Domingo, 23 de Abril de 2006

No bravery...in your eyes anymore.


Lá fora no escuro o trovão troa...longe,como as ondas que se quebram onde eu não as vejo.

Nos momentos fugidios em que o céu se ilumina e me surpreende,lembro-me de momentos como esses e como são sempre tão efémeros,neste caminho escolhido por mim. Não consigo deixar de me sentir tão triste...que quase não consigo respirar,nesta guerra.

Fecho as mãos uma na outra e rezo.

As lágrimas correm e eu rezo mesmo sem palavras porque preciso de coragem, a que não sinto.Choro para me cegar,porque agora...consigo ver.

E é tão difícil....tão difícil.

É como nascer.

Ou morrer...Já não me lembrava deste peso no peito, já não o sentia há muito tempo.O peso da verdade,o peso da responsabilidade...a visão de futuros. Só isto consegue explicar a guerra e a leveza assustadora. Várias,talvez mesmo todas as chaves...ou apenas uma.
Mesmo antes de as ter já sabia o que significavam,não sei como,mas sabia. Impossível não sentir o seu poder. Um poder que sonhei durante muito tempo poder facilitar a minha vida,mas que me tem levado para longe, cada vez mais longe de qualquer paz.

"O simbolismo da chave está com toda a evidência,relacionado com o seu duplo papel de abertura e fechamento. É,ao mesmo tempo,um papel de iniciação e de discriminação. (...) A chave é o simbolo do mistério a penetrar, do enigma a resolver,da acção difícil de empreender, em suma, das etapas que conduzem à iluminação e â descoberta."

Um vislumbre de uma verdade abre caminho a essa verdade, que por sua vez amplia a nossa percepção e nos leva à verdade seguinte...e quanto mais real o nosso mundo se torna,mais as duras se tornam as simplicidades. Mais visível e difícil se torna o caminho.

Não se consegue fugir a uma verdade. Alguma coisa tem de ser feita.

Alguma coisa tem de ser feita, a verdade exige acção, ou com o passar do tempo pervertê-la-emos. Parte de nós morrerá a horrorosa morte viva...a verdade nunca morre,mas nós sim. A verdade continua mesmo depois de ter comido grandes pedaços da nossa alma. Há verdades que nos sobrevivem, muitas vezes apenas porque não as vemos ou porque escolhemos deliberadamente não as reconhecer. 'O pior cego é aquele que não quer ver'.
Agora, depois de tanto tempo, antigas verdades reaparecem. O tempo parece não lhes ter retirado nenhum pormenor e agora resplandecem nitidamente de toda a dor que geraram e continuam a gerar,ecoam nos vazios desabitados do Eu.

No meio de tudo isto penso nos momentos breves em que sinto o calor da nova vida,em que me permito sentir-me bem. Compreendo muito melhor o sofrimento agora,sinto o justo e necessário,agradeço-lhe continuando sem confiar na felicidade...receio demasiado a alienação. A diferença é que agora até no meu sofrimento existe calor,o calor indesmentível da alma. Quer dizer que mesmo nos momentos difíceis eu não deixo de existir. Agora o que se segue ao sofrimento não é o abismo, sou eu...a minha alma segura-me.

Seguro-me ainda porque não sei o que fazer com o que tenho em mãos.

Estas chaves,este poder...a visão. Não sei o que fazer,vejo o que tem de ser feito e acho-o uma tarefa grande demais.Ou melhor...sinto-me encolher em humildades.
Só consigo sentir o chamamento e o potencial destrutivo desta nova realidade.

Como se estivesse em frente do Leão,a própria encarnação do poder,da sabedoria e da justiça, só penso em ficar quieta ou mexer-me muito devagar. Sei que não posso parar.

Não posso parar.


Aware
publicado por aware às 23:38
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