Quinta-feira, 22 de Setembro de 2005

desperate stilness

Calm Winds_jpg.jpg

Hoje nadei num espelho.Tentei matar com o sal as duvidas,tentei lavar a alma.Mas na areia a unica coisa que posso fazer é esperar pela paz que não vem...e olhar para o mar que tem a calma que eu não possuo.

Posso brincar com as palavras e com os seus significados mas isso não me distrai verdadeiramente do dia que passou.Um dia,mais um dia que passou irrevogávelmente,não que fosse mais ou menos diferente que qualquer outro dia desde o principio dos dias.Mas foi uma separação...uma separação do passado.

É obvio...O presente não é senão a separação constante do passado e do futuro.Torna tudo tão fugaz e tão urgente...todos os dias temos de cair no dia de hoje desamparados e tentar chegar a algum conhecimento a que nos possamos agarrar firmemente.Assim tentamos capturar a continuidade que nos escapa.Muitas vezes em vão...
Do quotidiano ficam pequenos grandes gestos,pedaços de imagens e sensações sem nexo que acabam por fazer parte da coisa indefinivel que é a alma.As palavras poderosas de um oráculo,alguém que me agarrou pela cintura,uma lua,uma chávena partida...saudades de alguém que nem conheço.

Então tudo o que ficou para trás é memória quase sonho,tudo o que é futuro não existe...só nos resta o agora,em que nos distraimos e iludimos constantemente...para mim o dia de hoje é um sonho.E nos dias de hoje vou ver outras pessoas que continuaram no caminho que eu partilhei e abandonei.Os nossos quotidianos separaram-se,deixei-me ficar para trás...vou ver se me encontro onde me perdi.
Só me resta descobrir o sítio onde pertenço na realidade,tentar fazer a minha vida rica com as vidas de outras pessoas.Saber o que quero e cumpri-lo.
Soa-me muito longe mas sempre esteve dentro de mim...ainda não o consigo ver.Seria melhor pensar que não existe um momento de realização...que todos os momentos são uma realização constante?Não sei o que é mais sensato...e não sei se consigo ser sensata neste momento.Não sei quem consigo ser agora.

Deixei a minha invulnerabilidade partida num chão qualquer...Foi o medo que a partiu,o terror da guerra que passou.Agora sou permeável a tudo outra vez...o tempo sem emoções acabou,a morte acabou.Como qualquer recém nascido não posso fazer mais que chorar.Mas até as minhas lágrimas ficaram para trás...existe apenas uma inquietação constante.Como a que se sente quando estamos apaixonados.
Tenho de acalmar essa inquietação...e para além dela sentir a minha alma,talvez me diga o que procura.

Até lá tenho de contar com o amor dos que me procuram,dos que escolhem dizer-me que me vêem.Que também anseiam que me encontre...mais completa ama-los-hei melhor.De certeza...Só preciso de tempo,mais uma noite,mais uma visita á escuridão.Mais cinco séculos num segundo,entrar no circulo e tornar-me o centro...só mais um sonho.

aware

publicado por aware às 00:39
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3 comentários:
De a 22 de Setembro de 2005 às 23:37
O primeiro comentário lí-o de manhã cedo...deu-me uma sensação de fescura e segurança,o segundo li-o agora e reforçou-me uma ideia poeirenta,tornou-a mais urgente e real.Obrigada por terem estado comigo hoje:)****aware
(http://pilgrimhearts.blogs.sapo.pt)
(mailto:jani_fullmoon@hotmail.com)
De a 22 de Setembro de 2005 às 21:48
Pior que começar, ou melhor recomeçar/renascer é a dúvida que se instala dentro de nós... ela corroi, é destruitiva, por vezes mortal... pq não nos deixa avançar... a clareza/certezas não existem... mas boa sorte e beijinhosAran_aran
(http://capricornioemim.blogs.sapo.pt/)
(mailto:aran_aran@sapo.pt)
De a 22 de Setembro de 2005 às 02:30
Começar do 0 não é mau.. tu propia fizeste a comparação ao recem-nascido..
É uma questão de dar espaço às tuas liberdades e sonhar também livremente durante os dias..
E todos sabemos como alguns caminhos se separam naturalmente, percursos de vida diferentes, horizontes diferentes.. rastos que ficam marcados na memoria, não aqueles rastos na praia que o mar apaga.. que ficam esquecidos, mas algo que apesar de passado, nos marca e transforma a nossa personalidade e a nossa maneira de viver os dias e o que sentimos.
Todos somos vulneráveis, vulneráveis à própria vida e vulneráveis ao que vivemos nela ou o que desejamos viver e achamos não ser capazes ou não encontramos capacidade ou resposta para que se experimente o que tanto se procura..
Mas a vida é assim, cheia de surpresas, de história e enigmas, de memórias e desejos, de encantos e desencantos, de percursos .. percursos que tentam ter a felicidade como sua companheira, como fonte de motivação para continuar o caminho que se revela sempre tão desconhecido e ao mesmo tempo pretendido como os próprios sonhos.. :)
****Ser-se em Palavras
(http://www.loingtakk.blogs.sapo.pt)
(mailto:golden_sky_@hotmail.com)

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