Domingo, 30 de Abril de 2006

Bob Dylan



Quero fugir ao meu corpo esta noite, abro as janelas e desespero.

Enquanto passava as mãos pela terra, vi as ervas ondularem na brisa...o cheiro tão doce. No céu vi um pequeno avião de brincar, era vermelho e branco.
Tirei os sapatos e corri pela estrada de terra,entrei no pomar afastando com os braços os ramos de laranjeira em flor. Segui o barulho e quando comecei a ouvir a voz acordei.

Acordei exactamente no mesmo sítio e as lágrimas correram invisíveis,como sempre.
Baixei a janela do carro e deixei o vento brincar com a minha cara...

Deitei-me e fiquei muito tempo assim...quieta a dormir de olhos abertos.

Tudo é tão perfeito e imperfeito que me assusta, assusta-me. É tudo tão real...

Fiquei no meio da rua, fechei os olhos ergui uma mão ao meu lado e outra à minha frente...comecei a dançar devagar no mesmo sítio.
As pessoas passavam mas eu não conseguia ouvir o que diziam, por isso continuei girando no vazio dentro de uma música sem nome nem som. Sempre na mesma cadência, embalando-me.

De repente senti  na ponta dos dedos uma outra mão...parei...e ela deslizou para dentro da minha. Um corpo encostou-se suavemente ao meu e preencheu o espaço entre a minha outra mão e a minha cintura. Por segundos pensei em abrir os olhos mas não consegui, fiquei apenas, quieta.

Lentamente começou a mexer-se e eu segui...encostei a cabeça no ombro invisível.

Dançámos em slow motion, como se o tempo não tivesse significado e tudo aquilo não fosse mais que a brisa sonolenta da tarde. Um infinito que acabou no momento seguinte...o movimento parou,ergui a cabeça e senti a mão fugir à minha. Senti-a na minha cara...

Quando abri os olhos a rua estava vazia. Baixei os braços...acordei.

As árvores balançaram, um gato branco passou a estrada e dois cavalos dormiam juntos no chão,encostados um ao outro na luz dourada da tarde. Esta é a minha terra...a nova estação, este cheiro tão doce de realidades irreais está a ensandecer-me. Não consigo dormir.
...

Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
I'm not sleepy and there is no place I'm going to.
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
In the jingle jangle morning I'll come followin' you.

Though I know that evenin's empire has returned into sand,
Vanished from my hand,
Left me blindly here to stand but still not sleeping.
My weariness amazes me, I'm branded on my feet,
I have no one to meet
And the ancient empty street's too dead for dreaming.

Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
I'm not sleepy and there is no place I'm going to.
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
In the jingle jangle morning I'll come followin' you.


...
Far from the twisted reach of crazy sorrow
                                   ...
Let me forget about today until tomorrow.

-------------------------------------------------------------
...i would have died for a kiss today.

Aware
publicado por aware às 22:46
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Looking at you looking at me.




Continuo a perguntar-me porque é que só sinto que fiz alguma coisa quando  a vejo nos olhos de outra pessoa.

O que é que significa ganhar um lugar no mundo por mérito ou fazer uma viagem?...nada.

Não significa nada,nem se quer o sinto. Independentemente do tamanho ou da importãncia...de que serve ir á lua sozinha se não há alguém à nossa espera na terra?

A verdade é que só senti que tinha viajado porque quando regressei uma única pessoa recebeu-me como se de facto tivesse estado longe...foi só nesse momento que entrevi o tamanho do que tinha conseguido fazer.
Nunca dei valor às coisas que fiz enquanto crescia...só à reacção das pessoas. Nunca o compreendi e por causa disso a minha vida deixou de ter significado.

O meu significado desapareceu.

Agora vejo muito melhor...o que foi,o que é. Mas a verdade é que isso permanece...a sensação de êxito permanece sempre tão longe como as pessoas da minha vida. Porquê?

Quando era pequena conheci uma pessoa, conheci a pessoa que queria ser no futuro. Absolutamente única e perfeita...ficou comigo durante um tempo mas foi-se afastando aos poucos até que quando olhei ela já lá não estava.Agora consigo vê-la...voltou.
Depois de tanto tempo regressou, ainda mais fantástica e exótica do que quando a conheci. Ainda mais difícil e inacessível...como uma montanha.

E por incrível que pareça, sei que estou mais próxima...vê-la maior e mais nítida que nunca faz-me ter a certeza de que estou mais perto...de que caminhei,mesmo de olhos fechados para ela.

Parece-me que só agora começa a grande tarefa, mais ainda, parece que a viagem não pode começar sem os outros. Aliás...continuará através deles.

Nada nunca me fez tão desconfortável.

Nem sequer o consigo descrever. Chamo-lhe a minha verdadeira doença...não é vergonha, não é repudio, não é ...falta-me o nome! O nome desta solidão, esta dor.
Não reconheço no passado o momento exacto em que entrou na minha vida mas tento procurar e explicar. Antes nem o conseguia destinguir de mim mas agora consigo separá-lo tempo o suficiente para perceber que foi qualquer coisa herdada e assimilada hà muito tempo. Houve,claro, circunstãncias na minha própria vida que o potênciaram, transformaram-no em algo só meu...talvez me engane. É o que consegui até agora.

Parece-me não ser nada,aquilo que consegui...podia estar em qualquer lugar com quem quer que seja e no fim estou em lugar nenhum com absolutamente ninguém.

Quando a noite fica assim tão fresca e viva é difícil suportar isto. Mas acredito que as coisas mudarão....teem de mudar. Alguém disse algures que fazemos o que não nos é natural até que se tranforme na nossa natureza...acredito nisso.

Tudo mudará...tudo está a mudar...tudo mudou.

Estas saudades doem demais.


Aware
publicado por aware às 00:50
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Quinta-feira, 27 de Abril de 2006

O dia namora comigo agora que passou.



Escrevo-lhes do vapor que se descola da minha pele.

Do conforto quente e pesado de um dia raro. Um dia estranho e bom.

Escrevo-lhes  do nevoeiro...desta manhã. Um nevoeiro tão cerrado que quando abri a minha janela pensei que o mundo tinha desaparecido.
Enquanto descia para a rua apertei a roupa ao corpo. Esperei na soleira da porta,como sempre, pensei: hoje esta rua não acaba nem começa.
Esperei e comigo em cima de um telhado esperou um magro gato preto, amei-o por isso. Por tudo o que foi aquele nada, meio adormecido,meio enregelado, penitente, sagrado e moribundo.

Viajei no cinzento até ao reino do subconsciente,até ao sítio para lá dos olhos. Quando acordei o céu estava limpo. Azul irrepreensível, como o estalo de um lençol acabado de lavar...aqueles que agora me esperam em suavidades contidas.
Comi a comida que veio da terra,com sal e com gosto, depois de ter descoberto que estava faminta.

Fechei os olhos por momentos e quando os abri outra vez cheirava-me a verão e a espuma do mar picava-me no nariz. Deitei-me na areia a ler outros mundos, olhei muito tempo para uma vela branca ao longe entre dois tons de azul desfocados por um ultimo véu do misterioso nevoeiro.
Foi quando descobri que em cima do meu corpo,absolutamente enamorada, uma aranha do tamanho de uma moeda grande.
Sorri envergonhada, senti-me especial por causa desse amor tão fugaz e tão óbvio.
No meio da cidade procurei em todas as estações de rádio mas tudo o que tocava era música espanhola...que confusão. Salva por uma musica antiga, absolutamente perdida, como sempre.

Adormeci, sem me aperceber, em cima da minha felicidade intangível.

Caminhando depressa no sol de fim de tarde, vi cinco gatos na ruela atrás da minha casa...ainda cheirava o café acabado de fazer enquanto me vestia para trabalhar brincando,ou brincar trabalhando...já não sei. 
Sei que por entre as frestas verticais das janelas começou a entrar uma aragem absolutamente cor de rosa...e depois violeta...e depois azul escuro.
Igual em todos os detalhes à nódoa negra que tenho no cotovelo direito...tão presente como a dor leve do corpo cansado.

Agora na escuridão límpida da noite sento-me com voçês e oiço as cigarras...e muitos outros sons que conheço desde sempre mas que não sei de onde veem.

Escrevo-vos dormindo sobre este dia estranhíssimo...mas o que aqui ficou não foram os sonhos,foi a realidade. Quer acreditem quer não.

Hoje aconteceu qualquer coisa...ainda não sei  o que é.

Vou dormir. Preciso de sonhar...


Aware
publicado por aware às 22:52
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Domingo, 23 de Abril de 2006

No bravery...in your eyes anymore.


Lá fora no escuro o trovão troa...longe,como as ondas que se quebram onde eu não as vejo.

Nos momentos fugidios em que o céu se ilumina e me surpreende,lembro-me de momentos como esses e como são sempre tão efémeros,neste caminho escolhido por mim. Não consigo deixar de me sentir tão triste...que quase não consigo respirar,nesta guerra.

Fecho as mãos uma na outra e rezo.

As lágrimas correm e eu rezo mesmo sem palavras porque preciso de coragem, a que não sinto.Choro para me cegar,porque agora...consigo ver.

E é tão difícil....tão difícil.

É como nascer.

Ou morrer...Já não me lembrava deste peso no peito, já não o sentia há muito tempo.O peso da verdade,o peso da responsabilidade...a visão de futuros. Só isto consegue explicar a guerra e a leveza assustadora. Várias,talvez mesmo todas as chaves...ou apenas uma.
Mesmo antes de as ter já sabia o que significavam,não sei como,mas sabia. Impossível não sentir o seu poder. Um poder que sonhei durante muito tempo poder facilitar a minha vida,mas que me tem levado para longe, cada vez mais longe de qualquer paz.

"O simbolismo da chave está com toda a evidência,relacionado com o seu duplo papel de abertura e fechamento. É,ao mesmo tempo,um papel de iniciação e de discriminação. (...) A chave é o simbolo do mistério a penetrar, do enigma a resolver,da acção difícil de empreender, em suma, das etapas que conduzem à iluminação e â descoberta."

Um vislumbre de uma verdade abre caminho a essa verdade, que por sua vez amplia a nossa percepção e nos leva à verdade seguinte...e quanto mais real o nosso mundo se torna,mais as duras se tornam as simplicidades. Mais visível e difícil se torna o caminho.

Não se consegue fugir a uma verdade. Alguma coisa tem de ser feita.

Alguma coisa tem de ser feita, a verdade exige acção, ou com o passar do tempo pervertê-la-emos. Parte de nós morrerá a horrorosa morte viva...a verdade nunca morre,mas nós sim. A verdade continua mesmo depois de ter comido grandes pedaços da nossa alma. Há verdades que nos sobrevivem, muitas vezes apenas porque não as vemos ou porque escolhemos deliberadamente não as reconhecer. 'O pior cego é aquele que não quer ver'.
Agora, depois de tanto tempo, antigas verdades reaparecem. O tempo parece não lhes ter retirado nenhum pormenor e agora resplandecem nitidamente de toda a dor que geraram e continuam a gerar,ecoam nos vazios desabitados do Eu.

No meio de tudo isto penso nos momentos breves em que sinto o calor da nova vida,em que me permito sentir-me bem. Compreendo muito melhor o sofrimento agora,sinto o justo e necessário,agradeço-lhe continuando sem confiar na felicidade...receio demasiado a alienação. A diferença é que agora até no meu sofrimento existe calor,o calor indesmentível da alma. Quer dizer que mesmo nos momentos difíceis eu não deixo de existir. Agora o que se segue ao sofrimento não é o abismo, sou eu...a minha alma segura-me.

Seguro-me ainda porque não sei o que fazer com o que tenho em mãos.

Estas chaves,este poder...a visão. Não sei o que fazer,vejo o que tem de ser feito e acho-o uma tarefa grande demais.Ou melhor...sinto-me encolher em humildades.
Só consigo sentir o chamamento e o potencial destrutivo desta nova realidade.

Como se estivesse em frente do Leão,a própria encarnação do poder,da sabedoria e da justiça, só penso em ficar quieta ou mexer-me muito devagar. Sei que não posso parar.

Não posso parar.


Aware
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Sábado, 22 de Abril de 2006

Sem olhar



Fecho-me no meu quarto assim que o sol se pôe,assim que a luz dourada desaparece.

Visto o meu vestido de dormir de setim côr de rosa,apagado pelo uso. Tapo o espelho com um lenço e começo a procurar as folhas.
Só sei que quando reparo o meu quarto inteiro está coberto de folhas de papel e a tesoura trabalha na minha mão, sozinha. Nesta fracção de tempo em que começo até que paro sinto que não estou acordada,sinto só que trabalho. Sinto a fome.

Quando páro dou por mim a perguntar o que é que significa. O que é desta vez?

Preciso de preto, preciso de azul, de luas e de olhares. Está meio feito agora que parei,preciso de mais, preciso de acabar.
Sinto que no fundo estes pedaços de papel servem sempre para cobrir as feridas que não estão a sarar. Tornam-se premonições, são a máscara da cara dos meus problemas. Pequenas feridas que não estão a sarar...que estão a crescer onde eu não as consigo ver.

Olhos abertos e bocas fechadas...o que é que singifica?

Eu sei o que significa mas não quero pensar nisso,não quero falar disso. Piso as folhas no chão do meu quarto e por onde quer que ande os olhos estão lá, a tentar entrar em mim...chamam-lhe ilusão.
Porque gostam as pessoas de se iludir?
Depois do pôr do sol vem o azul...e depois o preto...e quando tento adormecer veem os olhos e depois os sonhos.

São as coisas que eu não consigo dizer a ninguém...as que não se escrevem.

Chamam aos meus quadros perturbadores.

Só o sinto no começo,assustam-me no começo,mas quando descubro que são só a minha pele deixam de ter significado para mim.
Afinal, sou só eu.
Não quero falar, porquê?...não sei ver a verdade do que foi ou do que ficou. Essa indecisão é o meu silêncio,suponho. Esse estranho 'sem-nome'...essa incógnita.

Quero dormir...quero esquecer.

Aware
publicado por aware às 00:14
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Sexta-feira, 21 de Abril de 2006

Cantar no chuveiro




Tenho estado ausente mas a minha cabeça tem sentido falta deste sítio.

Estou tão casada que mal consigo pensar,mas hoje queria escrever.Hoje foi um dia bom...muito bom.

Estou exausta mas feliz.

Fico com a sensação de que tudo correu bem hoje e que isso é muito importante.Como se não me pudesse esquecer...acho que é por isso que vim aqui.
Hoje passei pelo fogo frio e não me queimei ,passei para o novo degrau.
Hoje recebi de presente uma conversa longa e muito saborosa,apesar da sua casualidade...do seu sem querer.

Não quero olhar para trás e ver que os dias bons ficaram enterrados nos cansaços e nas tristezas.Espero peneirá-los aqui...ou pelo menos reter um pouco do que foram.Do que são e tentar perpetuá-los atravéz desta cortina de sono...amanhã,sempre amanhã.

Hoje foi um dia fora do comum.Foi um dia bom...


Aware
publicado por aware às 01:01
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Segunda-feira, 17 de Abril de 2006

A gaveta das sedas.



Raros são...dias de sol azul...perto da árvore,comendo nêsperas douradas,deixando o sumo escorrer até aos cotovelos,em sorrisos açucarados.

Depois disso na brancura de hoje visto o meu casaco côr de areia e vou para a praia, desaparecer...ver as nuvens passando como torres de lençóis lavados à espera de secar.
A espuma, o vento traz do mar metálico a espuma que respiro...essa essência dos sofrimentos que já não se ouvem. Sabe a sangue acabado de derramar,enche-me de passado. Tão ténue...tão vivo.

Este vento leva-me a vontade de escrever, fico no som, só naquele som, deixando voar todas as letras.

Agora esquadrinho a memória,procurando os pequenos pedaços que não se soltaram,que não fugiram ou desertaram e descubro-os a todos,como se não tivessem partido sequer...
Todos eles lado a lado,como os lenços da minha mãe,na pesada cómoda de cânfora. Tentanto disfarçar o cheiro a liberdade...e o movimento suave e irrequieto do vento.

Fecho as minhas gavetas escuras,guardando as cores e a luz na minha segurança. Sem saber porquê fico com sono, sinto os olhos a fechar.

As preocupações e medos esvaem-se no peso do meu próprio corpo que por sua vez também se dilui  na cumplicidade da cama.É agora que mais desejaria poder escrever, equanto durmo...se não o fizesse já.

Os olhos fecham-se...o corpo dorme e espera.


Aware
publicado por aware às 00:36
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Sexta-feira, 14 de Abril de 2006

Nobody knows it...but you've got a secret smile...



Abro todas as janelas nesta noite azul...e sento-me.Diante dela...

No meu colo sinto cair devagar a cabeça do meu gato que adormece. Depois de tantos anos olhei hoje para um espelho e reconheçi-me...fiquei tão feliz que me ri...fiquei tão grata.

Ao longe oiço os campos a serem regados e penso nesta leveza que sinto.

Nesta noite,como em muitas outras sinto a vontade de sair e percorrer as ruas desta cidade acordada.Desperta pela luz absoluta dela.
Estendo uma mão pálida à escuridão do meu quarto e imagino outra que a segura,que me ajuda a levantar,uma presença que me acompanha em noites assim. Nestes céus sem núvens penso em conversar levemente,perco-me nos sons da noite dia,não quero dormir.

Só ela me acompanha e isso faz-me querer viver.

Queria-te tanto esta noite...a ti que não existes. Voltei,estou aqui nesta noite fresca e leve,nesta noite acordada de luz. Sentindo a respiração entrecortada pela solidão...
Abandono-me ao cansaço suave,sei que não caminharei esta noite...mas ela não é em vão. Apartir de hoje nada mais será em vão, nem mesmo tu.

Pouso o gato com cuidado numa almofada e descalço-me,solto o cabelo e saio para a varanda.Quero estar com ela por momentos.
Estes momentos são tão perfeitos...naquele balanço entre o sonho e a realidade,num corpo semi adormecido. Em que ainda possuimos o luxo da realidade e temos já o conforto quente do sono.

O som da brisa, procuro nela palavras...mas estão tão longe. Preciso de mais do que os sons desta noite,mais do que o sabores e cheiros que conheço...preciso deles.Onde quer que estejam, preciso das suas palavras, dos seus significados.

Fico demorada nesta vontade insatisfeita,hipnotizando-me com o sabor desta noite.O gato dorme,a tranquilidade dele é a minha.

Amo-os...


Aware
publicado por aware às 00:25
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Quinta-feira, 13 de Abril de 2006

Habeas corpus...



De um momento para o outro...caio em mim.

Abro as janelas na noite fresca e deixo entrar o ar que perfuma a rua em horas interditas.

Molha a casa de luar e a minha pele reluz prateada.Num misto de emoções vívidas o meu espirito relembra gostos antigos.A serpente de alcatrão dorme lá em baixo...com alguns arrepios suaves na respiração...os sonhos,passando.

Sinto-me acordar...e regressar ao meu corpo,regressar à minha vida. Sinto que regressei...finalmente a casa.Em mim.
De um momento para o outro a morte do sol e os gritos das andorinhas fazem sentido, a paz da minha cidade volta a ser a minha paz.

Agora reconheço todas as cores,todos os cheiros...todos os movimentos e sabores.

Eu lembro-me,eu compreendo...eu pertenço.

Fecho os olhos e inclino-me  na direcção da brisa, agarro a felicidade com os dedos frios. Esperei por isto tanto tempo e sinto defenitivamente que esta noite é só o principio da chegada da minha alma...finalmente,finalmente o regresso começou.

Não se consegue descrever esta doçura...sentada na frente da janela aberta com o sabor das estações que mudam entre os lábios. Quem me dera poder prendê-las ali...
Aquele momento, em que muda o cheiro do ar e em que percebemos o principio da nova estação,em que sentimos morrer as saudades de antigas memórias e cheiros conhecidos,o principio inequivoco de algo novo.

O meu corpo é-me devolvido.

Com tanto trabalho e sofrimento finalmente me consegui resgatar...de um momento para o outro...senti. Senti-me,senti o mundo,as emoções,as antigas e saborosas emoções empoeiradas mas muito puras...como no prinicpio.
A noite é clara...tão clara que as nuvens se iluminam e na rua as sombras projectadas lambem a terra e abocanham-na em beijos... tão apaixonados como discretos.Em ruas e pátios escondidos,onde penduradas as roupas ondulam em azuis e frescuras.
Ao fundo da minha rua duas leoas agachadas no passeio bebem o alcatrão e as minhas memórias voltam...voltam como amigos perdidos.

Estou a voltar e sinto na minha boca seca de pó e pesadelos os primeiros golos da minha alma liquida. Tenho fome também...de figos acabados de cortar.Tudo se irá compôr,acredito nisso,independentemente do passado e todos os seus tons de horror.

Sublime noite...como um lenço de seda...tão raro como suave.


Aware
publicado por aware às 01:12
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Terça-feira, 11 de Abril de 2006

The Art of Peace



Tree


"All things, material and spiritual, originate from one source and are related as if they were one family. The past, present, and future are all contained in the life force. The universe emerged and developed from one source, and we evolved through the optimal process of unification and harmonization." O-Sensei

Devagar acordo para as perfeições do mundo,mais um dia...e faz sol. As andorinhas gritam lá fora.

Ele disse ''olha no tablier...é para ti''...olhei para o embrulho e sorri. Esta tarde vou ler mais um pouco da chave que me abre.
Chegam-me pedaços dela assim,inesperadamente. Numa surpresa...todos os dias.

Faltam-me os simbolos,ultimamente teem estado ausentes dos meus sonhos,os meus amigos ajudam-me.Todos os dias me ajudam...sem eu perceber como.

Sem eu perceber como, continuo a andar.

Sem perceber como...amo.


Aware
publicado por aware às 13:04
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