Segunda-feira, 3 de Julho de 2006

suspended realitys



Uma corda que estala e se parte, um baque surdo e molhado.

Violência...sim.Sem alma ou sem corpo, o que interessa? Porquê esta necessidade irreprímivel de detestar a beleza? Aconteceu...

Their eyes licked my burning red wet face with a mixture of pitty, scorn and delight as they savoured my shame. I tryed to escape, my soul screamed and skwirmed like an animal under the humiliation...my voice could only whisper ...''não, não...tenho de ir''.
It happened in front of them...again.

Sim, sou fraca. Podes odiar-me agora...se ainda te lembrares de passar por aqui.

Chorei até adormecer e dei-te razão a cada segundo, odiei tudo o que é fraco. E sim, odiei-me tanto que pensei em morrer. Tão fúteis são os pensamentos...como esta necessidade de te abraçar e de saber que está tudo bem.
Quando acordei o mundo tinha mais uma vez continuado sem mim. Tomei banho e vesti-me, para tentar parecer-me com qualquer coisa humana,qualquer coisa que os outros conseguissem reconhecer como ''eu''. Resultou...o dia passou..

Nessa noite passeei na rua e a musica tocou no meio dos livros. Ao meu lado estava um cão abandonado, encostei a palma da mão na cara dele e ele não se mexeu, durante muito tempo. Ergui-me e cheirei o céu...ele fez o mesmo.Talvez.

Consegui ouvir suavemente a outra metade da conversa única, da palavra única...''o um que são dois''. Lembro-me de ter dito que é uma pena que o Sonho seja uma esfinge,porque no mundo não existem respostas únicas,que o sofrimento acaba por ser proporcional ao perto que se chega da resposta...continuo a tentar não pensar nisso.

Mas não desisti...esta manhã fui ao escritório e tive uma conversa honesta com o meu superior. Disse-lhe que não queria desistir.
Fiquei surpreendida quando, ao ter de lhe explicar que tinha estado doente e que me enganara ao pensar que agora estaria melhor, percebi que ainda nunca o tinha ouvido antes.
Só assim consegui perceber o que a guerra me tirou,como receber um postal de uma pessoa morta numa guerra que acabou há muito...olhar,de repente,para baixo e ver o meu corpo numa cadeira de rodas.

Não desisto e tento emendar-me e à corda que se partiu. Tenho de me obrigar, horrivelmente, a pensar que as coisas se compoem. 

Como os poemas se compoem... ou as canções. 

Continuo...suspensa,ainda não estou completa. Mesmo que tenha de repetir os pimeiros versos ad nauseam, para os corrigir ou para tentar chegar à proxima palavra, sei que nao existe outra alternativa senão continuar.

Nada está nas minhas mãos e quanto mais tento fechá-las mais se escapa o que tento capturar. Não sei o que procuro...mas mesmo assim guardo as mãos abertas.

Agora sorrio...porque escrevi.

Aware
publicado por aware às 15:54
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3 comentários:
De jkanoni a 3 de Julho de 2006 às 17:41
Deixa as mãos abertas... outras hão-de encontrá-las... e quando sentires os dedos a tocarem-se, os corações a palpitar em sintonia... então fecha-as! Bjs
De Samuel a 4 de Julho de 2006 às 12:35
O mundo continua sempre, sem nós, sem ninguém.
Cabe-nos correr para apanhar a corrente.
beijo*
De Vincent a 7 de Julho de 2006 às 00:30
Há coisas que se seguram com o coração. Captura nas tuas mãos o que já não tem lugar nele. E abre-as a favor do vento. Vira-te e o mesmo vento trará a vontade. A vontade do sabor. A cor do sabor.

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