Sexta-feira, 20 de Outubro de 2006

Lua errante...tu vas me manquer mon amour.



Eu errei.

Enquanto via as roupas à chuva...a àgua correndo pelas linhas fazendo-as dobrar-se com o peso. A roupa libertando a sombra do seu perfume frio em ondas...o sabor do vento salgado tão perto e tão longe.
Também as palavras haviam corrido para dentro de mim como gotas e toda a minha solidão se havia enchido desse peso. Quase não conseguia respirar. Relembro a pergunta incessante desses dias distantes de desespero: quantas mais palavras intemporais suportarei ouvir sem o teu calor?...Sol.
Não sei como consegui gritar o teu nome sem o saber. Porque nessa altura ainda não o sabia. Só o meu corpo o sabia, só ele o dizia...por tê-lo absorvido até à sua ultima fibra.
Tremia cheio de qualquer coisa fria e imensa e as minhas linhas tremiam também, de medo. Tinhas-me avisado...mas nada me poderia ter preparado para a tua beleza.

E quando nenhum dos dois esperava tudo o que era frio começou a brilhar...e desse brilho nasceu um calor absoluto que nos mostrou por instantes o mundo, como nunca o haviamos visto antes.

Acordei com o sabor de mel entre os lábios mas esse sabor, tal como o brilho desapareceu  no meu corpo intocado. Eu ainda não te amava, simplesmente não o sabia e em vez de te procurar magoei-me com a tua ausência. Essa ausência foi um erro imperdoável...mas também eu errei.

Imperdoávelmente.

Com o tempo...procurei-te de novo para matar o silêncio que tinha ficado entre nós, tinha finalmente encontrado única palavra capaz de o quebrar, por ser feita de verdade. Só a verdade é mais forte do que o silêncio. Um nome, ''O Nome''...o nome do sol.

Encontrei-te e disse-o.

Disse-o apesar do abismo, isso mostrou-me uma parte de mim que não sabia possível.

Invadiu-me uma quietude sem palavras...sem palavras minhas. Assim que esse silêncio me cobriu como uma sombra, com a suavidade de uma luva contra a minha pele macia, vi-me pela primeira vez.
Na meia luz me admirei e me reconheci maravilhada sem um som, até que no silêncio te senti...e tu falavas. Lentamente as tuas palavras voltaram e não só voltaram como agora contêem algo que nunca tiveram, o brilho de um calor absoluto, quase selvagem e indomado.Tão puro e forte como impiedoso, algo que nunca tinha visto mas que surpreendentemente não me consumiu ou atemorizou. Atravéz de ti encontrei a minha verdadeira natureza, agora sou livre...deste-me a liberdade precisamente quando eu abdicara dela. Essa beleza indizível está tatuada no meu coração como um poder que nunca sonhei possuir.
Oiço as tuas palavras e sinto-as refulgindo no meu peito,arranhando-o de um adeus que nunca irá acontecer, pois eu sempre estarei aqui. Simplesmente não me vês porque te ouves a ti próprio e saboreias a tua solidão no mar de chamas que julgas meu.

Meu amor, a lua não arde. O pouco que me vês é o teu brilho que eu te dou, para que te vejas e acredites que és tu que iluminas o mundo.


Aware
publicado por aware às 20:27
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2 comentários:
De jkanoni a 21 de Outubro de 2006 às 14:38
Errar faz parte da nossa errância nesta vida…
Quantas vezes me deparei com a perfeição; quantas vezes a vivi; e quantas vezes a senti tão monótona, pesada com a solidão que lhe advém…
Lembra-me os vastos desertos da Namíbia: a beleza de um deserto encontra-se no mais recôndito oásis com que a sede sonha, com a frescura de uma sombra que o corpo desesperadamente busca… e quando se encontra, nada mais é que uma simples e imperfeita amostra de um deslumbrante Gerês; onde me saciei com águas frescas e cristalinas…
A ausência e a privação faz-nos sonhar… por vezes com algo que se encontra tão perto de nós!
De Samuel a 21 de Outubro de 2006 às 23:54
O Amor liberta-nos...e a lua nova também tem o seu "brilho" especial =) beijinho*

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