Terça-feira, 11 de Abril de 2006

Cinzento



 Enquanto eu falava para a multidão e a minha voz se espalhava pela sala...entendi.

Entendi o quanto as pessoas me veem...percebi o quanto sou invisível para mim própria.

Vi como não consigo ficar orgulhosa das coisas boas que faço ou da pessoa em que me transformei.
Não sinto o que me dizem e as caras tornam-se...vazias.
Quando a capacidade de sentir morre o mundo torna-se cinzento.

Vivo ao lado de cada momento da minha vida esperando sentir aquilo que vejo acontecer.Sem respirar...

Estes dias foram mais uma vez uma tentativa de acordar alguém dormente.Até ao limite da violência...até à dor da exaustão,até ao vazio.Desta vez através do meu corpo...
Como a minha consciência é dividida e destruida pelo pensamento implacável o corpo é destruido pelo movimento continuo.A teoria e a practica...

Ele notou que o corpo em cima da cama não se mexia...olhou com todo o terror para o corpo tentando perceber os movimentos lentos da respiração.Aproximou-se e chamou...mas a palavra unica não foi duplicada...agarrou nele e sacudiu-o com força sentindo a sua própria força desfazendo-se entre as suas mãos.O desespero fê-lo gritar...e bater,destruir,acabar.Não sei se dormia...já não sei se dormia...

É isto que vejo.

Todos os dias o vejo,todos os dias...vivo o sofrimento de não viver o meu sofrimento.O meu corpo e a minha consciência vivem separados...e por mais que tentem um não consegue acordar o outro.Acordariam se estivessem juntos,se eu fosse uma e não duas.Mesmo assim chorei sem saber porque o fazia.

Enquanto voltava tentei perceber estes utimos dias...como foram maravilhosos e inócuos ao mesmo tempo e isso deixou-me silênciosa.Espanta-me como deixei de conseguir ver o meu mundo a cores.Vi-me tão nitidamente...e vi como estou tão desfocada.
Vi que o mundo me sente...embora eu não sinta o mundo.

Disseram-me que era alguém...e eu soube,mas não o senti.

Enquanto voltava pensei no que vivi e como a minha percepção das coisas de alterou com o tempo...vendo os campos passar,completamente cobertos de côr...ouvindo o som imaginário de uma multidão que assiste a um fogo de artificio numa noite de passagem de ano.Na estrada cinzenta...

...na estrada cinzenta.


Aware
publicado por aware às 02:01
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