Quinta-feira, 13 de Abril de 2006

Habeas corpus...



De um momento para o outro...caio em mim.

Abro as janelas na noite fresca e deixo entrar o ar que perfuma a rua em horas interditas.

Molha a casa de luar e a minha pele reluz prateada.Num misto de emoções vívidas o meu espirito relembra gostos antigos.A serpente de alcatrão dorme lá em baixo...com alguns arrepios suaves na respiração...os sonhos,passando.

Sinto-me acordar...e regressar ao meu corpo,regressar à minha vida. Sinto que regressei...finalmente a casa.Em mim.
De um momento para o outro a morte do sol e os gritos das andorinhas fazem sentido, a paz da minha cidade volta a ser a minha paz.

Agora reconheço todas as cores,todos os cheiros...todos os movimentos e sabores.

Eu lembro-me,eu compreendo...eu pertenço.

Fecho os olhos e inclino-me  na direcção da brisa, agarro a felicidade com os dedos frios. Esperei por isto tanto tempo e sinto defenitivamente que esta noite é só o principio da chegada da minha alma...finalmente,finalmente o regresso começou.

Não se consegue descrever esta doçura...sentada na frente da janela aberta com o sabor das estações que mudam entre os lábios. Quem me dera poder prendê-las ali...
Aquele momento, em que muda o cheiro do ar e em que percebemos o principio da nova estação,em que sentimos morrer as saudades de antigas memórias e cheiros conhecidos,o principio inequivoco de algo novo.

O meu corpo é-me devolvido.

Com tanto trabalho e sofrimento finalmente me consegui resgatar...de um momento para o outro...senti. Senti-me,senti o mundo,as emoções,as antigas e saborosas emoções empoeiradas mas muito puras...como no prinicpio.
A noite é clara...tão clara que as nuvens se iluminam e na rua as sombras projectadas lambem a terra e abocanham-na em beijos... tão apaixonados como discretos.Em ruas e pátios escondidos,onde penduradas as roupas ondulam em azuis e frescuras.
Ao fundo da minha rua duas leoas agachadas no passeio bebem o alcatrão e as minhas memórias voltam...voltam como amigos perdidos.

Estou a voltar e sinto na minha boca seca de pó e pesadelos os primeiros golos da minha alma liquida. Tenho fome também...de figos acabados de cortar.Tudo se irá compôr,acredito nisso,independentemente do passado e todos os seus tons de horror.

Sublime noite...como um lenço de seda...tão raro como suave.


Aware
publicado por aware às 01:12
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3 comentários:
De Ser-se em Palavras a 13 de Abril de 2006 às 03:07
Sublime noite.. em sublimes palavras de uma energia delirante, uma vida que renasce, uma luz que reaparece, chuva pura de sorrisos..
Bonito texto=)
Beijos****
De Maria Papoila a 13 de Abril de 2006 às 21:53
Tenho andado meia distante mas hoje rerencontrei-te reencontrada. Que texto belo e forte deste reencontro suave da alma com seu corpo distante. Venho deixar-te um Beijo
De Samuel a 14 de Abril de 2006 às 00:42
Lindíssimo! Noite bela, sentimentos belos...
Não fose ela noite de lua cheia e tu a menina da lua.
É bom quando nos encontramos depois de tanto tempo. O mundo a cores, novamente.
Agora há que desempoeirar essas memórias e emoções há tanto tempo abafadas. Puxa-lhes o brilho, veste-as com a prata da lua ***

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