Sábado, 27 de Maio de 2006

the unfeeling kiss



É tão difícil as vezes...ouvir música e não chorar.

Sentir o mundo tão grande e ficar paralisado à frente dele, como um animal à frente dos faróis de um carro...sem poder absolutamente nenhum.

É difícil relembrar coisas de que nos preferíamos esquecer. Em sociedade é difícil rever coisas que nos esforçámos por esquecer...certos padrões de comportamento. É decepcionante...

Condiciona o espírito, gasta a alma e sobretudo faz com que me trasforme numa pessoa irascível. Gera o ódio...impressionante sentir como o meu corpo o bebe, tão sofregamente.
Quase me esquecia de como é tão simples...a guerra.
Por vezes o que vemos e ouvimos parece ser uma piada de mau gosto, tão ofensiva que ressoa através da história da humanidade em todos os momentos tristemente embaraçosos, mas tão banais.

Difícil admitir que tenho saudades do meu gato que morreu.

Sentir que não houve suficientes ocasiões para celebrar na vida...ou que se as houve não foram celebradas. Salões vazios...
Lembra-me um dos muitos dogmas em relação á vida, um que diz que se fizermos os gestos eles por si significarão qualquer coisa.
A verdade é que com o tempo todos os gestos se esvaziam de significado se não lhes prestarmos a importância que têm. A intenção desaparece muito mais depressa do que se supõe...a alma começa a caminhar ao nosso lado e estranhamente o nosso corpo continua a mover-se, a criar momentos que a alma vê mas não sente. Que guarda e relembra sem a sensação de os reviver mas como alguém que olha para um quadro pintado...que evoca mas que faz sofrer pela sua distância tão intransponível.

É difícil sentir que se morre todos os dias por não prestar suficiente atenção a quem somos. Por não conseguir ver a realidade pelo que ela é...nem sentir a inspiração pelo que poderia ser. Não conseguir sonhar.

Sentir que não existe realmente uma pessoa que nos possa ver e curar. Sabendo muito e sentindo que mesmo isso não é é o suficiente para ser bom.
Querer desistir e saber que não existe quem no proíba.
Ter pena de nós próprios e dizer obscenidades entre dentes por não o conseguir evitar ainda com a vívida memória, de querer ser lembrada, dentro de um punho cerrado.

Não era uma espiral...era um círculo.

Está tudo a recomeçar.

Olho para o céu e não consigo ver as estrelas,tudo o que resta é a escuridão...tento gritar por socorro mas só me saem lágrimas. Não se ouvem, nem se vêem.

Não lhes resisto, não me desculpo.



Aware

publicado por aware às 23:30
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