Segunda-feira, 29 de Maio de 2006

''bring back that loving feeling...''



É tão fácil perder-me na curva de um pescoço...

Agarrar uma estrada ao por do sol e ver a terra arrefecer em tons sobrenaturais. Esquecer todas as banalidades e dejá-vus...esquecer o imperdoável e aquilo que o devia substituir.

Ser absolutamente absorvido pela música que sai do rádio pelas janelas abertas de um carro em movimento...e sentir cada momento irrepetível, feito à medida do meu corpo.
Rir da idiotice do mundo e esquecer de como é fácil agradar a uma mulher. Respirar ar livre de meios termos e frases quebradiças. Numa tarde calma...

Sorrir...ver o mundo e invejar um beijo inventado.

Roubar flores de uma estrada deserta e entrançá-las no cabelo. Sonhar acordada num quanquer banco de jardim.
Permitir a mediocridade, tolerar todos os pensamentos proibidos por lei e usurpar o tempo intangível. Tudo regressará...eu ainda sou eu.

Tenho tanto direito de ter medo como qualquer um.

Todas as regras podem ser suspensas,quebradas, esquecidas ou apagadas. Podem estar erradas...
Dançar através do cansaço de um dia infeliz...sentir o corpo quebrado abraçado por braços que não existem. Os sonhos hão de voltar a ficar debaixo dos meus dedos, esperarei por eles através de textos enjoativos e repetitivos. Não desisto de os amar, mesmo sem os ver.

Alimentar ambições como quem dá nacos de carne a lobos esfomeados.

Sonhar com viagens e destinos colocando o mundo, por segundos, na palma da mão. Acreditando que o futuro já está decidido por terceiros e que será maravilhoso por defeito.Não me interessa, estou demasiado farta de sofrer para parar agora.

Deitar-me a horas obscenas por querer, acima de tudo, ouvir música.

Saborear tudo aquilo que não consigo fazer e amar em segredo todas as ausências.


Aware
publicado por aware às 02:00
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Sábado, 27 de Maio de 2006

the unfeeling kiss



É tão difícil as vezes...ouvir música e não chorar.

Sentir o mundo tão grande e ficar paralisado à frente dele, como um animal à frente dos faróis de um carro...sem poder absolutamente nenhum.

É difícil relembrar coisas de que nos preferíamos esquecer. Em sociedade é difícil rever coisas que nos esforçámos por esquecer...certos padrões de comportamento. É decepcionante...

Condiciona o espírito, gasta a alma e sobretudo faz com que me trasforme numa pessoa irascível. Gera o ódio...impressionante sentir como o meu corpo o bebe, tão sofregamente.
Quase me esquecia de como é tão simples...a guerra.
Por vezes o que vemos e ouvimos parece ser uma piada de mau gosto, tão ofensiva que ressoa através da história da humanidade em todos os momentos tristemente embaraçosos, mas tão banais.

Difícil admitir que tenho saudades do meu gato que morreu.

Sentir que não houve suficientes ocasiões para celebrar na vida...ou que se as houve não foram celebradas. Salões vazios...
Lembra-me um dos muitos dogmas em relação á vida, um que diz que se fizermos os gestos eles por si significarão qualquer coisa.
A verdade é que com o tempo todos os gestos se esvaziam de significado se não lhes prestarmos a importância que têm. A intenção desaparece muito mais depressa do que se supõe...a alma começa a caminhar ao nosso lado e estranhamente o nosso corpo continua a mover-se, a criar momentos que a alma vê mas não sente. Que guarda e relembra sem a sensação de os reviver mas como alguém que olha para um quadro pintado...que evoca mas que faz sofrer pela sua distância tão intransponível.

É difícil sentir que se morre todos os dias por não prestar suficiente atenção a quem somos. Por não conseguir ver a realidade pelo que ela é...nem sentir a inspiração pelo que poderia ser. Não conseguir sonhar.

Sentir que não existe realmente uma pessoa que nos possa ver e curar. Sabendo muito e sentindo que mesmo isso não é é o suficiente para ser bom.
Querer desistir e saber que não existe quem no proíba.
Ter pena de nós próprios e dizer obscenidades entre dentes por não o conseguir evitar ainda com a vívida memória, de querer ser lembrada, dentro de um punho cerrado.

Não era uma espiral...era um círculo.

Está tudo a recomeçar.

Olho para o céu e não consigo ver as estrelas,tudo o que resta é a escuridão...tento gritar por socorro mas só me saem lágrimas. Não se ouvem, nem se vêem.

Não lhes resisto, não me desculpo.



Aware

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Quinta-feira, 25 de Maio de 2006

De olhos fechados.



Lava o meu corpo, perfuma-o com óleos.

Deita-o na cama, arranja o cabelo de roda da minha cara...abre uma janela.

Deixa-me dormir agora, deixa-me parar agora. Quero fugir agora.

Fui feita com demasiado ar...a vida passa atravéz de mim. Sou feita para outros mundos.

Desfaço-me para viver e isso parece não ter grande importãncia.

Já não quero mais nada.

O corpo morre para salvar a alma que não quer ser alterada pelo mundo.

Sonhos morrem sem letras...o sono fecha todas as portas.



Aware
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Terça-feira, 23 de Maio de 2006

Tempo de árvores em flor



De manhã cedo passo pelas ruas e dobrando uma esquina olho para o céu através de uma jacarandá em flor...vejo a lua.

As ruas da minha cidade cheiram a roupa que seca no rigor da manhã.

Os carros passam e as máquinas de café gritam, as portas abertas dos cafés levam à rua o cheiro de bolos acabados de fazer. O mundo tenta acordar o meu corpo que ainda me sabe a cinzento e que ainda leva o calor da cama. Apresso-me e sinto os músculos das pernas a doer e a esticar ao ritmo do ponteiro dos segundos no enorme relógio da torre da igreja. As cegonhas tiram a seriedade ao tempo...imóveis na brisa que passa pelos telhados.

Sonho com um músico excêntrico que tocasse piano a estas horas...mas essa música não se ouve,as janelas abertas só trazem silêncio dos lençóis ainda quentes.

O calor sonolento de uma tarde passada entre as árvores do parque. Apanho penas do chão de todas as cores e feitios e prendo-as à minha roupa. Como fazia o pássaro preto da fábula para enganar o rei.
Sento-me nos bancos e deixo que as pombas subam para os meus joelhos, pousam-me nas mãos e nos braços...
No sussurrar daquelas asas faço o luto aos sonhos mortos. O murmúrio dos corações pequenos e quentes como o meu...tremem para se equilibrarem.
Tento capturar o futuro com definições, mapas e coordenadas...tento não me sentir gasta pela realidade. O verdadeiro trabalho desaparece por caminhos desconhecidos e invisíveis enterrado no dinheiro que anuncia a sua chegada. Promessa vã...

O espírito estala e as pombas assustam-se, levantam...fecho os olhos dentro do som de asas.

No caminho para casa passo por cima de tapetes de flores roxas,no conforto das sombras vivas. A minha tenta fugir-me sem conseguir...

Tento em vão esconder-me do sol.

A noite traz o sono, e o sono tudo absolve. Tudo perdoa...

Amanhã tenho de ser mais forte.


Aware

publicado por aware às 23:06
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Sábado, 20 de Maio de 2006

..."Knights in White Satin"



Encontrei esta imagem e guardei-a...segura de que guardava um pedaço de ti. Olho para o farol enquanto o sol se põe digo adeus...o ar empregnado está da noite que ainda não se vê.

Depois de a ter guardado durante tanto tempo finalmente preciso de a libertar. Nunca foi minha.

'' Sacrifício:  Acção de tornar sagrado alguma coisa ou alguém, isto é, separado de quem oferece, quer seja um bem próprio quer a sua própria vida; separado, igualmente,de todo o mundo profano; separado de si e de Deus,como demonstração de dependência, de obediência, de arrependimento ou amor. O bem que é assim oferecido a Deus torna-se inalienável--é por isso que é muitas vezes queimado ou destruído--ou intocável, passando a ser propriedade de Deus e, a esse título, fascinante e temível.
O sacrifício nunca é uma mutilação da natureza, pois há unidade entre o corpo e a alma, um e outro conjugam-se e ajudam-se mutuamente no seu lugar respectivo. Esta união é tão intensa e íntima que a alma segundo o pensamento hebraico, tem um suporte material no sangue(...) Entre os Gregos, o sacrifício era um símbolo de expiação, de purificação, de apaziguamento(...)Depois da imolação... (...)No entanto, estas representações simbólicas da vitória participam de um poder mágico:têm de permitir que se realize aquilo que representam.A realidade mão é mais do que um pensamento manifestado;uma palavra interior que se exterioriza.Por isso o sacrifício celebra em primeiro lugar, uma vitória interior.''in Dicionário dos Símbolos

Sim...finalmente.

Na vida se estamos presos a uma alma que quer ser boa não podemos fazer aquilo que é fácil, estamos confinados ao que é certo e justo.

Depois de tanto tempo de incompreensão,consigo ver como me escondia e evitava esta separação.
Só agora percebi o que tem de ser feito.
Vivi durante muito tempo acompanhada pela tua presença invisível,pensando como se me ouvisses,escrevendo para me leres,sem perceber esse castigo a que me submetia,confundida com ignorância remorsos e saudades.
Recusando o significado do silêncio e tornando-o invisível...insensível. Só agora o consegui aceitar e nele entrever por segundos apenas a possibilidade da dor.
Uma dor soterrada pela falta de palavras...
Aquela que criei...uma porta entreaberta que me deixou ver a que já lá estava muito antes de mim, muito maior que eu ou tu.

A que vi assim que te conheci...reconheci nela a minha, a nossa, a do mundo.Como te adorei por isso...

Sei que generalizar comporta os seus riscos, especialmente se sabemos pouco do que falamos, sei que nunca pertenci...mas também sei que isto está a mudar e que uma opinião tem de ser alterada ao longo do tempo para se aproximar cada vez mais da realidade...
Lembro-me de críticas que vi nos jornais, de me rir quando ouvia dizer que o nosso país era  povoado de tolos sentimentais e fatalistas, que mais facilmente caíam no saudosismo e na crítica do que se preparavam para aceitar a realidade...quanto mais fazerem um esforço consciente para a mudarem. Sempre aceitei isso como uma realidade, neste país que nunca foi o meu até eu me aperceber que nasci aqui...
Até o ver mais claramente do que nunca em ti.
Deste-me qualquer coisa real que apenas tinha encontrado em livros antigos de poetas mortos, o que me confundiu e irritou,que me obrigou a questionar a razão deste ressentimento.
Tudo isso me fez compreender que não podemos censurar nem o povo nem os poetas por serem um espelho do mundo...são como crianças desorientadas pela loucura da fome.
Sabemos que uma alma demasiado sensibilizada pela privação se torna por vezes demasiado sensível e até romântica perdendo-se facilmente na amargura dos sonhos irreais e frustrados.

Podia continuar, mas esse não é o meu objectivo...quis apenas mostrar-te como a tua vida impressionou a minha.Sem me aperceber dei-te autorização para me mudares.
Recordaste-me de que ainda tenho a capacidade para ser alterada pelo mundo,a capacidade para aceitar o amor.
Amor...como tenho usado mal essa palavra. Através do estudo e da sua comparação com a vida tenho vindo a ganhar um respeito ainda maior pelo amor. Cada vez mais lhe descubro a sua verdadeira natureza, aceito cada vez melhor os seus paradigmas e a sua honra.

É ele que me leva ao meu objectivo...a altura de me despedir de ti.

Quero dar-te a solidão que quiseste para o teu silêncio,quero respeitar as tuas escolhas e perdoar-me por me ter deixado arrebatar pelas minhas.
Sacrifico aquilo que mais me custa sacrificar...a imagem que tenho de ti.

O sonho e a realidade...tudo.

Só agora compreendo...estou a despedir-me de duas pessoas.

"Tive falta de espírito, faltou-me a coragem; mas só se tem coragem com quem se ama amando-o menos."  Stendhal  in Do Amor

...Depois da imolação, o sacrificador deve sempre ter o cuidado de se retirar sem olhar para trás. Sim...eu sei.


Aware
publicado por aware às 15:44
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Domingo, 14 de Maio de 2006

''Sade dis moi...''



E de repende há ar dentro do meu peito...e a musica soa a fé na noite calma. Meu deus a musica...

A lua mingua calmamente e eu sonho. De repente não me arrependo.

Sinto-me nova....sinto a energia e não consigo dormir.

Passam-me pela cabeça todos os momentos embaraçosos ...e estranhamente não os sinto como antes. Vejo-os perfeitamente pelo que são,compreendo-os pelo que foram.

Perdoo-me e percebo mais do que nunca o tamanho da minha censura.

Apetece-me rir e gritar humanidades. Como me fazem falta as pessoas em momentos assim! Que noite suave...
Sinto escaparem-me por entre os dedos suaves definições do que tenho vivido nos ultimos dias.Tão elusivos são os momentos em que me permito sentir prazer, por estar viva.Os meus pensamentos teem sido tão bons...mesmo por entre a infelicidade.Mesmo na solidão,mesmo na multidão.

O mundo parece real...e todas as irrealidades empalidecem.

Lembro-me de quem sou, de quem fui  e vejo quem serei...dentro do coração desta música antiga, a do mundo.

A minha.

Danço, dentro da minha própria alma, dentro do meu corpo o som brinca e cresce absoluto.

Dou por mim a dançar...Respiro!

Caio na cama... e nos momentos que antecedem o sono penso em braços que me segurem em mim. É o meu ultimo pensamento.

O resto é sonho.


Aware
publicado por aware às 22:09
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Paradigmas do sucesso



Eu sou muito bonita...mas não o suficiente.

Sou muito inteligente...mas não sou sã o suficiente.

Nova demais...velha demais,esperta demais,burra demais.Sozinha demais.

Demasiado fácil de deixar.

Muito simples...muito complicada.Excessivamente diferente e sempre igual.

Sou muito independente, absolutamente viciada. Demasiado indiferente.

Absolutamente inesquecível...desaparecida no momento seguinte.

...nunca o suficiente,nunca.


"I don't care if it hurts,
I wanna have control
I want a perfect body
I want a perfect soul

I want you to notice
when I'm not around
You're so fuckin'special
I wish I was special

Whatever makes you happy
Whatever you want
You're so fuckin' special
I wish I was special

But I'm a creep,
I'm a weirdo
What the hell am I doin' here?
I don't belong here

I don't belong here..."

Sei exactamente o que tenho de fazer, vejo cada grão de pó na superfície da lua...a luz dela sou eu. É dificil....mas eu só quero o dificil.
A partir de aqui e agora e cada vez mais.
No momento em que me apercebi disto entrei no mar e a água beijou-me.

Assim não começo nem acabo. Não sou uma opinião, nem uma ideia ou uma imagem.

Era o mais dificil e eu fi-lo...sozinha.

Será sempre assim e isso ficará para sempre comigo. O amor é infinito, contra todas as expectativas.

Ultimamente tenho sido assaltada por uma felicidade que vai e vem, não é mais do que a simplicidade de saber que me irei tranformar numa pessoa mesmo boa.

Só preciso de tempo...e de livros. E de ti...


Aware
publicado por aware às 03:12
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Sexta-feira, 12 de Maio de 2006

Where do I belong?



Disse-o depois de ter refectido muito, com uma naturalidade assustadora...disse-me que talvez tudo fosse apenas uma desculpa para me abandonar. Grossas gotas de óleo negro cairam na minha alma...e arrepiei-me.

A noite passada caminhei na rua e cruzando-se comigo a caminho da festa as pessoas chamaram-me...chamaram-me mesmo sem me conhecerem.

'Vem conosco!...não fiques com esse ar tão triste, vem para a festa!...'

Encheram-me de amor e de tristeza, sorri-lhes o meu melhor sorriso e disse com uma voz meio quebrada que tinha de ir dormir. São coisas assim que me fazem sentir tão docemente aquilo que foi, tão amargamente a distâcia que é. Porque não sou melhor?
 
Quiz dizer-lhe que se enganava...que eu sabia que não era verdade, lembrei-me de todas as palavras...quiz tanto mas não consegui.
Tão poucas são as pessoas que me veem realmente...e depois de tudo o que acontceu não sei como acreditei realmente que tu nunca mais o conseguirias fazer. Porque escolhi acreditar nessa mentira? Abriu-se uma porta e eu atravessei-a...sem pensar no significado.

'Podemos não falar sobre isso?...por favor.'

Agora vivo a vida que queriam...o que é que isso significa para ti? Tudo corre bem e eu pioro, gostava que me esplicassem que está tudo bem, agora que já compreendo as tuas horas...

O argumento seria: o que mais justifica esse abandono?

Sei e não quero saber...não o quero ver,porque se o vir terei de o admitir e nesse momento continuará a não existir ninguém para me segurar. E o mais estranho é que já o fiz...
Seria tudo isso assim tão importante?...parece que sim.

Parece que será sempre importante.

Eu e ela ficaremos para outro tempo qualquer...ninguém olha para o céu.


Aware
publicado por aware às 23:01
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Terça-feira, 9 de Maio de 2006

"Heartbeat"



Porquê?

Porque não posso voltar. Não posso ficar.

Mesmo que voltasse não seria o mesmo, nunca seria como foi ou como o sonhei.

Foi tão livre...foi tão curto. Porquê?...porque as saudades são demais e não é arrependimento, talvez devesse ser, mas não é.

É desgosto.

Não pertenço...e o meu pedaço de tempo reinvindicado, pedaço de sanidade, é-me agora roubado. E continuo a perguntar porquê...

Continuo a sentir-me errada, mesmo quando faço o que está certo. Porquê?

Porque tenho de precisar tanto deles?! De ti...

Porque sinto a cada momento a vontade de perguntar se estou a fazer bem a cama, se estou bem vestida, se me portei bem? Como uma criança.

Porque tenho de amar assim tanto? Porque tenho de odiar assim tanto...

...tem de doer assim tanto?

O tempo parece que parou, que ficou preso. Ninguém repara... e tudo continua mesmo assim.

...

"to call for hands of above
 to lean on
 wouldn't be good enough
 for me, no

 one night of magic rush
 the start of simple touch
 one night to push and scream
 and then releaf..."



Aware
publicado por aware às 21:58
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Sábado, 6 de Maio de 2006

tecido molhado



Hoje acordei e soube que nunca mais cortarei o cabelo.

Passei o dia a lavar roupa...a pendurá-la para secar. Agora é noite e oiço no rádio fragmentos do sítio onde eles estão sem mim. Da rua veem vozes...consigo ouvi-los.

Esta tarde dourada enchi um alguidar grande de água, sentei-me no chão à frente das janelas abertas e lavei uma por uma todas as brancuras.
Quando acabei senti-me gasta e as mãos doiam-me frias. Senti-me satisfeita por ter acabado...gosto de coisas simples. São coisas que sabemos que ficarão feitas se as fizermos. Não existem promessas...só água e sabão.

Podia passar os meus dias assim...se me dessem água e campos de linhas.

Nunca mais teria um único pensamento.

Não teria mais saudades.

Agora estou demasiado cansada para chorar, demasiado cansada para dormir...lá em baixo na rua existem risos e brincadeiras. Passo os dedos pelo cabelo e ele cai...fica-me nas mãos. No meu indicador direito descubro uma mancha preta...é tinta. Estranho...

Há coisas que não saem.

Na parede nadam peixes, dentro do calendário. Presos no mês de Maio.

Como eu...


Aware
publicado por aware às 23:05
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