Terça-feira, 11 de Julho de 2006

all is lost...but hope



''Those who cannot learn from history are doomed to repeat it.''

Tinha acabado de abrir a porta, e quando a atravessou, o calor lambeu o seu corpo como um pesadelo vivo. Numa palavra?

Opressivo.

Sentei-me debaixo daquelas nuvens como qualquer alma torturada. E depois as alucinações...

Era o céu, a elevação do espírito, sensação das alturas e de vertigem.
Olhou para baixo e antes da terra viu um corpo envolto em traços negros. Garras seguravam-no pelo peito e nesse momento a sombra gigante fez a pele estremecer de dor. Como se a própria sombra fosse infecciosa.
Deu-lhe a sensação irrevogável de que ia morrer.

Era uma águia, um animal fugido de um livro de mitologia naquelas noites antigas em que lia velhos livros antes de ir dormir.
O cheiro do desespero...acordou-a. As garras apertaram-se, cada vez mais, o coração, a destruição e as lágrimas, o som do choro...aquele som horrivel do choro. Consegues lembrar-te daquele som?

As nuvens passam-me pelos olhos, durante horas, enquanto olho para o mar. A teimosia do vento fervente morre e o céu começa a cair, devagar.
As gotas frias que caem, escorrem pelos caminhos já certos da minha cara.

Estou perdida.

Acordo e os lábios entreabertos deixam escapar algumas gotas do veneno tão bem guardado. A febre...

" Tudo isto me impede de viver, odeio...odeio...odeio.

Que me lembrem da felicidade, que me lembrem das minhas próprias falhas, que metam os dedos tão impiedosamente dentro todas as chagas que cobrem o meu corpo.

(Também tu fizeste isto....e não me perdoaste por gritar de desespero. Não consegui evitar... e sinto falta de um perdão que insulta a minha dor. Podias acabar com isto mas deixas-me sofrer,nem acreditas com que devoção te dedico esse sofrimento.)

As feridas...todos os dias tenho de acordar e recordar...lavo-as e mudo as ligaduras que tive o cuidado de ferver na noite anterior, mas assim que me mexo dão de si e encharcam uma alma que toda a gente consegue ver.
É assim que tenho de viver, quando todos conseguem andar imaculados e ocultos fazendo a vida com actos tão simples como irrefutáveis...sangrando em privado,aqueles que ainda teem sangue.
Parecem todos tão naturais. Afinal é tudo tão simples...já se mataram pessoas por menos. Querem que funcione destruida..."

A lua cheia não me deixa dormir. Enlouqueço...

Aware
publicado por aware às 20:45
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2 comentários:
De Miguel a 18 de Julho de 2006 às 14:06
Eu acho que poucas coisas do humano são naturais .. quanto mais evoluimos para esta metamorfose de sentimentos, dores, experiências, mais longe vamos estando de um estado natural que esse sim.. tem tanto de simples como os proprios sentidos e de complexo como a natureza funciona e nos faz funcionar. As feridas não têm que consumir o corpo e a alma .. e deixar que elas façam correr o seu veneno.. e nos influenciem os comportamentos... vamos é à procura da garrafinha magica com o antidoto para o veneno e para as feridas .. e essa n cai do ceu ... mas nasce da nossa vontade.. e olha que não precisamos fugir ao mundo encantado dos sonhos para descobrir esses antidotos.. :)
Parabéns a mim lol e parabéns pelos teus textos .. cm sempre****** bjs
De Paty a 3 de Junho de 2008 às 19:32
No meu ver não existem acasos e por isso, nem sei como, nem porque entrei neste tão blog, cheio de lindas palavras e de sentimentos tão profundos e identicos aos meus.

Adorei o comentario do Miguel. Mas compreender que é na vontade que podemos encontrar o anti-doto, já é um passo. Tenho consciencia que o preciso de encontrar, mas sinto ainda perdida no caminho...

Parabens pelo blog,
Obrigada pelas palavras que tem na sua composição uma certa dose de antidoto á dor e incompreensão.

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