Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2005

War

sun.gif

Depois da lua o sol...depois do ideal a vida.

Para além do reflexo o objecto...a realidade.

O sol tocou a minha pele e tirou-lhe parte da pureza,da brancura.Sinto saudades de quem fui,de me sentir intocada.
Fico assim,dourada, no silêncio da tarde,numa calma tão profunda que não me reconheço.Não me reconheço...

A minha alma dividiu-se,metades que não se controlam nem se reconhecem.Uma existe e a outra observa.Vivo uma vida que me parece não ser decidida por mim,mas não luto contra a realidade...vivo-a silênciosamente.

Sinto saudades da simplicidade do vosso amor.Da complicação dos meus ideais.

Estes ultimos dias teem sido para além das palavras,talvez por isso sinta que é tão dificil escrever...estive ausente deste sitio tempo demais.

No meio de arvores centenárias descanso...debaixo de uma cascata tento perder o meu eu,na água que cai,tento ouvir a minha alma mas tudo o que me chega é o som da natureza virginal.Os pequenos pedacinhos de cor pulsantes voam uns passos á minha frente no trilho de terra vermelha...sons que nunca ouvi.
Deito-me na terra e olho para o céu vejo as nuvens passar como os sonhos lentamente.O tempo deixa de existir,e a chuva vem...cai pesada na minha cara,no meu corpo horizontal.
Os meus pensamentos,quase não os oiço,não sei se existem.Sei que existo...sei que o meu corpo vive mas não sinto a minha alma.Sou uma presença ausente,no meu coração e aqui.Quando penso em quem me habita a minha respiração trasforma-se em amor,um mel,uma saudade...

Eu estou bem,acho...invulgarmente bem...falta-me apenas o prazer da compreensão.

Aware


publicado por aware às 22:48
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Sábado, 17 de Dezembro de 2005

I am here...just for you

3.jpg

Hoje é a noite dela e por isso estou aqui...impossível resistir.

Leio pela primeira vez as palavras que aqui foram deixadas,sinto um beijo e através dele um sopro que me eleva a alma e o peito.Sinto-me voltar para mim...
Gostava que as letras conseguissem transportar o cheiro desta terra que não é a minha.Gostava que soubessem que é o cheiro mais doce que conheci...não sabia que a terra podia ter um cheiro tão quente...tão doce.
A terra aqui é uma sinfonia de cheiros adocicados,cada fruto,cada árvore se torna parte deste perfume inebriante que cobre as ruas.

O próprio céu é maior aqui,as nuvens são sonhos gigantescos,tudo tem uma nitidez desconcertante.Com um céu assim torna-se impossível ser infeliz...e aí a chuva vem quente,solta-se do céu e cobre a terra.Nesses momentos oiço a terra respirar...as cores ganham vida e sabor,brincam na terra como animais,como deuses.
O meu sono ganhou uma nova inocência aqui,alguém me ama quando sonho.Não sei como uma calma invadiu o meu corpo,não a consigo explicar,não lhe consigo fugir.Sorrio.Tudo mudará amanhã...

Tenho amor no meu coração...derrama-se sobre tudo.

Estou aqui,aqui mesmo no teu coração no calor da tua respiração,aqui mesmo depois de um oceano,aqui a oito mil quilómetros de distância...aqui.Nas saudades,no medo e mais do que nunca na lua cheia.Num constante dejá-vu...
Estou exausta...vou dormir enrolada no escuro.O escuro da noite,o escuro da alma...apenas a luz dela sobra,e as memórias.

''Não sei quem sou,não sei por onde vou...''

Sei que estou aqui...
Aware*
publicado por aware às 04:52
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Domingo, 11 de Dezembro de 2005

Traveling without moving...its time

Clouds .jpg

Faltam horas para partir,este é o ultimo sítio que tenho de visitar.

Aqui me esperam sempre com palavras meigas todos os que me amam.
Também vos amo,a todos.
Os presentes e os ausentes por igual,deixo ficar para trás uma grande parte do meu coração.Deixo-o onde me sentem,aqui e em toda a parte.Tentarei falar-vos de lá,mas se sentirem a minha ausência aqui...matem as saudades nos meus textos que aqui ficam.É onde vive a minha alma.

Votarei...é assim e assim será.O céu e as nuvens esperam por mim...amanhã.

Aware
publicado por aware às 23:05
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Sábado, 10 de Dezembro de 2005

I am

hurt you.jpg

Em ocasiões estranhas permito-me ser quem sou.Consigo ser quem sou,completamente...

Fico numa espécie de transe,o meu corpo ganha vida ao ser o portal da minha alma.
A minha alma torna-se por momentos visível.
Como uma música irresistível sai pela minha boca.Por momentos sinto-me pura,quase divina,por falar a verdade que mora no meu centro,no meu coração.
Nesses escassos momentos iluminados sou simplesmente eu.
Nunca pensei que isto pudesse acontecer,mas acontece.São despoletados pela presença de uma pessoa.A minha alma deixa de ser qualquer coisa que sinto e passa a ser algo que vivo e respiro.Nesses momentos sinto todas as partes de mim,e espanto-me por ver o que apenas sentia remotamente,nesses momentos vejo a vastidão de quem sou.

O momento passa,antes não me apercebia disto mas agora sei que existem efeitos secundários.Tudo obedece às leis mais elementares da Física,expecialmente os nossos corpos.A reação do meu corpo espera pelos momentos seguintes,espera pelo dia seguinte.

Aí sinto que a minha alma me abandonou,e caio no abismo e na nausea.Como uma drogada sinto todos os sintomas de privação,a ressaca depois da utopia.
A escuridão depois de uma luz mais intensa que o próprio sol.
Quando ainda não compreendia isto o medo consumia-me completamente e por isso eu culpava a pessoa que tinha despoletado a minha verdade e aquele momento.
A ignorãncia gera o medo,como sempre o fez.
Agora sei,sinto,que tudo isto sou eu,compreendo melhor a dinâmica do que me acontece mas ainda não o compreendo totalmente.Sei que nestes momentos aprendo...e quero continuar a aprender.

Seria bom que com o tempo conseguisse controlar estes extases.O que é um paradoxo.Como sempre fui ao dicionário,antigo,depois de Exsurgir e antes de Extemporaniedade encontro-o.

Êxtase:Arrebatamento da alma,que se acha como transportada fora do corpo.Afecção nervosa caracterizada pela imobilidade e pela absorção completa do espírito.Estar em extase diante de alguém ou de alguma coisa,estar absorto.

Coincide,senti-o assim.A peça encaixa-se e os limites esbatem-se e desaparecem.Por curiosidade desconfiada procuro a definição de ressaca.

Ressaca:Movimento violento das ondas sobre si mesmas,quando bateram contra um obstáculo.Fig.Volubilidade.

Sim eu conheço isto...Defenitivamente.Mas não o consigo compreender como o primeiro termo.Não gosto do sentido figurativo,acho-o prejorativo,associado ao carácter.Mas no fundo o que são as mudanças,senão isso mesmo?Chego à conclusão que pouco sei sobre o que me acontece.
Porque é que o meu corpo se ressente do que se passa na alma?E vice-versa...
Sei que fico com mais conhecimento sobre os principios e morais que me regem quando se dão esses momentos.Sei mais sobre mim porque me sinto completamente,até aos sítios mais inóspitos,obscuros e desconhecidos da minha alma.
Tenho estes momentos quase todos os dias...com intensidades variáveis,por vezes nem me apercebo deles.Outros momentos são como se se abrisse um corte na minha carne,e a alma fosse arrancada do meu corpo e atravéz dele.Nessas alturas fico com a alma longe de mim por muitos dias até regressar.São horas,sentidas em cada segundo...de morte,de tormento.

Não me queixo disto,acho-o uma dádiva.Como a própria vida.Quero compreender melhor...''the race is long and in the end its only with yourself''.Eu sei....
Nestas alturas sinto-me um ser humano...muito humano.

Aware


publicado por aware às 22:51
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Metade de mim

alf_Moon.jpg

Acordo de um sono demasiado pesado.

Levanto-me no desequilibrio frio da manhã,na luz branca.Sinto que tenho de pegar no meu proprio corpo ao colo para me levantar...sinto-me demasiado leve.Levo-me à casa de banho e na soleira da porta sinto um vómito.
Odeio quem vejo no espelho,alguém que eu não conheço a desfazer-se.
O meu corpo treme mas não de febre...de medo.

E mesmo assim consigo vestir-me e viver um dia.Mais um dia na realidade.

Passei este dia aterrorizada,pretendendo uma calma que não é a minha.Antes havia a máscara que era a unica protecção.Distorcia tudo o que a atravessava e diminuia a intensidade da empatia e do raciocínio,era uma mistura de ódio,falsa coragem,orgulho,violência...
Agora já não existe,agora qualquer um me pode ver.Exactamente como sou.E não existe nada mais desconcertante do que alguém que nos consegue ver.
Agora mais do que nunca quero fechar-me no meu próprio corpo.Sinto que qualquer pessoa me pode levar à loucura facilmente...quem quizer pode vir e destruir-me.

Sofri por alguém me conseguir ver e por me dizer aquilo que sou .A verdade é que não consigo deixar de ser...e isso faz-me sofrer todos os erros que ainda não nasceram.Faz-me lembrar os erros que já me mataram uma e outra vez sem piedade.
Alguém olhou para mim hoje e me disse que via as feridas,assustei-me,por uns momentos pensei que apontaria para o meu corpo e mas mostraria.Tal como são.
Vi o reflexo de um animal que morre nos olhos dele.Olhos como eu nunca vi.
Andei pela cidade ao pôr do sol,já não me lembrava da verdadeira solidão.Sentei-me num banco de jardim,nas cores escuras,nos azuis,nas primeiras estrelas.Num salão monumental de vultos e colunas negras,a céu aberto.
Ao longe oiço pavões e os seus chamamentos.
Lentamente os candeeiros começam a acender-se e tudo fica de uma côr alaranjada.O que está mais perto de mim depressa fraqueja e se apaga.Sinto-me nele e agradeço-lhe pela honestidade e pelo gesto.
Ao fundo deste salão está uma porta monumental iluminada como se ela própria fosse o pôr do sol,a contra luz vejo dois vultos que se juntam e o tempo pára por um momento,separam-se outra vez e juntam-se,noutro momento ainda mais doce...apenas dois vultos negros todo o mundo não existe naqueles momentos.
Dou conta de mim e afasto o olhar e o pensamento.Ao pé de mim um pai brinca com uma criança pequena,fico nos sons deles mas também o som se esbate e desapareçe.
Levanto-me e começo a andar,mesmo sem alma no corpo.No caminho ando levemente,porque sinto o coração a enterrar-se debaixo de cada passo meu.O meu peito está vazio...e lembro-me de uma coisa de que não me lembrava hà muito tempo.As palavras passam pela minha boca fechada,maquinalmente,como se me tivesse esquecido delas dentro de uma mão fechada.Saboreio-as levemente,lembrando-me do que senti quando as li pela primeira vez.

''Jejuou catorze dias.Jejuou vinte e oito dias.A carne desapareceu das suas pernas e das suas faces.Nos seus olhos dilatados refectiam-se estranhos sonhos...O seu olhar gelava quando encontrava mulheres;os seus lábios arrepanhavam-se de desprezo quando passava por uma cidade de gente bem vestida...mas nada lhe pareceu digno de um olhar que fosse,era tudo mentira,tresandava tudo a mentira.A felicidade e a beleza mais não eram que ilusões dos sentidos,estava tudo condenado a apodrecer.
O mundo tinha um gosto amargo.A vida era dor.
Siddartha tinha um unico objectivo:despejar-se,ficar vazio de sede,desejo,sonhos,prazer e mágoa.Deixar o Eu morrer.Não ser mais Eu,conhecer a paz de um coração vazio,conhecer o pensamento puro...''

Perdida nos meus passos e nestas memórias de antigas,sensações e impossibilidades inevitávelmente chego a casa.Deito-me enrolada e assim fico,como se fosse feita de pedra...o medo e a ansiedade cansam-se e morrem.Sobro eu,ou o que resta.Não quero pensar ao que sobrevivi ontem,recuso-me.
Não durmo mas isso não me impede de acordar outra vez,meto-me no carro,sinto-me a regressar à cena de um crime.Fujo de mim.
Quando me encontro estou na praia a olhar para as luzes da cidade que arde.
Musica...Coiote 100.7 das dez às onze da noite.Por uma hora posso ter uma alma emprestada.

Volto...para o espaço exíguo dos meus pensamentos.E alucino aqui a horas estranhas.Estou demasiado cansada.Não me quero lembrar...nunca mais....

Aware
publicado por aware às 02:24
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Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2005

Miracles will happen as we speak...

junk.jpg

Tinha saudades de matar saudades.

De matar o silêncio com conversa animada e risos,na companhia de uma amiga.Sinto a alma mais leve agora...e até estranho essa sensação.
Só agora me apercebi da quantidade absurda de coisas,de pessoas,que tenho tido na consciência estes ultimos dias.

And yet I still remain the same.

Aware

publicado por aware às 02:26
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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2005

Memory of a full moon long ago

a noite-thumb.jpg

Ao pôr do sol tudo pareçe mais azul...abro a janela e sinto o cheiro das cores.
Arrumo o meu quarto lentamente,a pensar em espaços...e no silêncio que sinto.Tudo começa a ficar mais vazio.E a luz começa a enfraquecer,cada vez mais azul.
A lua nasce entre véus de branco...dão-lhe uma duvida...uma indefenição.É como me sinto.

O ar e a janela fazem com que o espaço pareça ainda mais vazio.Vou estender a roupa ao terraço subo as escadas e sinto todo aquele espaço...Estendo lençois e sinto-lhes o fresco na brisa que passa,fico ali descalça a sentir a brisa a brincar com as minhas pernas e o cheiro da roupa fria nos dedos.Labirinto de roupa leve e fresca da água que ainda contém.
Deixo o espaço infinito aquele céu e as roupas nas linhas...parece irreal.Troco-os pelo meu quarto,agora vazio...simples no escuro da nova noite.
Tenho a sensação de que se acender as luzes me vou queimar...mas não quero ficar no escuro...sento-me á janela acendo incenso e fico no fumo e na luz ténue.Olho para o ponto vermelho de arde,tão suavemente.O fumo balança leve.
As cigarras tocam no silêncio...o barulho de um carro que passa,o ultimo grito de uma andorinha.Sons do meu sempre.
O ar...a janela...o cheiro.
Sento-me no chão do meu quarto e penso que continuo descalça...mas parece que as minhas pernas já não acabam como acabavam.Agora sou para sempre.Acendo um candeeiro fraco e uma vela.
Passa uma brisa fresca e ponho musica.Estranhamente a musica enche todo o espaço vazio...a coincidência aleatória faz com que seja perfeita.
O chão do meu quarto vazio,a janela aberta e a lua...a música e eu.

Sinto-me em mim...quem fui,quem sou.Efémero...demasiado bom,absoluto.
O ar...a janela completamente.

Respiro e vejo os pensamentos sairem da minha boca como fumo...fumo lento.
Amo.


aware

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Este post foi escrito em 24 de abril deste ano que está a acabar.Num mundo diferente foi o texto favorito de um amigo que perdi na multidão e no vazio das nossas vidas,dedico-o a ele.Ao Poeta do silêncio.

Aware
publicado por aware às 01:15
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Terça-feira, 6 de Dezembro de 2005

and I miss you...like the deserts miss the rain



Conheço-te desde o dia em que nasci,e hoje pela primeira vez chorei por ti.

Espanta-me nunca o ter feito até hoje,e nunca me ter lembrado disso.
Parece-me inconcebível isso.
Hoje deitei-me com a luz pálida da aurora,não quis ver o sol nascer...ou melhor,não quis que ele me visse.Dormi umas horas,e para meu espanto acordei.
Penso em não acordar em dias assim.
Estive o dia todo sem comer...pura e simplesmente a minha fome morreu.Estou bem assim,não sinto vontade de nada.Seria confortável,se conseguisse não pensar em ti.

Hoje pela primeira vez não aguentei a tua ausência.Chorei sem fazer um som...nunca me tinha acontecido.Sinto-te na minha respiração todos os dias,mas é quando me lembram de ti que mais sofro.Aí penso que as pessoas são cruéis....mesmo sem saberem.

Esta noite quando vi a lua percebi o que sou.
Pensei no que seria a lua sem o sol,e vi-me.Um corpo invisível na escuridão.


Aware
publicado por aware às 19:32
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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2005

Tremendo

Rodin - De Danaide 2 -G.jpg


Ele disse que eu era uma cobarde...e eu não consegui discordar dele.

Viu atravéz de mim com uma facilidade que me apanhou completamente.Sorri como se sorri nessas alturas,para não desabar.E concordei com ele,porque concordo...

Sou fraca.

O meu maior terror é ser apenas mais uma má pessoa com boas intenções.As minhas acções até hoje nunca me provaram o contrário,por isso só me resta chegar a essa conclusão...mas não chego,nunca chego ao fim dessa estrada.
Por cobardia também,muito provavelmente.
Ele disse que eu ia fugir,que os problemas só se resolvem no coração.Senti-me desonrada...este é o trabalho que tenho feito.No fundo tudo o que fiz até agora foi fugir,e ainda não acabei.Esperei pelo fim da aula e regressei a casa,no caminho reconheci por instantes pessoas de quem eu gosto num pequeno café,parei e fiquei assim durante um minuto.
Começei a correr pela rua deserta,até ficar sem fôlego,até chegar a casa.
Não queria que ninguém me visse,sentei-me na minha cama de luzes apagadas a tremer completamente.Na vergonha de um coração descompassado.
Busquei um copo de água,bebi-o,e fiquei.Senti o sangue a arder friamente enquanto me lembrava das caras de todas as pessoas que amo,não consegui chorar,ergui o copo e atirei-o ao chão com um estrondo.
O copo não se partiu,e foi como se toda a minha humilhação ficasse assim lugubremente retratada.Quando me levantei senti-me sem forças,e as pernas tremeram-me,por momentos pensei que podia cair redonda no chão,podia ter acontecido,a minha alma foi-me sugada.Senti-me uma concha de mim própria.Ainda me sinto assim,mesmo enquanto escrevo isto,as mãos tremem-me.

No fundo é por isto que não consigo aceitar o amor,no fundo sou uma cobarde.Tenho terror de me apaixonar.Não quero que me amem,não o mereço.
Não sinto o amor de quem me ama,sou desumana.
Só me resta fugir...e é isso que faço.
No fundo não sou uma pessoa boa,tenho boas intenções mas não é o mesmo.De boas intenções está o Inferno cheio,as acções são o que conta.Eu não sou ninguém.
É isto que eu não quero que as pessoas saibam,mas é bom que o conheçam,assim pelo menos não desiludo nem surpreendo ninguém.Que isto possa servir de aviso a almas verdadeiramente boas,amo-vos mas não os mereço.
Atrás de uma boa educação e de simpatias nem sempre está um coração de ouro...se o meu me doi assim há anos é porque no fundo deve ser feito de chumbo.

Tudo o que posso fazer é tentar melhorar,mas parece-me um trabalho inutil.Será que podemos mudar qualquer coisa tão profunda como a alma?Não acredito...
Estou desapontada comigo própria,senti que andei a mentir-me e ao mundo inteiro.Agora já sabem porque os magoei e os abandonei...

Podem ser melhores que eu,se me perdoarem,não sei se alguma vez conseguirei fazer isso,perdoar é para os fortes.Agora vou continuar a fugir,e não existe ninguém para me agarrar,no mundo real não existem redes...não existem desculpas.

Aware
publicado por aware às 22:37
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Ahhh...o Amor!

NY0014-72dpi.jpeg

Que loucura a dos humanos.
É este o valor dos livros...apetece-me cantar!E rir...e amar.

Queria que fosse dia para que pudesse procurar uma praça ou um jardim onde pudesse ler em voz alta,em cima de um banco como os loucos!
Mais uma vez encontrei por acaso um livro que me tira e me devolve ao meu próprio corpo,que me leva às nuvens,que me faz sorrir abertamente para as suas páginas.Como uma rapariguinha apaixonada.
Lembra-me o amor e faz-me sentir bonita por dentro e por fora...faz-me sentir nova.

Nunca em tão poucas horas me revi tantas vezes,como ser humano,como mulher em todos os seus nuances.Lembrou-me o quadro de Klimt as 'três idades da mulher'...senti-as todas mas não só.
Nesta voz que está nas letras e nas páginas está a minha voz...mas lentamente a minha voz desvanece e é substituida pelas vozes de muitas outras pessoas,a própria humanidade fala pelo meu pensamento.Oiço a voz de mulheres mas também de homens,uma rapariga de 18 anos,uma quarentona,um miudo de 16,uma mulher jovem de 24,um homem de trinta e poucos anos,um homem de setentas e muitos.
Um a um tomam a voz e se revezam para ler as palavras que estão à minha frente,eu já não leio,o livro é-me lido,e eu fico na inquietação calma da emoção do que testemunho.

E queria gritar aos céus...isto é a Humanidade!!!

A explicação de todas as sensações,estranhas e desconhecidas,apetecia-me comprar milhões de cópias deste livro e dá-las todas a quem me aparecesse pela frente.O mundo precisa de Stendhal!!!Suspiro...um homem!Tudo isto pela mão de um homem que juntando simples apontamentos soltos feitos nas suas viagens concebeu (em 1800!) um livro sobre a análise do que chamamos o tema mais alto.Até hoje tudo o que encontrei,no desespero de querer respostas,empalidece a esta luz.
Esta luz incandescente...
O estudo da alma humana pelo que de mais humano existe:O Amor.
Vejo milhões de jovens como eu,mais novos que eu!Procurando respostas para o impronunciável na melancolia de poetas e músicos...Jovens?Até adultos e velhos não chegam a uma visão tão clara,ou pelo menos tão óbvia do que todos andamos aqui a fazer.
O que encontramos nas nossas vidas e nas vidas de quem conhecemos,a torto e a direito...o que compõe as histórias pessoais:as guerras as vitórias as tragédias e as comédias de todas as nossas vidas.

Delicioso!!!!

Uma polaroid do espírito humano.Uma impressão instantanea feita por uma alma sensivel e inteligente,muito inteligente!Faz me rir,um homem que sabe o que as mulheres pensam...que nos vê tal e qual somos.Num check mate instantaneo!
E ver o mundo através dos olhos de homens de todas as idades e feitios é um outro mundo,onde os 'oohs' e 'uuuhs' se sucedem divertidamente.
Uma descrição directa e honesta sobre os componentes do amor e como se mistura o coctail...e não só.Também as fases e as nuances,o timing perfeito e imperfeito.

E só estou a meio do livro,decidi guardar o resto para amanhã,como um chocolate.
Quantas raparigas e rapazes da minha idade leriam este livro e teriam a mesma reacção que eu?Quantos casais se criariam de um momento para o outro...e quantos não se salvariam se todos nós tivessemos à partida este tipo de conhecimento e introspecção.Sobre o que é o amor e o que são os humanos quando ele acontece...
Se tivessemos alguém assim tão candido e honesto para nos ensinar será que aprenderiamos?Suposições...

''Do Amor'' publicado pela primeira vez em 1822 e agora outra vez,pela Pregaminho.Por Stendhal...quem me dera poder dizer-lhe o quanto o aprecio!
Se o citásse acho que acabaria por escrever o livro todo!Mas quero deixar-vos com alguma coisa de tangível,depois de toda a minha euforia que me parece disparatada e mediocre.Ele fala do amor como eu nunca o esperei ver descrito,como os poetas.Quando fala da beleza,da imaginação,da ternura,das humilhações...ultrapassa todas as minhas espectativas.Na aba interior do livro,numa pequena dicrição deste autor aparece''Há quem afirme que o amor é um sentimento moderno inventado por Stendhal''...e sorrio completamente.Deixo-vos com a contra capa:

A cada momento encontramos, saídas da pluma de Stendhal, frases com este tom:

''Acabo de constatar, esta noite, que a música, quando é perfeita, coloca o coração exactamente na mesma situação em que ele se encontra quando desfruta da presença daquele a quem ama''.

Engloba constantemente no mesmo plano "a emoção sugerida por um quadro de Prudhon, uma frase de Mozart, ou enfim um certo olhar singular de uma mulher em quem pensamos muitas vezes".

Leiam-no. :)

Aware

publicado por aware às 02:19
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