Terça-feira, 27 de Setembro de 2005

dreaming reality

memories.jpg

Uma ilha uma praia.Plana e branca...branca.Branca como eu.
Agarro a mão do meu avô e olho para cima para ele.A pele dele escura reluz ao sol.Parece curtido ao sol feito de madeira de sandalo,os olhos da mesma côr sorriem.
Não sinto o mar nos pés descalços,sinto o calor do sono e o azul claro,quase transparente.Quase não existe...é só uma leveza quente.
Quero sombras e escuro,árvores e caminho para lá.Onde quer que lá seja.Ele vem uns passos atráz de mim.
É uma cidade pequena,casas.Branco sujo...todas as portas são pretas,madeira preta como a noite com embutidos de madre pérola,constelações,sonhos no escuro.
Não pode ser real...mas é.
Pessoas passam na estrada...sinto alguém dentro da casa mais próxima.Uma pessoa está na soleira da porta com um leque,abanando-se.Começo a correr para uma casa que vi mais adiante enquanto ainda oiço o meu avô a cumprimentá-la.

A casa não tem ninguém...não existem portas e as janelas enormes estão abertas,partidas,derrotadas.O chão é de terra e existe uma criança do meu tamanho sentada no chão da sala a fazer desenhos no pó.De costas para mim e eu aproximo-me. O cabelo dela não é como o meu...ela é morena,mais suja que outra coisa... tem o cabelo liso preto e curto.Está ao pé de uma mesinha e uma caixa,não existe mais nada.

Sento-me ao lado dela,e sinto um cheiro familiar,ela cheira á minha mãe... e olho para a cara dela.Tiro-lhe a poeira da cara com as palmas das mãos e reconheço a cara dela.

É a minha mãe.

O meu avô abaixa-se ao nosso lado e passa a mão pelo topo da caixa que está no chão.Há medida que a mão passa pedaços desfazem-se e a caixa solta três sons metálicos,notas desafinadas.Enquanto morre.
Ele levanta-se e caminha até á porta,fica na ombreira uns segundos a olhar para praia branca.Olho para a silhueta escura dele no branco e azul.Tem uma camisa clara de mangas curtas,calças...descalço como nós.
Diz-nos que está na hora de ir e sai para a luz.
Levanto-me e ajudo-a levantar-se...já não largo a mão dela.Olhamos para a porta olhamos uma para a outra e começamos a correr de mãos dadas no meio de risos.Crianças a rir e o céu....

...para sempre...


aware

publicado por aware às 22:29
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2 comentários:
De a 28 de Setembro de 2005 às 00:14
Sol.. luz.. mar.. cor.. a casa, como que isolada do mundo que a rodeia.. estagnada no tempo com esse pó.. dá a sensação que levavas contigo a luz lá para dentro e "contaminaste" quem marcava a simbologia da casa..
Belo texto.. mtas definições=)
***Ser-se em Palavras
(http://www.longtakk.blogs.sapo.pt)
(mailto:golden_sky_@hotmail.com)
De a 28 de Setembro de 2005 às 00:12
Respira fundo e tem calma... confia em ti e não penses nos outros... pensa por ti e não nos outros!!! Se assim tem que ser assim será... os outros verão o que quiserem ver... e isso ninguém pode impedir... Fá-lo por ti... por ti!!! Beijinhos e um bons sonhos...Aran_aran
(http://capricornioemim.blogs.sapo.pt/)
(mailto:aran_aran@sapo.pt)

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