandono.Simples.

Não existem outras maneiras,no fim tudo se resume a isto.
O meu pai foi apenas o primeiro.(existe aqui um 'ahhh' quase audivel.)
Há quem confunda isto com auto-comiseração,enumerar defeitos,atirar com culpas,sexismo.Sinceramente até pode ser verdade,mas acreditem a minha intenção é absolutamente expositiva.A única coisa que os seres humanos podem fazer é reflectir o que viveram.É ciêntifico.
Durante muitos anos não consegui acreditar que o homem fosse capaz de amar.Não como eu conheço o amor.Não como eu sinto o amor...acho que esta duvida é partilhada por muitas mulheres.As que não são amadas,e as outras também,não se enganem.

Sendo assim,como é possivel que ao longo dos anos a minha opinião tenha mudado?Sobre os homens,sobre o amor...simples.Está inclusivé na declaração da Independência dos Direitos do Homem:

"Artigo 1°

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.''

Lembram-se?Democracia...não julgar o todo pelo um.É verdade.Tenho de ser justa...
No fim somos todos humanos.
E quem sou eu para ter certezas defenitivas sobre o que quer que seja?...num mundo cheio de ódio e guerra se não acreditarmos no amor,o que resta?
No fim do meu raciocinio,acabo sempre por pensar que a verdade é que não acreditar é muito mais fácil,desistir muito mais confortável...acreditar talvez seja muito mais doloroso.Porque se acreditar tenho de acreditar não só na sua existência...o que é avassalador,mas pior!Crueldade das crueldades!!!---Na sua ausência também...---

Quando tenho uma prova de que existe,o tempo parece abrandar até que pára.
Nos momentos em que nada mais me resta senão acreditar...sinto-o.
O amor para mim,neste ponto da minha história, representa a mais pura forma de dor.

Um dia,muito provavelmente,alguém se há de apaixonar por mim e eu por esse alguém.Acredito de facto que isso já começou....Muito provavelmente,também,nunca nos encontraremos.Aconteça o que acontecer a verdade é que conheci a sensação de amar.Literalmente é a matéria que compõe a vida.

Morrer e nascer ao mesmo tempo,isso é o amor.Não somos humanos até que o sentimos...

Aware

publicado por aware às 21:11
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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2005

Wanting....waiting

Waiting.jpg


Ás vezes não consigo ter esperança.

Nenhuma...mas sei que como tudo isso também passará.
Nestes ultimos dias tenho assistido sozinha ao desmoronar da minha alma.Mais uma vez,como quem assiste a um pôr do sol.

É estupidamente simples...o sol,o ar e eu.

Os problemas mais simples parecem sempre os mais insolúveis.O meu só tem três coordenadas,uma localização exacta mas sem resolução aparente.
Também isso também passará...
Mesmo assim espanto-me com a rapidez e o poder,desta queda,desta doença,desta lividez.Muito visível,muito invisível...depende da intenção de quem observa.Como tudo.
Não consigo descrever o estado em que fica o meu corpo,quando me sinto assim.Muito menos da minha alma.Ponho a minha intenção no futuro,tento pensar nas viagens,mas isso só me inquieta.O que me acalma,descobri,são as letras.
Entretenho-me com conceitos abstractos,como a ética,a honra,código,princípios.
Gostava de poder sentir a voz de alguém no que leio.Para além da minha...

Tenho saudades de um professor.
Como eu gostava dos meus professores...ninguém diria.

No fundo,a minha educação depende unicamente de mim,sou eu que permito que me ensinem.É assim com toda a gente.Mas partilhar é sempre muito mais...não sei descrever.É aquela sensação:

''A compreensão é o mais sublime dos prazeres''...Da Vinci.

Há pessoas que passam pela escola e não sentem o que eu senti,que passam pela vida,parece-me, sem perceber mais que o imediacto...às vezes penso que esses são os afortunados.Quando insulto os meus sentimentos,por serem demasiado fortes...mas não é verdade.Não sensuro quem vive...sensuro-me a mim por não saber viver.O equilibrio virá com o tempo,com a intenção,com a sinceridade.

A minha vida parece um pesadelo que ninguém vê às vezes.Mas tudo passa...
''Escrever é bom,pensar é melhor.Inteligência é bom...paciência é melhor.''
...sem dúvida.

Aware
publicado por aware às 00:42
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Terça-feira, 22 de Novembro de 2005

The Art of Peace

forest.jpg

One

The Art of Peace begins with you.

Work on yourself and your appointed task in the Art of Peace. Everyone has a spirit that can be refined, a body that can be trained in some manner, a suitable path to follow. You are here for no other purpose than to realize your inner divinity and manifest your innate enlightenment. Foster peace in your own life and then apply the Art to all that you encounter.

Morihei Ueshiba

These quotations have been compiled from O-Sensei's collected talks, poems, and calligraphy, and from oral tradition.Enjoy***Aware
publicado por aware às 22:34
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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2005

wisdom is the rain that keeps falling from our eyes

wwariordet.jpg

Estou a dormir mas acordada.Estou apaixonada mas sozinha...

Sou tudo mas escolho ser nada.Estou em mim...este é o meu corpo,o meu elemento.
Deixo a mesma musica tocar,indefinidamente.Sinto-me incompleta.

Só posso estar a sonhar...

'falar comigo sem usar palavras,ver o meu invisível...ficaremos para além das palavras um no outro'

Não sei no que hei de acreditar,não me sinto bem...não quero realidade,e estes sonhos fazem a pele doer.Tornam os braços vazios,tiram o significado ao corpo.
Estou a dormir de olhos abertos...tenho de acordar.

Aware
publicado por aware às 03:00
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Sábado, 19 de Novembro de 2005

you are the fire

lightning4.jpg


À noite gosto de andar pela casa às escuras.Ando de olhos abertos mas por mais abertos que estejam só consigo ver o escuro.Podia estar de olhos fechados,não existe distinção.

Conheço perfeitamente a minha casa,quase não preciso de esticar um braço para me orientar...Sinto-me confortável assim,não sei porque o faço.
Fico assim encostada a uma ombreira de porta,a sentir o frio nos pés descalços.É ai que começa a chuva,não a vejo mas oiço-a,primeiro muito devagar...um som que parece o do vento nas àrvores ou as ondas na praia...mas diferente,mais leve.E depois cada vez mais forte,até que parece que o próprio céu está a cair.

Quase sinto a minha alma a lavar-se no escuro.

No escuro total estou de olhos abertos,parece que mos pintaram de preto...
Confortavelmente cega até que o clarão rasga o céu em menos de um segundo.Sinto a luz tocar na minha pele,como se estivesse a um centímetro da minha cara.Um corte vertical na pele macia do céu...uma cicatriz de luz.Assusta-me completamente...e desaparece no momento seguinte.

Espero no barulho da chuva,segundos intermináveis.Espero e espero e espero até que ele chega.O Som.

O som que começa e cresce cada vez mais até que o sinto dentro do meu próprio corpo...no meu corpo,como se fosse a própria alma a rugir.
A rugir como um animal em pânico.O céu a arder.
Um som do princípio dos tempos,divino...a união da água e do fogo.Fecho os olhos mas o som não desaparece,está no meu coração.Pareçe rachar-se em dois.

O céu desfaz-se em chuva,luz e som.E eu também...
Quando a guerra acaba e a violência do vento morre,tudo parece um despropósito.
O que resta?

''Tu és o relâmpago

afasta de mim o meu mal.

Da Ordem sagrada,dirijo-me à Verdade''




...Lá fora o céu negro o silêncio e o cheiro da terra molhada.Cá dentro o que resta de mim no chão frio do meu quarto,a solidão...de olhos bem abertos.



Aware
publicado por aware às 23:19
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Quarta-feira, 16 de Novembro de 2005

In case of emergency break the silence...

way.jpg

Meio abandonada,neste silêncio inesperado...uma espera.

Já só consigo ver uma direcção naquela escada.Tenho de esperar agora,por uns segundos que me parecerão uma eternidade.
Existe uma segurança em esperar,uma segurança que muitos abusam e que poucos conseguem apreciar.Eu tenho de esperar agora,sinto-o certo porque o próximo degrau está marcado no tempo.Só tenho de esperar que se materialize à minha frente.
Entretanto resta-me o silêncio da minha espera,e a companhia de quem se senta ao meu lado.Vão e vêem...parece-me...à velocidade da luz.Enquanto eu continuo conjelada no meu tempo,no meu próprio corpo.Sinto-me como se tivesse perdido o meu melhor e mais antigo amigo...

Neste silêncio dourado remexem-se devagar alguns pensamentos,como uma brisa leve levantam o pó que doura o chão infinito,a minha alma em viagens...

A espiral é férrea,não me deixa adormecer na poeira macia.O próximo degrau vem com a velocidade assassina na aurora...não tenho de me preocupar com os universos que vejo nos meus segundos.Será,e falta muito pouco tempo.

Tempo que eu saboreio,no cinzento silêncio,como uma neve dourada.Que tolos são os que desesperam...quantas vezes me aconteceu o mesmo?Esperar é agora o meu bálsamo,quando antes era o veradeiro veneno...tenho de o apreciar porque é e será cada vez mais raro.Como o silêncio...

Apetece-me poesia,porque raramente me salvam do silêncio que me acompanha.
Sinto-me bem,mesmo não conseguindo ver a lua esta noite.Sinto-me abstracta...

Aware
publicado por aware às 23:10
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Terça-feira, 15 de Novembro de 2005

Obrigada do fundo do meu coração...Rainman

bluemoon.jpg

Passei a tarde a olhar para o mar,divertida a conversar.

Distraída com o tempo,começei a sentir uma sensação estranha....de que é suposto acontecer qualquer coisa e eu sei o que é.
Corri para onde me esperavam...cheguei a tempo.

Agora sento-me no meu quarto e penso no que aconteceu.
Cheia de espanto num quase amor....
Aqui sentada na luz que ela derrama pela minha janela...não queria que fosse já.
Ainda não me queria despedir...ainda não.
Na minha cabeça distraída desenhei um percurso e sabia onde ele iria dar,sabia que um fim chegaria.Um fim que permite,como todos os fins um novo princípio.Mas quando o fim chega na realidade é sempre,por mais previsto,algo inesperado.

Lembro-me de quando aprendi a andar de bicicleta... tentava equilibrar-me naquele gigante,quase não chegava com os pés ao chão.Tremia por todo o lado...até que uma mão forte agarrava o banco onde eu estava sentada,e a segurava o suficiente para eu poder pedalar um pouquinho.O problema é que eventualmente tinha de me largar...para eu poder apanhar o meu impulso próprio,e conseguir sozinha.
Muitas vezes assim que me largaram eu caí...muitos joelhos esfolados,muitas nódoas negras.

Mas lembro perfeitamente da primeira vez que aquela mão me soltou e que consegui andar sozinha.
Nos primeiros sengundos um susto que se trasforma num grande sorriso.
Hoje vivi outra vez esses primeiros segundos.Numa mistura de medo,surpresa absoluta,uma separação...que sinto demasiado repentina,mas não menos necessária.
Chegou a altura de caminhar por mim própria,nunca esperei que fosse hoje.

Hoje,claro...Lua cheia.

Por momentos apeteceu-me chorar,aquele adeus tão súbito,não queria perder mais uma pessoa importante para mim...tive de me lembrar de que não era absoluto nem final.Significa que estou pronta,e isso abre um novo caminho....um que eu nunca percorri sozinha.


O meu.


--------------

Aware
publicado por aware às 19:56
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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2005

Look at me!...im as helpless as a kitten up a tree...

blu day.jpg

Dia azul o dia de hoje,sinto cada músculo do corpo a doer baixinho.Sabe bem...

Muitas nuvens e o som de chuva que as árvores fazem com o vento.Não chove e o frio torna-se cortante.Tudo é azul com esta luz...parece que as outras cores deixam de existir.A única que sobra é a côr do chá,quente.
Tento ler mas não consigo,estou cansada de perguntar a razão última das coisas.Quero viver...
Sinto-me bem,a única coisa que me perturba em dias assim é a ausência.A única,a última ideia,aquela que nunca me abandona.Tão forte e calma que se transforma no seu oposto...uma presença.
Quando acalmo o meu coração sinto um sofrimento que não é meu.Faz-me sorrir.
É uma ideia estranha admito...como posso sentir a falta que outro alguém tem de mim?
...
Viste-me mas não falaste comigo...porquê?
Eu também te vi é certo,vi-te a olhar para mim,e também não disse nada.Estava ocupado/a...com a minha vida diz cada um para si, e para o outro também,mesmo sem palavras.

Somos invisíveis um para o outro.

Nós que nos conhecemos desde sempre e que estamos sempre juntos.Que dormimos e sonhamos nos braços um do outro.

'Oh how I wish
For soothing rain
All I wish is to dream again
My loving heart
Lost in the dark
For hope I’d give my everything'

Isto é estar apaixonado por alguém que não existe...simples não é?'
aware
publicado por aware às 01:02
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Livros malfadados livros...



!!Warning!!
Venture into this post at your own risk...

Isto tudo porque ando há uns tempos para escrever sobre uns livros que tenho lido.
Tornam sonhar difícil...são de um realismo absoluto.O real absoluto não permite sonhos ou invenções,quase não permite sentimentos.A seriedade do pensamento científico e a sua ânsia de consolar e libertar o homem através da imposição de verdades só para as derrubar e substituir acaba por restringir o nosso mundo em vez de o libertar.Dá-nos prespectivas deliciosamente diferentes mas esse sabor de conquista é efémero.
Não esplica o vazio...nem a ausência,não me ajuda a sonhar.Sonhar é talvez a última fuga à realidade.A divindade em sonhar ou em viver...desaparece.Faz me pensar que o que sinto não é real...que não está lá ninguém.O oposto do que preciso para continuar.O que preciso afinal?

Nota para referência futura:Não dar livros que explicam o universo da mente humana a alguém já de si perdido.

Faz-me pensar nas realidades que a humanidade criou ao longo do tempo,como a fé,as tradições,a religião,a ciência...tudo para obter uma sensação de segurança,uma pedra basilar em que nos apoiamos para sentirmos que podemos controlar o incontrolável,definir o invisível e quantificar o absoluto.Tentamos capturar o que sentimos ser a realidade com definições.Porque aceitar a qualquer coisa que não percebemos é torná-la invisivel...

Espanta-me existir quem consiga dizer 'há realidades que não nos podemos dar ao luxo de ignorar'.A realidade é uma coisa tão indefinivel como aberta a discussão...e acima de tudo nunca posta de parte.Ignoramos é do que ela é feita.
Talvez a filosofia seja só um jogo de intelectuais,um jogo onde a parada é cada vez mais alta,onde um homem sem deuses tenta suplantar o seu predecessor.Faz-nos acreditar e desacreditar tudo.

É só impressão minha ou Nietsche ridiculariza todos os esforços que a humanidade fez para sair da lama primordial em que foi concebido?Comecei a lêr 'Para além do bem e do mal' e começei a ficar chateada sem saber bem porquê,voltei ao principio e consegui vê-lo imediatamente.Nunca vi ninguém com maior falta de humildade e tacto na vida...um pensador a criticar outros pensadores por terem o rei na barriga,transformando-se exactamente naquilo que critica.A denegrir o pensamento do «povo» que pôe entre aspas.Está perigosamente perto de dizer na cara do leitor que ele até sai do seu pedestal e põe as coisas em termos para-burros para o beneficio da humanidade.Pode ter sido um dos maiores pensadores da história da humanidade,um dos verdadeiros activadores do pensamento individual,revolucionário,um mestre,pode estar podre de razão mas estraga tudo pela maneira de expor os seus pensamentos!Insultar a inteligência dos esforços da humanidade é crasso...no meu dicionário é.Haja fair play!
A unica sabedoria que pude encontrar na minha vida foi a noção de Aceitação.Respeito até pelos que não concordam conosco,até pelos que nos prejudicam.
Eu compreendo que o tempo em que viveu era regido por outras regras...o pensamento vivia nos freios do cristianismo e de outras 'programações',sei que alguém que se revolta contra um pensamento instituido pela sociedade precisa de muita força para o fazer e que esse esforço corrompa a noção de gentileza do individuo em causa.Confesso que procurava a verdade quando o quiz ler,e obtive-a o que não esperava era de uma dose tão grande de arrogancia e prepotência quase adolescente.Espero do fundo do coração tê-lo percebido mal...

Perfiro o 'Realidades imaginadas' de Paul Watzlawick...é muito mais humilde.Consigo apreciá-lo muito mais,só pela cordialidade com que escreve.E é tão provocante como Nietsche,apenas muito mais suave.Acho que por não conhecer mais que a liberdade de expressão de que usufruimos hoje não me lembro facilmente que nem sempre foi assim.

Enfim dão-me cabo da cabeça e da imaginação.Acho que este tipo de livros eram exactamente o que eu procurava há uns anos atrás.Era muito mais ávida do pensamento racional.Trasformou-me no que Nietsche descreve como ''niilismo e índice de uma alma desesperada e fatigada até à morte''...como qualquer adolescente deve ser.

Mesmo assassinando as minhas ideosincrasias é bom lê-los...enfim,acho que já fui mais forte.Malditos pensadores...

aware
publicado por aware às 00:07
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