Sábado, 20 de Maio de 2006

..."Knights in White Satin"



Encontrei esta imagem e guardei-a...segura de que guardava um pedaço de ti. Olho para o farol enquanto o sol se põe digo adeus...o ar empregnado está da noite que ainda não se vê.

Depois de a ter guardado durante tanto tempo finalmente preciso de a libertar. Nunca foi minha.

'' Sacrifício:  Acção de tornar sagrado alguma coisa ou alguém, isto é, separado de quem oferece, quer seja um bem próprio quer a sua própria vida; separado, igualmente,de todo o mundo profano; separado de si e de Deus,como demonstração de dependência, de obediência, de arrependimento ou amor. O bem que é assim oferecido a Deus torna-se inalienável--é por isso que é muitas vezes queimado ou destruído--ou intocável, passando a ser propriedade de Deus e, a esse título, fascinante e temível.
O sacrifício nunca é uma mutilação da natureza, pois há unidade entre o corpo e a alma, um e outro conjugam-se e ajudam-se mutuamente no seu lugar respectivo. Esta união é tão intensa e íntima que a alma segundo o pensamento hebraico, tem um suporte material no sangue(...) Entre os Gregos, o sacrifício era um símbolo de expiação, de purificação, de apaziguamento(...)Depois da imolação... (...)No entanto, estas representações simbólicas da vitória participam de um poder mágico:têm de permitir que se realize aquilo que representam.A realidade mão é mais do que um pensamento manifestado;uma palavra interior que se exterioriza.Por isso o sacrifício celebra em primeiro lugar, uma vitória interior.''in Dicionário dos Símbolos

Sim...finalmente.

Na vida se estamos presos a uma alma que quer ser boa não podemos fazer aquilo que é fácil, estamos confinados ao que é certo e justo.

Depois de tanto tempo de incompreensão,consigo ver como me escondia e evitava esta separação.
Só agora percebi o que tem de ser feito.
Vivi durante muito tempo acompanhada pela tua presença invisível,pensando como se me ouvisses,escrevendo para me leres,sem perceber esse castigo a que me submetia,confundida com ignorância remorsos e saudades.
Recusando o significado do silêncio e tornando-o invisível...insensível. Só agora o consegui aceitar e nele entrever por segundos apenas a possibilidade da dor.
Uma dor soterrada pela falta de palavras...
Aquela que criei...uma porta entreaberta que me deixou ver a que já lá estava muito antes de mim, muito maior que eu ou tu.

A que vi assim que te conheci...reconheci nela a minha, a nossa, a do mundo.Como te adorei por isso...

Sei que generalizar comporta os seus riscos, especialmente se sabemos pouco do que falamos, sei que nunca pertenci...mas também sei que isto está a mudar e que uma opinião tem de ser alterada ao longo do tempo para se aproximar cada vez mais da realidade...
Lembro-me de críticas que vi nos jornais, de me rir quando ouvia dizer que o nosso país era  povoado de tolos sentimentais e fatalistas, que mais facilmente caíam no saudosismo e na crítica do que se preparavam para aceitar a realidade...quanto mais fazerem um esforço consciente para a mudarem. Sempre aceitei isso como uma realidade, neste país que nunca foi o meu até eu me aperceber que nasci aqui...
Até o ver mais claramente do que nunca em ti.
Deste-me qualquer coisa real que apenas tinha encontrado em livros antigos de poetas mortos, o que me confundiu e irritou,que me obrigou a questionar a razão deste ressentimento.
Tudo isso me fez compreender que não podemos censurar nem o povo nem os poetas por serem um espelho do mundo...são como crianças desorientadas pela loucura da fome.
Sabemos que uma alma demasiado sensibilizada pela privação se torna por vezes demasiado sensível e até romântica perdendo-se facilmente na amargura dos sonhos irreais e frustrados.

Podia continuar, mas esse não é o meu objectivo...quis apenas mostrar-te como a tua vida impressionou a minha.Sem me aperceber dei-te autorização para me mudares.
Recordaste-me de que ainda tenho a capacidade para ser alterada pelo mundo,a capacidade para aceitar o amor.
Amor...como tenho usado mal essa palavra. Através do estudo e da sua comparação com a vida tenho vindo a ganhar um respeito ainda maior pelo amor. Cada vez mais lhe descubro a sua verdadeira natureza, aceito cada vez melhor os seus paradigmas e a sua honra.

É ele que me leva ao meu objectivo...a altura de me despedir de ti.

Quero dar-te a solidão que quiseste para o teu silêncio,quero respeitar as tuas escolhas e perdoar-me por me ter deixado arrebatar pelas minhas.
Sacrifico aquilo que mais me custa sacrificar...a imagem que tenho de ti.

O sonho e a realidade...tudo.

Só agora compreendo...estou a despedir-me de duas pessoas.

"Tive falta de espírito, faltou-me a coragem; mas só se tem coragem com quem se ama amando-o menos."  Stendhal  in Do Amor

...Depois da imolação, o sacrificador deve sempre ter o cuidado de se retirar sem olhar para trás. Sim...eu sei.


Aware
publicado por aware às 15:44
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2 comentários:
De Cátia a 22 de Maio de 2006 às 14:37
Lindo! =)
Beijinho*
De Art Of Love a 23 de Maio de 2006 às 00:28
Ware,
Este teu post, em forma de introspecção está simplesmente fantástico. Nem imaginas como me revi nele... e há tanto para dele ser retirado...
A frase que mais retive de tudo o que aqui li, foi esta:
"Na vida se estamos presos a uma alma que quer ser boa não podemos fazer aquilo que é fácil".
É bem verdadeira, mas quantas vezes nos falta a coragem para assumir que é assim mesmo?
Bjs.

PS:. Há tempos num comentário que fizeste lá no meu blog, dizias que sempre que comentavas um texto meu, ele apagava-se. Fica descansada, porque os comentários não se apagam. Apenas eu tenho activada a moderação dos comentários, e por isso eles só são publicados depois de eu os visualizar, e autorizar. Continuarei à tua espera por lá, e a contar com as tuas palavras de conforto, que tão bem me sabem.

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