Sábado, 28 de Outubro de 2006

golden brown



A luz enche tudo e ilumina cruamente, abro as janelas e olho para as copas das árvores, o céu azul e limpo. Como num dos dias mais frios de Inverno...

Espero o frio mas ele não vem. Sorrio.

Brinca-me uma brisa quente na pele, cheia de todos os cheiros de outono. Respiro-a longamente, uma ultima vez.
Invade-me como o calor que senti na tua cama,debaixo do meu casaco castanho novo. O pequeno livro que te emprestei numa mão e a outra debaixo da tua almofada.
Continuo a amar aquelas palavras...continuo a lê-las.
Faz-me lembrar de um sonho que tive hà anos, a pele castanha e macia, a lã e a caruma, o cheiro de pinheiros.  A suavidade daquele cabelo dourado, o peso da cabeça dele no meu colo...

Foi o sonho que me fez começar a amar. Que me fez nascer e sonhar de novo. Acordo e sinto o cheiro da pele na minha pele, sinto o calor achocolatado da lã e relembro sonhos como esses. Como registos antigos, cartas, folhas amarelas pelo chão no silêncio do presente...que dádiva.

A simetria de momentos no tempo.

Fracções da mesma alma que se tocam.


Aware
publicado por aware às 21:25
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Terça-feira, 24 de Outubro de 2006

And you don't seem to understand...




Depois de ter sobrevivido...a noite vazia.

A vida como um sonho que tenta fugir à memória através do êxtase de um acordar que seguro com os meus próprios braços.
O futuro quer-me como ninguém.
As palavras escondem-se nos sons, as imagens turvam os olhos parados, absortos no mundo para além deles. Respiro e tudo isso se dissipa...

A musica faz-me sentir um contraste puro. Relembra-me a eternidade de tudo, tudo o que permaneceu e permanecerá mas também tudo o que mudou e mudará. Claramente, unidos como um corpo e a sua sombra.

Perdi tudo...continuo, mas parece-me que quanto menos tenho mais me torno quem sou. O ar da noite é pesado e húmido, parece que respiro as lágrimas de outras vidas. Enquanto descanso e me construo, imaginando-me como nunca. Como ninguém...

"Duvet"

And you don't seem to understand
A shame you seemed an honest man
And all the fears you hold so dear
Will turn to whisper in your ear
And you know what they say might hurt you
And you know that it means so much
And you don't even feel a thing

I am falling, I am fading
I have lost it all

And you don't seem the lying kind
A shame then I can read your mind
And all the things that I read there
Candle lit smile that we both share
and you know I don't mean to hurt you
But you know that it means so much
And you don't even feel a thing

I am falling, I am fading, I am drowning
Help me to breathe
I am hurting, I have lost it all
I am losing

Help me to breathe...

Tinha saudades desta música, tinha saudades de mim...muito mudou.

Aware
publicado por aware às 21:59
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Sexta-feira, 20 de Outubro de 2006

Lua errante...tu vas me manquer mon amour.



Eu errei.

Enquanto via as roupas à chuva...a àgua correndo pelas linhas fazendo-as dobrar-se com o peso. A roupa libertando a sombra do seu perfume frio em ondas...o sabor do vento salgado tão perto e tão longe.
Também as palavras haviam corrido para dentro de mim como gotas e toda a minha solidão se havia enchido desse peso. Quase não conseguia respirar. Relembro a pergunta incessante desses dias distantes de desespero: quantas mais palavras intemporais suportarei ouvir sem o teu calor?...Sol.
Não sei como consegui gritar o teu nome sem o saber. Porque nessa altura ainda não o sabia. Só o meu corpo o sabia, só ele o dizia...por tê-lo absorvido até à sua ultima fibra.
Tremia cheio de qualquer coisa fria e imensa e as minhas linhas tremiam também, de medo. Tinhas-me avisado...mas nada me poderia ter preparado para a tua beleza.

E quando nenhum dos dois esperava tudo o que era frio começou a brilhar...e desse brilho nasceu um calor absoluto que nos mostrou por instantes o mundo, como nunca o haviamos visto antes.

Acordei com o sabor de mel entre os lábios mas esse sabor, tal como o brilho desapareceu  no meu corpo intocado. Eu ainda não te amava, simplesmente não o sabia e em vez de te procurar magoei-me com a tua ausência. Essa ausência foi um erro imperdoável...mas também eu errei.

Imperdoávelmente.

Com o tempo...procurei-te de novo para matar o silêncio que tinha ficado entre nós, tinha finalmente encontrado única palavra capaz de o quebrar, por ser feita de verdade. Só a verdade é mais forte do que o silêncio. Um nome, ''O Nome''...o nome do sol.

Encontrei-te e disse-o.

Disse-o apesar do abismo, isso mostrou-me uma parte de mim que não sabia possível.

Invadiu-me uma quietude sem palavras...sem palavras minhas. Assim que esse silêncio me cobriu como uma sombra, com a suavidade de uma luva contra a minha pele macia, vi-me pela primeira vez.
Na meia luz me admirei e me reconheci maravilhada sem um som, até que no silêncio te senti...e tu falavas. Lentamente as tuas palavras voltaram e não só voltaram como agora contêem algo que nunca tiveram, o brilho de um calor absoluto, quase selvagem e indomado.Tão puro e forte como impiedoso, algo que nunca tinha visto mas que surpreendentemente não me consumiu ou atemorizou. Atravéz de ti encontrei a minha verdadeira natureza, agora sou livre...deste-me a liberdade precisamente quando eu abdicara dela. Essa beleza indizível está tatuada no meu coração como um poder que nunca sonhei possuir.
Oiço as tuas palavras e sinto-as refulgindo no meu peito,arranhando-o de um adeus que nunca irá acontecer, pois eu sempre estarei aqui. Simplesmente não me vês porque te ouves a ti próprio e saboreias a tua solidão no mar de chamas que julgas meu.

Meu amor, a lua não arde. O pouco que me vês é o teu brilho que eu te dou, para que te vejas e acredites que és tu que iluminas o mundo.


Aware
publicado por aware às 20:27
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Domingo, 15 de Outubro de 2006

Infinito



Porque duvido?

Porque não posso amar sempre e porque me silencio?

Antes não duvidava, isso fazia-me feliz e infeliz de uma maneira invisível.
Assim que soube que amava comecei a duvidar...e por essa altura já não podia duvidar de mim própria. Demasiado tinha acontecido, já tinha mergulhado as mãos no meu próprio corpo na procura do que me matava...já o tinha. Começava a ter vislumbres de mim.

E o que vi fez-me medo.

De tantas maneiras diferentes, com um poder tão profundo, tão real e tão inabalável que pela primeira vez em muito tempo pensei que ia enlouquecer...Mesmo aí não duvidei de mim, porque não consegui duvidar do Amor...e terrívelmente foi nessa mesma altura que vi pela primeira vez um mundo sem amor.

Um mundo sem ti.

Foi aí que comecei a calar-me. A calar a falta que sentia de viver, a calar o horror que me consumia na solidão. Mas mais importante ainda, comecei a carregar oculta uma verdade importante, a mais importante.
Só lhe tinha visto um reflexo no meio de um barulho ensurdecedor, não mais de alguns segundos e mesmo assim soube que revelar essa verdade seria a responsabilidade mais importante e inalienável. Por isso mesmo começei a perguntar: porquê duvidar? Quase imediatamente tudo isto comecou a transparecer para a realidade, impressionando tudo, mudando tudo.
Tinha esquecido de que as pessoas se revelam pelo que querem esconder.
Por isso comecei a temer o mundo. Porque já não conseguia deixar de me revelar, a verdade é maior que todos nós. Tal como o Amor.
Tudo isso me surpreendeu, como o mundo surpreenderia um cego que começasse a ver.
Como tudo isto tinha estado sempre à minha frente...Um mundo vazio de pessoas que me vissem, mais do que isso que acreditassem em mim. Como tinha ficado tanto tempo no desconforto de uma invisibilidade que não me cobria  completamente,como um cobertor pequeno demais para alguém que  só quer adormecer no  frio.

Impossível...e no entanto haviam excepções.

Tu foste uma delas. O que não consegui distinguir logo foi que não os sentia. Que tudo o que foi se tinha cravado em tudo o que é. Que o esforço tinha apagado a capacidade de sentir os outros...de acreditar neles. Inacreditávelmente, paradoxalmente! isso dava-me um poder objectivo enorme de ver as pessoas. Vê-las e saber o que está para lá dos olhos, ver a cara do relógio e os mecanismos ao mesmo tempo. Esse foi um grande momento...quando soube que para além de ter perdido mundos, também tinha ganho mundos. Agora conseguia ver...
Conseguia ver mas o hábito de esticar as mãos tinha permanecido, tinha de tocar para acreditar. Essa é a dúvida que permanece.

Porque muitos são os que não veem, ainda mais aqueles que não se dão e mais ainda aqueles que não admitem...que tudo isto seja verdade.
É uma luta que ninguém ganha, a verdade é maior que tudo. Não são as mentiras que nos fazem sofrer, são as verdades. Não digo isto a plenos pulmões, embora muitas vezes me tenha apetecido. Agora, se pudesse sussurava-o, mesmo tendo desejado ruas infindas para o poder gritar. Por isso a realidade me parece tão estranha agora...sabendo enquanto passo por ruas de gente silenciosa que não existe uma alma que não possua a mesma verdade.
Parece viver dentro de todos como um segredo vergonhoso, pois acredito que se apontasse o dedo a alguém e lhe dicesse ''Sabes do que falo!'' esse alguém só muito dificilmente o admitiria. Isto quando sei que é o desejo mais real de todos dizê-lo cantando a toda a gente.
Por isso duvido...porque estico os dedos na escuridão, e raramente sinto outros dedos que não os meus. Ando esticando os braços para o mundo, sempre com o terror de que mos cortem e sempre expectante, anticipando o dia em que sinta outros que os segurem.
Por incrível que pareça é essa mesma dúvida a verdadeira beleza que nos faz viver e querer-nos uns aos outros, a dúvida tem de existir para que tenhamos a vontade.

Uma vontade de ser e de alcançar.

O círculo fecha-se, ainda bem que duvidamos, não podemos realmente acreditar em tudo à primeira vista...a beleza pode estar no primeiro olhar mas a verdade está no segundo. O silêncio o medo e até mesmo a morte são precisamente aquilo que precisamos para conseguir sentir o que é estar aqui agora. Duvido para alcançar-te e silencio-me para me ouvir...por isso duvida também e abraça-me porque se estiveres dentro de mim conseguirei ouvir-te e também tu me conseguirás ouvir porque estarei dentro de ti e no teu silêncio ouvir-me-hás.

A realidade é tudo o que sobra e é o mais importante...tal como tudo o que não se vê.


Aware
publicado por aware às 20:47
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Sábado, 14 de Outubro de 2006

Tears...for Fears



Sonhei que tinha na mão um pequeno pássaro.

Amei-o tanto nesses momentos, sentindo-o tremer ergui-o ao ouvido para  escutar  o coração e só aí soube que estava aterrorizado. Senti que o calor que ele tinha deixado no lado direito da minha cara se espalhou...corei.

Esta manhã acordei com o som leve de passos e vozes e lembrei-me desse calor, como se tivesse adormecido no peito dele.

Era febre.

Agora, como no teu livro, guardo todos os teus momentos porque sei que não terei outros. A febre faz-me chorar e queria que estivesses aqui. Queria perguntar-te se alguma vez seguraste um pássaro pequeno, se também tremia...se também o amaste.

...I find it hard to tell you
C'os I find it hard to take

When people run in circles
Its a very very...mad world.


Aware
publicado por aware às 01:33
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Quinta-feira, 12 de Outubro de 2006

Daydream



Adormeci...em cima das cartas abertas.

Olhei para cima e no azul, como um lenço cativo de um sopro invisível, tão leve como imóvel, a lua.
Fiquei deitada a sentir o suave calor do sol que ainda permanecia nas cartas. Abri os braços com o som de folhas levemente amachucadas e deixei-me ficar nesse ainda amor.
Vi os ramos nús da àrvore escurecerem e senti o perfume da terra debaixo das suas raízes enquanto as folhas iluminadas brincavam com os meus cabelos soltos.

Enterlaçando os dedos nessa tapeçaria de caligrafias senti cada palavra beijar os meus dedos deixando-os pretos. Pequenos laços negros, de fidelidade inquebrável, sempre com o sabor delicioso de um adeus que nunca chega.

Sonho de olhos entreabertos ouvindo a minha respiração e o som abafado de um coração quente que não é o meu.

O sono passa como um viajante invisível e desconhecido por uma estrada perdida. Sabe que sou suave como a seda, abraça-se ao corpo mas não o invade, fica no calor calmo de uma tarde que parece intemporal.

Só as perguntas acordam. Lembram o aperto desconfortável e frio do medo e da dúvida. Pairam a uma cómoda distãncia enquanto as peso com palavras quentes e murmurios.

Fazem-me amar.


Aware
publicado por aware às 01:20
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Segunda-feira, 2 de Outubro de 2006

Brumaire

 

Sentei-me dentro de mim e assisti ao pôr-do sol.

O ultimo sopro de calor entra no meu corpo enquanto a luz morre. O amor vive...nas ondas suaves do meu cabelo e eu fico no céu vazio, olhando para as nuvens enquanto se apagam uma a uma.

As minhas palavras não pronunciadas vibram dentro da minha respiração. Mas o medo não está lá, estão só à espera.

Eu faço-as esperar, enquanto vivo e me desenho à semelhança da mais bela memória de mim mesma.

Sorrio ao desespero e com a rebeldia de uma criança pequena digo-lhe que estou demasiado perto da verdade para não saber que será assim.
Cada abraço sentido me estreita e cada um se sobrepôe e se confunde para me fazerem uma. Seguram-me e eu tremo de alegria e de dor.

É uma musica.


Aware
publicado por aware às 22:09
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