Terça-feira, 25 de Julho de 2006

...the return to Innocence



Uma tarde calma, revisitada por muitas memórias...um conforto raro.

Os pés descalços na terra quente, o cheiro da liberdade na pele, as andorinhas pairam na brisa fresca e o dia morre devagar, num tempo que parece só meu outra vez ...como no principio.
Penso no ultimo tema de todas as minhas conversas interiores.

O  Perdão.

Lembro-me que o meu caminho foi sempre marcado pela sua presença indelével, tão invisível como poderosa.
Apareceu-me pela primeira vez, invertido.
Uma perfeita definição da sua ausência...Não perdoar alguém é mantê-lo cativo do sofrimento.
Agito suavemente o negativo da  fotografia e começo a ver uma imagem a aparecer de dentro da escuridão líquida...uma revelação.

Se isso é de facto verdade o perdão só pode ser uma libertação.

If you love someone set them free...finalmente consigo compreender o que isso significa, é um apelo ao perdão, sem ele é impossivel viver livre.
As pessoas mais importantes são aquelas que nos conseguem libertar daquilo que é inevitável e impossivel de esquecer...os nossos próprios erros e defeitos. É por  isso que o amor é um alívio, uma libertação da condição humana!

O cativeiro não serve outro propósito senão o de chegar a esta mesma conclusão.

Um ano depois sou uma pessoa completamente diferente daquela que imprimiu as primeira pegadas neste sítio...e é verdade que elas não se apagaram.

Eu estou aqui...eu fico aqui.

Neste caminho tantas vezes louco e tão fértil...tantas vezes impaciente mas sempre verdadeiro. Agradeço a quem o saboreou e lhe acrescentou o tão desejado sal.

Este continua a ser o meu caminho. Continua a ser um bom caminho...

"Love Devotion Feeling  Emotion

Don't be afraid to be weak
Don't be too proud to be strong
Just look into your heart my friend
That will be the return to yourself
The return to innocence "
Enigma

"O fraco nunca perdoa, perdoar é característica do forte"  Ghandi


Também eu ficarei forte com o tempo...agora já sei o caminho.

Aware
publicado por aware às 19:41
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Quarta-feira, 19 de Julho de 2006

...footsteps



''Os passos de peregrino encontram-se em volta de numerosos lugares de culto. Nao se trata de dizer eu cheguei,mas sim de afirmar: eu estou aqui, eu fico aqui...''


O tempo dividiu-se...espero pelas minhas palavras e no seu lugar ouço as de outras pessoas.

Dei parte da minha alma ao tempo cativo...ao tempo que passa pela cara marcada do relógio e agora, de uma maneira estranha, sinto que isso me tirou uma parte de sensibilidade.
Tornou-se mais dificil sonhar, a música parece ter ficado na distância e os símbolos tornam-se invisíveis.
Quanto mais me embrenho na realidade, mais longe pareço deixar todos os murmurios de divindade, é como se a minha própria alma perdesse o sabor.
 
''O talento cresce na solidão, o carácter no rio da vida''...Goethe

Eu desejei-os ambos mas não quero trocar um pelo outro. Não estou preparada para deixar para trás quem fui...Se antes conseguia sonhar mas não conseguia viver, agora descubro que vivo mas que não sonho. Tudo se alterou.

Consigo fazer o que está certo e isso muda-me.

A realidade leva-nos muito mais depressa à verdade. Depressa me vi confrontada com a minha incapacidade para admitir que o trabalho que escolhi é demasiado dificil para uma alma ainda fraca.  A alienação criou uma distancia e um abismo que fui forçada a transpor para conseguir funcionar de acordo com o relógio, num mundo para além de qualquer controlo. Parece-me agora que essa travessia teve um preço...tal como teve a devida recompensa.

Os passos vão ficando na areia.

Sinto falta deste sítio, de quem fui...saudades das vozes que ainda oiço, num amor para além de todas as ausências ou silêncios.

Sobrevivo no agora enquanto o mar e o tempo apagam as palavras...

...apagam as pegadas.


Aware
publicado por aware às 21:58
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Terça-feira, 11 de Julho de 2006

all is lost...but hope



''Those who cannot learn from history are doomed to repeat it.''

Tinha acabado de abrir a porta, e quando a atravessou, o calor lambeu o seu corpo como um pesadelo vivo. Numa palavra?

Opressivo.

Sentei-me debaixo daquelas nuvens como qualquer alma torturada. E depois as alucinações...

Era o céu, a elevação do espírito, sensação das alturas e de vertigem.
Olhou para baixo e antes da terra viu um corpo envolto em traços negros. Garras seguravam-no pelo peito e nesse momento a sombra gigante fez a pele estremecer de dor. Como se a própria sombra fosse infecciosa.
Deu-lhe a sensação irrevogável de que ia morrer.

Era uma águia, um animal fugido de um livro de mitologia naquelas noites antigas em que lia velhos livros antes de ir dormir.
O cheiro do desespero...acordou-a. As garras apertaram-se, cada vez mais, o coração, a destruição e as lágrimas, o som do choro...aquele som horrivel do choro. Consegues lembrar-te daquele som?

As nuvens passam-me pelos olhos, durante horas, enquanto olho para o mar. A teimosia do vento fervente morre e o céu começa a cair, devagar.
As gotas frias que caem, escorrem pelos caminhos já certos da minha cara.

Estou perdida.

Acordo e os lábios entreabertos deixam escapar algumas gotas do veneno tão bem guardado. A febre...

" Tudo isto me impede de viver, odeio...odeio...odeio.

Que me lembrem da felicidade, que me lembrem das minhas próprias falhas, que metam os dedos tão impiedosamente dentro todas as chagas que cobrem o meu corpo.

(Também tu fizeste isto....e não me perdoaste por gritar de desespero. Não consegui evitar... e sinto falta de um perdão que insulta a minha dor. Podias acabar com isto mas deixas-me sofrer,nem acreditas com que devoção te dedico esse sofrimento.)

As feridas...todos os dias tenho de acordar e recordar...lavo-as e mudo as ligaduras que tive o cuidado de ferver na noite anterior, mas assim que me mexo dão de si e encharcam uma alma que toda a gente consegue ver.
É assim que tenho de viver, quando todos conseguem andar imaculados e ocultos fazendo a vida com actos tão simples como irrefutáveis...sangrando em privado,aqueles que ainda teem sangue.
Parecem todos tão naturais. Afinal é tudo tão simples...já se mataram pessoas por menos. Querem que funcione destruida..."

A lua cheia não me deixa dormir. Enlouqueço...

Aware
publicado por aware às 20:45
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Domingo, 9 de Julho de 2006

alfa and omega



Vesti-me de preto e saí.

Ninguém me salvou de dançar sozinha na noite vazia, toda a beleza parece não compensar esta simplicidade. Chego ao ponto de acreditar que não existe gentileza no mundo. Não o ultrapasso, ainda assim, por tão pouco...

Acordei e durante uns segundos o sonho respirou a realidade. Fiquei, com os olhos ainda fechados, absolutamente imóvel, porque sabia que estava na presença do sagrado.
Ao ouvir o som lento da minha própria respiração consegui viver os ultimos nuances de uma emoção sublime.
Naquele momento, em vão tentei acalmar uma felicidade exultante que decerto foi o motivo do acordar. Tentar a captura daquilo que é efémero.
Quantas vezes não o tentei já? Em tudo...

Essa sensação enebriante, escoa-se tão depressa e tão seguramente como a água dentro de uma clepsidra. É precisamente a urgência de conseguir reter uma simples fracção daquilo que escapa que nos acorda defenitivamente, cortando o elo com o outro lado.
Consegui, como consigo sempre, arrebatar uma imagem, uma sombra a que posso recorrer como a uma fotografia, para evocar as emoções daquilo que já passou.

Uma memória.

Abri os olhos e naquela claridade tranquila da manhã revi-o. Estava sentado sobre a arca de madeira trabalhada que tenho no meu quarto. Não tinha contornos, não começava nem acabava, era o Homem, era Deus...era o Sol.
Lembro-me de me deitar sobre o seu peito e foi como se a lua pudesse tocar o sol, depois de uma adoração à distãncia que começou na génese do próprio tempo.
A tranquilidade de regressar a uma casa que já não existe, a uma tarde de infãncia perdida, o sopro da saúde perfeita num corpo cansado e incrédulo. Finalmente poder amar e existir.

A imortalidade através do amor...a perfeição.

Compreendem agora como a minha alma salva o meu corpo e condena a minha existência. Estes são os sonhos pelos quais vale a pena esperar uma vida. Mesmo que seja uma vida cheia de pequenas eternidades, como são as nossas.

Nessa noite tinha ficado acordada para ver a lua a pôr-se no mar.
Esse sonho parece-me agora como o reflexo da lua. Foi algo que atravessou sem esforço a distãncia da escuridão para chegar aos meus pés.

Alta e branca, uma máscara de porcelana vista de perfil, um reflexo forte.
Cada vez maior, mais baixa e amarela, já sem reflexos, como uma metade de sol a boiar entre duas escuridões simétricas e inseparáveis...vermelha como uma gota de sangue. Incompleta como metade de um coração e depois o vazio.

Quando vinha para casa parei numa estrada escura e lembrei-me de que, quando já só resta o vazio de um horizonte escuro só nos resta olhar para cima e deixar-nos ser absolutamente arrebatados pelo Céu.
Nos momentos breves em que olhei o veludo azul e negro, os seus milhares de diamantes, fui surpreendida por um dejá vu delicioso na forma de uma estrela cadente.

Cortou o espaço com a rapidez de uma lágrima.

Para obedecer às regras da humanidade fechei os olhos e desejei.

Cheguei à minha rua naquelas horas em que as cidades novas ainda são mudas. Do outro lado um cão que abanava a cauda, ao espreguiçar-se e boçejar tentou latir...o que resultou num uivo e fez o meu riso ecoar na rua vazia.

Apontei algumas palavras enquanto me despia, a ultima das quais, leio agora, foi a palavra ''sonhar'', sublinhada.


Aware
publicado por aware às 15:39
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Sexta-feira, 7 de Julho de 2006

so much left unsaid...



Não tenho sido capaz de me compreender e os tempos correm independentes, como eu gostaria de ser.

Está tudo bem.

Não acredito no futuro mesmo assim...e está tudo bem.

Os dias correm e as palavras desaparecem, fico com saudades dos sonhos, não sei o que foi feito de mim. Lembro-me de ser alguém diferente.

Acho que já nao interessa...

Tenho de continuar.


Aware
publicado por aware às 22:55
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Segunda-feira, 3 de Julho de 2006

suspended realitys



Uma corda que estala e se parte, um baque surdo e molhado.

Violência...sim.Sem alma ou sem corpo, o que interessa? Porquê esta necessidade irreprímivel de detestar a beleza? Aconteceu...

Their eyes licked my burning red wet face with a mixture of pitty, scorn and delight as they savoured my shame. I tryed to escape, my soul screamed and skwirmed like an animal under the humiliation...my voice could only whisper ...''não, não...tenho de ir''.
It happened in front of them...again.

Sim, sou fraca. Podes odiar-me agora...se ainda te lembrares de passar por aqui.

Chorei até adormecer e dei-te razão a cada segundo, odiei tudo o que é fraco. E sim, odiei-me tanto que pensei em morrer. Tão fúteis são os pensamentos...como esta necessidade de te abraçar e de saber que está tudo bem.
Quando acordei o mundo tinha mais uma vez continuado sem mim. Tomei banho e vesti-me, para tentar parecer-me com qualquer coisa humana,qualquer coisa que os outros conseguissem reconhecer como ''eu''. Resultou...o dia passou..

Nessa noite passeei na rua e a musica tocou no meio dos livros. Ao meu lado estava um cão abandonado, encostei a palma da mão na cara dele e ele não se mexeu, durante muito tempo. Ergui-me e cheirei o céu...ele fez o mesmo.Talvez.

Consegui ouvir suavemente a outra metade da conversa única, da palavra única...''o um que são dois''. Lembro-me de ter dito que é uma pena que o Sonho seja uma esfinge,porque no mundo não existem respostas únicas,que o sofrimento acaba por ser proporcional ao perto que se chega da resposta...continuo a tentar não pensar nisso.

Mas não desisti...esta manhã fui ao escritório e tive uma conversa honesta com o meu superior. Disse-lhe que não queria desistir.
Fiquei surpreendida quando, ao ter de lhe explicar que tinha estado doente e que me enganara ao pensar que agora estaria melhor, percebi que ainda nunca o tinha ouvido antes.
Só assim consegui perceber o que a guerra me tirou,como receber um postal de uma pessoa morta numa guerra que acabou há muito...olhar,de repente,para baixo e ver o meu corpo numa cadeira de rodas.

Não desisto e tento emendar-me e à corda que se partiu. Tenho de me obrigar, horrivelmente, a pensar que as coisas se compoem. 

Como os poemas se compoem... ou as canções. 

Continuo...suspensa,ainda não estou completa. Mesmo que tenha de repetir os pimeiros versos ad nauseam, para os corrigir ou para tentar chegar à proxima palavra, sei que nao existe outra alternativa senão continuar.

Nada está nas minhas mãos e quanto mais tento fechá-las mais se escapa o que tento capturar. Não sei o que procuro...mas mesmo assim guardo as mãos abertas.

Agora sorrio...porque escrevi.

Aware
publicado por aware às 15:54
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