Segunda-feira, 20 de Março de 2006

Alma irreconhecível...



Hoje fiz aquilo que devia fazer....aquilo que tenho adiado para as perfeições do amanhã.Enquanto desabo por estes ultimos meses.

Tento equilibrar mais um par de cartas na torre que se arrepia às minhas mãos.

Ultimamente tenho tido um pensamento recorrente que não me têm deixado escrever.É um mal que se têm espalhado por tudo o que penso...
Já não consigo dizer o que me magoa e o que me habita.

Essa é a derradeira liberdade do mal.

Eu sei o que isto é...e não é o silêncio.Lembro-me de onde o aprendi e volto:

''O silêncio e o mutismo têm um significado muito diferente.O silêncio é um prelúdio de abertura à revelação,o mutismo é o fechar-se à revelação,seja por recusa de a receber ou de a transmitir,seja por punição de a ter misturado com a confusão dos gestos e das paixões.
O silêncio abre uma passagem, o mutismo impede-a.
Segundo as tradições,antes da criação havia o silêncio;e haverá de novo o silêncio no fim dos tempos.O silêncio envolve os grandes acontecimentos,o mutismo oculta-os;um dá às coisas grandeza e magestade;o outro despreza-as e degrada-as.
Um marca o progresso o outro, a regressão.
O silêncio,dizem as regras monásticas,é uma grande cerimónia.Deus chega à alma que faz reinar em si o silêncio,mas torna mudo aquele que se dissipa em tagarelice e não penetra naquele que se encerra e se bloqueia no mutismo.''

Sim...eu sei.Ainda me lembro,ainda o sinto...distinto.

E assisto ao que se passa com a minha alma como quem assiste no escuro da cumplicidade à sua ópera preferida.

Vejo a casa a ser fechada.As coisas a serem cobertas por panos que as protejam do sol e do pó...roubando-lhes a forma a utilidade e a beleza.As janelas fechadas e as portadas corridas.
Tudo o que resta no interior são formas brancas na penumbra abafada e chega a altura de fechar as portas.
Uma por uma as oiço fechar,em cada uma o trinco e o chocalhar de chaves e cadeados.Todas até à ultima...girando nos gonzos lentamente...

Hoje fiz aquilo que devia fazer,uma das coisas foi pôr um pé entre a porta e a soleira.O limiar...e a porta pára aí com um leve baque.

Fico na escuridão e é pela fresta vertical que olho para o mundo...uma fresta que projecta uma linha de luz dourada no interior,queimando o chão e as paredes nuas.
Queima-me também...mas não há nada que eu possa fazer.Não posso deixar que a porta se feche.A linha de luz... parece queimar o meu olho atravessando-o.

Presa naquele momento de dor que se sente nos segundos que o corpo precisa para se habituar à luz.Presa porque nunca deixo a escuridão.

Algemada aos segundos...entre a linha de luz e a linha de sombra.

Sem palavras,sem boca sequer,um olho consumido pela linha de fogo e outro pelo rio...sem fim. Já não sinto o meu corpo.

Já não sei quem sou...vivo porque ainda respiro...a minha alma abafada entre soluços e pó.Na penumbra...


Aware


publicado por aware às 23:16
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