Quinta-feira, 18 de Agosto de 2005

Quem és tu?

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Quando era pequena pensava que queria ser uma 'savant',ser estar e pensar á frente do meu tempo.Um génio.Ah...o doce cheiro a arrogância da juventude.

O pior de tudo é que numa certa medida persegui esse sonho.E é preciso ter cuidado com o que se deseja...
Concentrei-me em coisas que não eram da minha idade,e essa idade que era a minha desapareceu nas preocupações e pensamentos de alguém muito mais velho que eu.
Esse tempo já não volta...ficou perdido.Até o ganhar outra vez claro...
Também foi esse tempo que moldou a minha personalidade,cansou-me como cansaria um velho.Alguém consumido pelas perguntas e respostas de uma vida inteira.
E muitas das respostas estavam erradas e muitas das perguntas estavam erradas,como as de tantas outras pessoas que existem ou existiram.

Sinto como se tivesse vivido a vida de outra pessoa,que me usou e cansou,mas sempre fui eu.

Um amigo disse-me 'tens o azar de estar a pensar sempre nas coisas erradas'...ainda não sei o que fazer com isto mas sinto que ele tem razão.
Com o tempo as pessoas perdem as suas ilusões,os sonhos tornam-se um fardo e aparecem ideias que enclausuram o modo como se vê o mundo.Conclusões derrotistas,ou apenas honestamente derrotadas.Tudo endurece e estagna.A vida é dor.
A mentalidade traduzida e adaptada de um adulto na cabeça de uma criança.E nós sabemos que sempre se pedem coisas em traduções.Abri os olhos cedo de mais e vi ...a realidade.Destorcida,inacabada,crua demais.

Mas o tempo de luto já passou.

Os budistas dizem que o sofrimento nos aproxima do nosso ser interior.Acredito nisso,acredito que o tempo que passou não pode ser alterado e que aceitar o sofrimento e amá-lo é o mais inteligente a fazer.O tempo nunca trabalha contra nós.A simplicidade do que nos resta é sublime.
Aperceber-me da simplicidade onde o caos é a lei será a mais dificil e recompensadora tarefa de toda uma vida.Depois de tudo escolho ver que não fui usada por uma vida que não era minha mas que tive o privilégio de ganhar uma vida.
Ganhei uma vida.Uma prespectiva diferente...que vai mudar a maneira como olho para as coisas para sempre.

Ainda sinto dor e medo...sempre os hei de sentir,mas já não os vejo com os mesmos olhos,e lido com isso de uma maneira totalmente diferente.

Agora o trabalho a fazer é muito,uma maneira de estar profundamente enraizada não se muda num segundo.Num segundo muito pode mudar mas não tudo.Todos os pensamentos teem de ser revistos,pesados,descartados ou re-aceitados.A vida continua...e nesse processo vislumbra-se uma pessoa novinha em folha,pronta a ser descoberta.
Uma nova mente.
Sonhos prontos a ser sonhados e libertados em seguida para que possam atingir a realidade.Freedom of thought...

São nestes tempos conturbados em que vivo e em que vivemos todos,na solidão de tudo,na multidão de tudo...no silêncio e na loucura,na sanidade berrante e colorida.
No perfume inebriante das imagens em movimento.No mundo.

Resta saber...''D'ou venons nous?...Qui sommes nous?...Ou allons nous?''
Podia pensar que voltei á estaca zero,mas acho que isso não existe nem nunca existiu.

aware

publicado por aware às 01:42
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1 comentário:
De a 21 de Agosto de 2005 às 20:29
Sempre a melhorar-nos
Bjos***Bispo
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(mailto:joaobispo@hotmail.com)