Quinta-feira, 27 de Abril de 2006

O dia namora comigo agora que passou.



Escrevo-lhes do vapor que se descola da minha pele.

Do conforto quente e pesado de um dia raro. Um dia estranho e bom.

Escrevo-lhes  do nevoeiro...desta manhã. Um nevoeiro tão cerrado que quando abri a minha janela pensei que o mundo tinha desaparecido.
Enquanto descia para a rua apertei a roupa ao corpo. Esperei na soleira da porta,como sempre, pensei: hoje esta rua não acaba nem começa.
Esperei e comigo em cima de um telhado esperou um magro gato preto, amei-o por isso. Por tudo o que foi aquele nada, meio adormecido,meio enregelado, penitente, sagrado e moribundo.

Viajei no cinzento até ao reino do subconsciente,até ao sítio para lá dos olhos. Quando acordei o céu estava limpo. Azul irrepreensível, como o estalo de um lençol acabado de lavar...aqueles que agora me esperam em suavidades contidas.
Comi a comida que veio da terra,com sal e com gosto, depois de ter descoberto que estava faminta.

Fechei os olhos por momentos e quando os abri outra vez cheirava-me a verão e a espuma do mar picava-me no nariz. Deitei-me na areia a ler outros mundos, olhei muito tempo para uma vela branca ao longe entre dois tons de azul desfocados por um ultimo véu do misterioso nevoeiro.
Foi quando descobri que em cima do meu corpo,absolutamente enamorada, uma aranha do tamanho de uma moeda grande.
Sorri envergonhada, senti-me especial por causa desse amor tão fugaz e tão óbvio.
No meio da cidade procurei em todas as estações de rádio mas tudo o que tocava era música espanhola...que confusão. Salva por uma musica antiga, absolutamente perdida, como sempre.

Adormeci, sem me aperceber, em cima da minha felicidade intangível.

Caminhando depressa no sol de fim de tarde, vi cinco gatos na ruela atrás da minha casa...ainda cheirava o café acabado de fazer enquanto me vestia para trabalhar brincando,ou brincar trabalhando...já não sei. 
Sei que por entre as frestas verticais das janelas começou a entrar uma aragem absolutamente cor de rosa...e depois violeta...e depois azul escuro.
Igual em todos os detalhes à nódoa negra que tenho no cotovelo direito...tão presente como a dor leve do corpo cansado.

Agora na escuridão límpida da noite sento-me com voçês e oiço as cigarras...e muitos outros sons que conheço desde sempre mas que não sei de onde veem.

Escrevo-vos dormindo sobre este dia estranhíssimo...mas o que aqui ficou não foram os sonhos,foi a realidade. Quer acreditem quer não.

Hoje aconteceu qualquer coisa...ainda não sei  o que é.

Vou dormir. Preciso de sonhar...


Aware
publicado por aware às 22:52
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2 comentários:
De Ser-se em Palavras a 28 de Abril de 2006 às 20:06
Um dia que pareceu um daqueles sonhos que temos cheios de momentos estranhos.. enigmáticos, cheios de cor e sabor..
A vida é um sonho.. a realidade também os consegue espelhar.. :)
Andas a escrever muito muito bem=)
Beijos*****
De MoonLight a 1 de Maio de 2006 às 16:48
Espero que os sonhos te tenham trazido o que procuras alcançar! Bjs de Luz

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