Quarta-feira, 30 de Agosto de 2006

breathless



Abri todas as janelas, corri as persianas e sentei-me na meia luz...a estudar.

Senti a insuperável falta de palavras no ar pesado da tarde e vi-a sugando o ar de dentro do meu peito. Um vazio a que só se sobrepõe o som do meu próprio coração e o som da terra a queimar debaixo do sol...

...as pontas dos meus dedos azulam e os lábios arrefecem.

A ausência de todas a emoções, todos os pensamentos numa tranquilidade sobrenatural, como se tocada pela própria morte. Um beijo de eternidade...negro.

Sem aviso as mãos que se cerravam abrem-se...abro os olhos e vejo...respiro e sinto a verdade. É mágico...inefável!

Fico assim acordada, morrendo e renascendo todos os dias, a cada dia mais irreconhecível à medida que a alma regressa, fazendo de mim quem de facto sou, contradizendo tudo aquilo que fui.
As palavras morrem devagar de admiração diante da verdade...ficam como animais preciosos, encantados por uma melodia estranha e fascinante, deitam-se e escutam esquecendo-se do seu próprio propósito.

Olho para o espelho e vejo uma pessoa diferente, as minhas mãos recordam o que os olhos já não reconhecem. Vejo beleza...pela primeira vez na minha vida.

...nunca isso teve menos a ver com o exterior do que agora, agora compreendo.

Agora respiro de novo...esta mistura de tristeza e felicidade, passado e presente, revelação e memória, saber e conhecimento...visível e invisível.

''O rosto não é um simples fenómeno, uma coisa entre as coisas: ele é igualmente o signo da alteridade, isto é, daquilo que nos escapa absolutamente.''  in Dicionário Práctico de Filosofia.

O estudo da alma...


Aware
publicado por aware às 19:13
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Terça-feira, 22 de Agosto de 2006

The sublime heartache.



Nunca foi tão belo...nem tão difícil.

O sol de cada manhã entra pelas janelas abertas e ilumina o meu sono sem palavras.
Acordo e vivo como um preso recém libertado, perdendo-me na imensidão do azul...o céu...sublime.

Ainda não acreditam que saí...ainda não sabem.

Tive de voltar atrás para descobrir aquilo que tinha perdido e eu mesma não acreditava que houvesse alguma coisa para encontrar até que a vi.
No meio do caminho, num sítio onde eu já tinha passado infinitas vezes, vi-a e até mesmo quando a vi duvidei. Peguei-lhe incrédula e soube que era real...para além dos sonhos.

Tudo mudou.

Tanto mas tão subtilmente que quase não o consigo descrever. Chega a ser desconcertante, é absolutamente nítido, como se as imagens tivessem sido pintadas de novo. Os nomes deixam revelar a sua alma e as palavras tornaram-se intensas...e imprescindiveis.

Inesperadamente isso tornou-as mais difíceis de pronunciar...e a dúvida não morreu, vejo-a todos os dias, fechando olhos e corações indiscriminadamente.
Nunca me senti mais leve...como um pobre...porque as riquezas são tão ténues e invisíveis como o ar. Estou a voltar...esse ar sou eu.
Ainda a dúvida e o terror querem fazer pesar o meu coração e ainda estou sozinha, parece-me que nunca tive mais motivos para chorar. Tudo isso me passa diariamente pela pele e me arrepia...mas não me invade.
Isso parece quase magia, porque o esforço de um truque nunca se vê e  porque só podemos chamar arte a algo a que não se veja a dificuldade.

Não quero chorar.

É essa vontade que me governa...agora não quero chorar, podia mas não quero. Isso faz-me sorrir porque torna a vida mais difícil.
Lembra-me do que escolhi e sei que estou no caminho certo, sei...nunca foi tão difícil
                  ...nem tão belo, sublime.


Aware
publicado por aware às 09:13
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Sábado, 12 de Agosto de 2006

dream of the desert



If I lay here
If I just lay here
Would you lie with me and just forget the world?

I don't quite know
How to say
How I feel

Those three words
Are...said too much
They're not enough

If I lay here
If I just lay here
Would you lay with me and just forget the world?

Forget what we're told
Before we get too old
Show me a garden that's bursting into life

Deito-me e sonho de olhos abertos. Vejo a terra ressequida pelo sol estival e suspiro...
... o sopro percorre a terra que se arrepia ao seu toque. Esse amor fá-la contrair-se e estalar mais um pouco.

O ar cálido da tarde repousa a sua face macia nessa terra de arestas afiadas, inconsciente da alma que o o invade lentamente.
Uma alma...feita de água, mas totalmente aérea e etérea. Algo invisível, estranho, onde o carácter fluido do ar e a natureza mole e frouxa da água se confundem.

Presença, sombra transparente e volátil ela espraia-se atravéz do ar e aguarda.

Observa o deserto e enquanto espera sofre sem sofrer a distância entre eles...calmamente.
O sol põe-se e a noite vem em lençóis de frescura, lágrimas quentes, estrelas cadentes que se desprendem do amor silencioso, caem dos pensamentos azulando no momento seguinte sem nunca tocar a terra.

All that I am
All that I ever was
Is here in your perfect eyes, they're all I can see

I don't know where
Confused about how as well
Just know that these things will never change for us at all

If I lay here

If I just lay here
Would you lay with me and just forget the world?


Aware
publicado por aware às 16:58
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Quarta-feira, 9 de Agosto de 2006

...


publicado por aware às 22:59
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Domingo, 6 de Agosto de 2006

Espaço



Inspiro a noite.

Sou surpreendida por uma crescente noção de espaço...sinto-o vivo como um gato que caça no escuro. Sei que vivo um paradoxo.

Estranhamente parece que todas as peças se encaixaram, o presente, o passado e o futuro, todos os tempos verbais, todas as palavras se condensaram...num centro.

''A vacuidade materializa-se no ponto central, do qual tudo provém e ao qual tudo retorna.
É luminosidade indefinida, ligada ao vazio criador, à abertura total, ao despertar perfeito, à ausência de ego e de compreensão dualista, assim como ao espaço ilimitado, à interdependência de todos os fenómenos, à trasparência além de todos os conceitos...''

Olho para os livros e sorrio.

Preciso destas outras palavras porque são insubstituíveis.

Não me consigo ver mas sinto-me completamente.
Nestes ultimos dias toda a história se eclipsou numa compreensão para além das palavras. Opostos afastaram-se e atraíram-se numa dança ritmada, o som de um coração.
Padoxos beijaram a realidade por alguns momentos ténues...física e metafísica, o invisível e o visível respectivamente.
A própria história pareceu por momentos perder o seu valor...mas a percepção reorganizou-a prodigiosamente e fê-la brilhar pelo seu próprio mérito. Toda ela não é senão uma preparação, uma educação.

Sei que esta é uma victória.

A sabedoria será sempre a sua própria recompensa...assim sendo poderei dizer que a minha vida não foi pobre, ainda que isolada ou difícil.
Eu só quero o que é dificil, foi o que escolhi para mim e sei que não o alteraria por nada,  mesmo sabendo o que essa escolha significa. Talvez até na ignorância...o pombo é afinal o símbolo do amor e do ingénuo.

A victória mudou, a máscara da glória caiu...vencer não é como o imaginava. Vencer muitas vezes envolve perder, não é de todo um acontecimento absoluto.

A Lua nunca mais será a mesma.


Aware
publicado por aware às 23:57
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Terça-feira, 1 de Agosto de 2006

Mi amas vin



Ontem foi o ultimo dia do mês interminável...

Fui feliz...por um dia fui feliz.

Vivi-o como se fosse o ultimo, deixei a minha alma brincar como uma criança na noite silenciosa. Uma criança ignorante do tempo ou da morte...

As horas passaram e à medida que a hora ultima se aproximava pensei em fugir, do tempo, do meu corpo, da lei e do próprio pensamento.
A urgência do tempo levou-me à tua rua...fiquei chorando no teu abraço e na noite escura os ultimos segundos morreram.

O dia acabou...

Beautiful dawn - lights up the shore for me.
There is nothing else in the world,
I'd rather wake up and see (with you).
Beautiful dawn - I'm just chasing time again.
Thought I would die a lonely man, in endless night.
But now I'm high; running wild among all the stars above.

Sometimes it's hard to believe you remember me.


Acordei depois de ter dormido algumas horas, assisti ao nascer do sol como se estivesse a olhar o meu próprio nascimento...e tremi.
Porque não estavas comigo.

Este é o o dia Um...o Principio, símbolo do homem de pé, símbolo do ser mas também da Revelação.
Acordo por fim...para a realidade e para um Amor que parece sobreviver a tudo até ao Nada...e de repente a minha alma salta para as páginas de um livro. Desse livro para outro, e para outro ainda...

''O amor é uma actividade e não um afecto passivo; é um estar e não um tornar-se. De uma forma mais genérica, pode descrever-se o carácter activo do amor dizendo que o amor é sobretudo dar e não receber. (...)
A esfera mais importante da oferta, contudo, não é a dos bens materiais, mas a do reino especificamente humano. O que é que uma pessoa dá a outra? Dá-se a si mesma, dá o bem mais precioso que tem, a sua vida.
Dando assim a sua vida, enriquece a outra pessoa, aumentando a vitalidade dela por estar em contacto com a sua própria vitalidade. Ela não dá pra vir a receber; dar é em si uma grande alegria. Mas ao dar, ele não consegue deixar de fazer nascer algo na outra pessoa, e isso que nasce reflecte-se nele; na verdadeira dádiva, não se pode evitar receber de volta aquilo que se dá. (...) Este pensamento foi expresso de uma forma muito bela por Marx:..se ama sem evocar o amor, se o seu amor não produz amor, se pela expressão da sua vida como pessoa que ama não se conseguiu transformar numa pessoa amada, então o seu amor é impotente, é uma infelicidade...

(Sei que sou responsável por quebrar todas as regras.)


...e que a responsabilidade poderia fácilmente degenerar e transformar-se em domínio...se não fosse por um outro elemento do amor...o respeito.
O respeito não deve ser confundido com o medo e a admiração; denota, de acordo com a raiz da palavra respicere: olhar para; a capacidade de ver uma pessoa tal como ela é, de ter consciência da sua individualidade única. O respeito implica a preocupação de que a pessoa que amo cresça e se desenvolva por si mesma...'' Erich Fromm in A Arte de Amar

Vindo do nada a tua forma começa lentamente a aparecer à minha frente...desconhecido de ti mesmo, infinito.

''O zero palavra derivada do árabe cifa, vazio. Sinal numérico sem valor por si mesmo, mas ocupando o lugar dos valores ausentes nos outros números. Simboliza a pessoa que só tem valor por delegação.
A intuição era simbolicamente muito mais justa: o zero é o intervalo da geração: Como o ovo cósmico, simboliza todas as potencialidades.
O objecto que sem valor por si só, mas unicamente pela sua posição, confere valor a outros...o zero multiplica por dez os numeros colocados á sua esquerda. Em tarot O Louco.'' Dicionário dos Símbolos

Mais uma vez chego à utilidade dos meus estudos, sei que foram um caminho para chegar até aqui. Até ti...que me ensinaste tudo o que os livros não dizem.

Vejo-te agora, mais do que nunca como és e vejo a tua dor porque já a senti...afinal estávamos no mesmo caminho, eu estava apenas um passo à tua frente, bastava que me estendesses uma mão e sentir-me-ias.
Agora compreendo a minha necessidade de falar primeiro...sem ti sou só uma, contigo seriamos mil, ou o infinito.

Sei que precisas da solidão, sei que talvez nunca mais nos vejamos...por isso te quero dizer que te amo.
Por outras palavras me chamaste e a minha alma foi...
Quero que leves esse amor na tua viagem e onde quer que estejas esse amor irá sempre encontrar-te porque nunca desistirei dele.

Nem de ti.

Separamo-nos assim com a serenidade que nos faltou em outras eras passadas e presentes...era tudo o que queria de ti, que ouvisses estas palavras e nada mais.


Aware
publicado por aware às 17:19
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