Sexta-feira, 31 de Março de 2006

Do you believe...in me?



Acreditas em mim?

Mesmo depois de tudo o que aconteceu...ainda consegues ver-me?
Consegues não ter medo de mim?

Consigo...acredito.

Sei quem tu és,sei como funcionas,sei quem foste melhor que tu própria.Eu ao contrário de ti não me esqueço.

Só não percebo porque insistes em confrontar-te constantemente contigo própria e com o vazio.Até às lágrimas ou pior...como um guerreiro.Fazes isto todos os segundos de todos os minutos de todas horas de todos os dias que alguma vez viveste e no entanto não resistes...não resistes ao mais importante.

Foges ao que há de mais sagrado...ao propósito mais alto.

Lutas sem ânimo porque no fundo sabes que quem segura a chave para essa porta não és tu. Sabes disso enquanto vês o teu próprio sangue escorrer dela...e desesperas.

A vida não é o que nos contaram é verdade...eu sei. É muito mais...
O horizonte acaba sempre por ser uma linha imaginária que se afasta quando nos aproximamos...como a imagem de qualquer pessoa,como a tua própria sanidade.

Qual é a resposta?

O Mundo inteiro é a resposta...todos os outros são a resposta...tudo o que não sejas tu é a resposta.Tudo isso impossível de suportar! Tu que suportas o insuportável não aguentas nem a sombra desse pensamento.

És fraca...mas eu acredito em ti.

'Porque mais ninguém acredita...'

Não... eu sei que eles existem para acreditar em ti.Como tu existes para acreditar neles.Vocês são Amor não vês?

the greatest thing...remember?...is just to love  and be loved in return

Fico feliz por termos sobrevivido.

...eu também.


Aware
publicado por aware às 00:21
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Segunda-feira, 27 de Março de 2006

I believe...in you.



Existe.

Eu sei que existe....eu acredito.

Hoje viste alguém feito de giz a quem só faltavam as lágrimas.Não era a criatura mais bonita que alguma vez viste?Disseste que estava triste...estava.Eu também vi.
Passei por ela momentos depois e não a segurei.

Ninguém consegue, é mesmo assim.

Tudo vai ficar bem,tudo vai ficar bem...sento-me e bebo chá, leio a carta que chegou. É tão pouco e mesmo assim é tanto...e tudo isso acaba sempre por não ser nada. Não é estranho?

Os dedos martelam o piano,automaticamente e a alma sai.

Inexplicávelmente.

A dor, traz sempre tesouros,pena que seja uma viagem difícil.O preço é alto,como de tudo o que vale a pena ter. Acreditas nisso?
É estranho que o que vale mais não tenha preço e que ainda assim nos custe...tão caro.Demasiado caro às vezes...
O gato adormecia dentro do chá devagarinho.Alaranjado ronronando em ferrugens,beijou-me em sonhos.
Suspiro e penso em todas as mentiras que ainda tenho de fazer acontecer.O tempo está a mudar e cada vez menos compreendo o significado das coisas,só lhes vejo a alma por momentos insignificantes.

Talvez amanhã te encontre...não sei.Tenho os bolsos cheios de coisas e queimam-me. Aquilo que me deste pu-lo no bolso que fica por cima do coração, é o que mais me queima. Nem um pedaço tua tua alma mereci...nem uma letra da tua caligrafia. O que tenho de ti roubei-o,esse pedaço de papel foi a única excepção.E as letras nem eram tuas...

Já nada tem significado...apenas emoções.

Tinha saudades de sorrir por dentro,surpreendeu-me ainda ser capaz,já me esquecia deste sabor.Esquecia-me do sabor da minha própria alma,quando ele me esteve a brincar entre os lábios este tempo todo.

Precisava de alguem que me segurasse.

Que me segurasse este sorriso.Esta certeza de que existe...eu sei que existe.

Eu acredito.

Oh!,este animal que não existe.

Eles não o sabiam, mas de qualquer modo agradava-lhes
o seu porte, o seu traço, o seu pescoço,
até a luz do seu silencioso olhar.

Certamente não existia. Mas, como eles o amavam,
chegou a ser um animal puro. Eles sempre lhe deram espaço.
E no espaço claro e livre
erguendo suavemente a sua cabeça apenas precisava ser.

Não o alimentaram com grão, só sempre com a possibilidade de ser.
E essa possibilidade infundiu tais forças no animal,

que lhe nasceu na fronte um corno. Um corno.
Aproximou-se de uma donzela todo branco....
e esteve então no argênteo espelho e na criança.

Reiner Maria Rilke in Sonette an Orpheus
 

Aware
publicado por aware às 22:09
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Invisible...sufering



Adoro quando estou a ouvir rádio e reparo que só estão a dar musicas boas.Sinto que tenho sorte quando isso acontece...faz-me sentir especial.

Reparar num pequeno pormenor,olhar pela janela...quando ninguém quer ser feliz.

Tudo o que aconteceu destruiu lentamente partes de mim.Como se a vontade férrea tivesse sido corrompida pela ferrugem...só agora caem pedaços grandes.
Fazem circulos...não consigo respirar.

Amo-te.

Nada faz sentido mas continua a existir mesmo assim...como eu.Ninguém sabe e a tortura continua.Não consigo parar.

Não consigo parar.



Aware
publicado por aware às 02:29
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Sábado, 25 de Março de 2006

Alguém que não eu...



Enfim, enfim quebrara-se realmente o meu invólucro, e sem limite eu era. Por não ser, era. Até ao fim daquilo que eu não era, eu era. O que não sou eu, eu sou. Tudo estará em mim, se eu não for; pois 'eu' é apenas um dos espasmos instantâneos do mundo.
Minha vida não tem sentido apenas humano, é muito maior - é tão maior que, em relação ao humano, não tem sentido. Da organização geral que era maior que eu, eu só havia até então percebido os fragmentos. Mas agora, eu era muito menos que humana - e só realizaria o meu destino especificamente humano se me entregasse, como estava me entregando, ao que já não era eu, ao que já é inumano.
E entregando-me com a confiança de pertencer ao desconhecido. Pois só posso rezar ao que não conheço. E só posso amar à evidência desconhecida das coisas, e só me posso agregar ao que desconheço. Só esta é que é uma entrega real.

Clarice Lispector, in 'A Paixão Segundo G.H'


Descobri hoje que estou a matar os meus pais de desgosto...e isso deixou-me meio desorientada.Quase me envergonho de me sentir um pouco melhor...ou de acreditar no futuro.

Quando o meu avô morreu pensei que nunca lhe poderia mostrar a pessoa incrível em que planeava trasformar-me.Costumava fazer-me feliz a ideia de que iria ser o orgulho de alguém...importante.

Não sou a felicidade de ninguém...e todos se resignam,todos desistem...menos eu.


Aware

publicado por aware às 22:04
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Sexta-feira, 24 de Março de 2006

Silêncios partidos...



Estou assustada.

Hoje não pode ser como ontem...o que foi ontem?

Fiz um erro e começou uma discussão e de repende deixei de estar em controlo.Gritei qualquer coisa que não percebi e atirei o vaso ao chão...partiu-se e espalhou a terra negra pelo quarto.Porquê o meu espanto?Eu avisei que isto ia acontecer...ninguém acreditou,nem eu.

Fiquei sozinha.

Fugi para a varanda e agachei-me a chorar e chorei.

Chorei tanto e tão alto que deixei de saber quem era...agarrei-me às paredes e gritei...em convulsões de dor.Vómitos de angústia e loucura...
Gritei como nunca tinha gritado antes,gritei como se fosse morrer.Como se fosse morrer de raiva por ser incompreendida,de vergonha por ser incompreensível,de arrependimento por ser irreparável.

De solidão...e de terror.

Voltei ao quarto e agarrei a terra e os vidros com as mãos,chorando,sons de desespero que nunca ouvi a ninguém.Sem saber o que fazer começei a limpar agarrando tudo com demasiada força na esperança de me cortar mas nem isso me deram.Um por um recusaram-se...continuo sem saber porquê.

Niguém me viu gritar...ouviram alguém a morrer mas não fizeram nada.

Saí de casa e começei a andar,passei pelos sítios que me poderiam salvar e deixei-os no sossego que não consigo ter.Tirei os sapatos e andei descalça pelas ruas de alcatrão molhado,cortando os pés nas pedras afiadas.Perdida na multidão e depois,nos espaços desertos e escuros.

Queria ver o mar...e vi-o.

Não consegui dormir esta noite e quando fiquei sozinha outra vez,chorei porque já não sentia o meu coração.O meu corpo doía-me como se tivesse sido espancada.Uivei para dentro da almofada,para dentro de mim própria e aí ninguém me ouviu.

Espanta-me ter acordado hoje...

Tive de escrever isto,porque não o consigo dizer e porque senão o disser e não o escrever será como se nunca tivesse acontecido.Sobretudo porque não posso fingir que não aconteceu.Não posso...o silêncio é demais,o abandono é demais.

Nunca estive tão perto de perder tudo.

Ninguém o viu,ninguém ouviu...ninguém me chorou.

Agora tenho de me pôr a ferros outra vez e sorrir e fingir que não aconteceu...já não me pergunto porquê...pergunto para quem?


Aware
publicado por aware às 19:03
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Quinta-feira, 23 de Março de 2006

almost touching you...



Dentro da casa fechada fiquei e os vultos das ideias e memórias ganharam vida em alucinações e suores.

Por brincadeira ou desespero começo a falar...para me ouvir.
Sigo o som da minha própria voz como uma corda,espero que ela me conduza à segurança.
Agarro a corda com uma mão e estico a outra á frente de mim como minha intuição e de repente entre os meus dedos esticados sinto uma cara.Arrepio-me.

Pergunto-lhe quem é,mas não obtenho resposta.

O silêncio é tão grande que nem sequer consigo ouvir a minha própria respiração...procuro outra vez no mesmo sítio e encontro.
Frio...uma estátua...
Sento-me ao lado da pedra e começo a falar-lhe,como se nos conhecêssemos desde sempre.Digo-lhe tudo o que sempre lhe quiz dizer...e por momentos é quase como se nos tocássemos.

Sorrio no escuro e o meu coração aperta-se um pouco mais...

Não sei que direcção tomar,no escuro tudo muda,estou perdida na minha própria casa...no meu próprio corpo.É quando me calo..


Aware
publicado por aware às 01:58
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Segunda-feira, 20 de Março de 2006

Alma irreconhecível...



Hoje fiz aquilo que devia fazer....aquilo que tenho adiado para as perfeições do amanhã.Enquanto desabo por estes ultimos meses.

Tento equilibrar mais um par de cartas na torre que se arrepia às minhas mãos.

Ultimamente tenho tido um pensamento recorrente que não me têm deixado escrever.É um mal que se têm espalhado por tudo o que penso...
Já não consigo dizer o que me magoa e o que me habita.

Essa é a derradeira liberdade do mal.

Eu sei o que isto é...e não é o silêncio.Lembro-me de onde o aprendi e volto:

''O silêncio e o mutismo têm um significado muito diferente.O silêncio é um prelúdio de abertura à revelação,o mutismo é o fechar-se à revelação,seja por recusa de a receber ou de a transmitir,seja por punição de a ter misturado com a confusão dos gestos e das paixões.
O silêncio abre uma passagem, o mutismo impede-a.
Segundo as tradições,antes da criação havia o silêncio;e haverá de novo o silêncio no fim dos tempos.O silêncio envolve os grandes acontecimentos,o mutismo oculta-os;um dá às coisas grandeza e magestade;o outro despreza-as e degrada-as.
Um marca o progresso o outro, a regressão.
O silêncio,dizem as regras monásticas,é uma grande cerimónia.Deus chega à alma que faz reinar em si o silêncio,mas torna mudo aquele que se dissipa em tagarelice e não penetra naquele que se encerra e se bloqueia no mutismo.''

Sim...eu sei.Ainda me lembro,ainda o sinto...distinto.

E assisto ao que se passa com a minha alma como quem assiste no escuro da cumplicidade à sua ópera preferida.

Vejo a casa a ser fechada.As coisas a serem cobertas por panos que as protejam do sol e do pó...roubando-lhes a forma a utilidade e a beleza.As janelas fechadas e as portadas corridas.
Tudo o que resta no interior são formas brancas na penumbra abafada e chega a altura de fechar as portas.
Uma por uma as oiço fechar,em cada uma o trinco e o chocalhar de chaves e cadeados.Todas até à ultima...girando nos gonzos lentamente...

Hoje fiz aquilo que devia fazer,uma das coisas foi pôr um pé entre a porta e a soleira.O limiar...e a porta pára aí com um leve baque.

Fico na escuridão e é pela fresta vertical que olho para o mundo...uma fresta que projecta uma linha de luz dourada no interior,queimando o chão e as paredes nuas.
Queima-me também...mas não há nada que eu possa fazer.Não posso deixar que a porta se feche.A linha de luz... parece queimar o meu olho atravessando-o.

Presa naquele momento de dor que se sente nos segundos que o corpo precisa para se habituar à luz.Presa porque nunca deixo a escuridão.

Algemada aos segundos...entre a linha de luz e a linha de sombra.

Sem palavras,sem boca sequer,um olho consumido pela linha de fogo e outro pelo rio...sem fim. Já não sinto o meu corpo.

Já não sei quem sou...vivo porque ainda respiro...a minha alma abafada entre soluços e pó.Na penumbra...


Aware


publicado por aware às 23:16
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Sábado, 18 de Março de 2006

breakfast at...



Não há nada a dizer depois deste filme...entram-me nas veias os aparos metálicos que roubei da papelaria esta tarde.

Existe qualquer coisa profundamente partida...sem lágrimas.


Aware
publicado por aware às 00:46
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Quarta-feira, 15 de Março de 2006

Under the sky...remember?



Lembras-te dessa noite?

Tinhamos passado o dia inteiro a viajar,encontrá-mos um sitio para dormir nos montes.Ainda me lembro de como estava cansada,depois de dias debaixo do sol...entre ruelas e esplanadas,depois de todos os templos e igrejas.

Deitei-me na relva debaixo dos ramos de uma pequena àrvore e fiquei a olhar para o movimento parado das estrelas.
Descalça de todas as preocupações...
Vieste deitar-te ao meu lado e eu abri o teu braço na relva para minha almofada.Quiz ter uma desculpa para ficar mais perto de ti...
Acho que me senti verdadeiramente bem naquele momento em que descansámos os dois conversando sobre as estrelas.

Sinto falta de me sentir bem assim,dessa simplicidade.

Aware


publicado por aware às 21:26
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Can you look at her without thinking of me...?




Enquanto vinha para casa senti que tinha deixado mais uma vez a minha alma na soleira da tua porta...

Acelerei na noite albina...debaixo da lua,como um preso evadido que foge de um holofote.Faz-me pensar em filmes antigos a preto e branco.

Mas nada é preto e branco.

Sinto-me deformada pela estranheza que ficou entre nós,entre mim e o mundo...pergunto-me se ainda me vês,se alguma vez me viste.
Porque sei que me sentiste...
Tenho a mesma cara mas uma alma que muda como o céu.Quero estar perto...mas afasto-me cada vez mais.Já me esqueci do porquê.

O meu único sonho era que alguém me tentásse agarrar quando fujo,não sei porque nasceu ou quando,mas é uma das minha ilusões.
Quando olho para o mundo...lembro-me muitas vezes disso e quase sinto uma mão a fechar-se sobre o meu pulso enquanto caminho.

Em ruas vazias...

Aware

publicado por aware às 02:23
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