Domingo, 5 de Novembro de 2006

Luz e solidão.



Fico nas horas que passam devagar, ouvindo o som continuo da chuva que não vejo.

Dentro de mim aguardo. Pelos que não me vêem...

Sento-me no calor do meu coração e entre os dedos seguro um pequeno livro. Encontro-me na simplicidade de me sentir dentro daquelas letras.

Relembro o poder daquele encontro e compreendo-o. Foi puro...

Temo pelas pessoas que vivem momentos e neles se prendem.
Por vezes a intensidade da beleza ou da dor capturam uma determinada fracção da nossa alma. Deixamos para trás essa cópia temporal de nós mesmos, sentada, pacientemente na companhia de um momento no tempo. Perdendo um pouco dos nossos olhos e de vista a dimensão da caminhada que continua, porque o nosso corpo nos carrega dentro do presente, inexorávelmente.
Existe quem tente recriar momentos iguais, mas a esse esforço, independentemente da sua força e do seu empenho, só é proporcional uma desilusão.

Não existem dois momentos iguais.

Tal como não existem duas caras iguais.

Prendermo-nos num momento, num único momento, numa única emoção é abdicar de todos os que se seguem e de todos os que o precederam.
Não é sequer permanecer fiel ao próprio momento porque esse é um abraço demasiado estreito. Ao longo do tempo é esse mesmo abraço que desvirtua aquilo que mais queria preservar.
Nada sobrevive sem espaço para crescer e se firmar...para se tornar naquilo que é e perceber que isso em si também significa uma mudança contínua. Ideias, momentos, emoções e memórias não são excepção porque fazem parte de nós. São o material que nos acondiciona, devemos respeitá-lo tanto como ao nosso corpo. Ambos são o barco que nos trasporta através de mais do que conseguimos ver ou imaginar.

Agora, inesperadamente, sinto o valor incalculável da minha solidão.

Quanto mais a minha alma cresce e brilha mais sinto a enorme necessidade de alguém que a veja, e vendo o mesmo que eu que acredite e me eleve.
Poucos são os braços que me seguram, e muitas as almas que duvidam quer porque não amam completamente ou por uma qualquer convenção social que se habituaram a respeitar. Fazem a minha dúvida crescer em vez de a aplacar. Agora que os vejo melhor e os respeito ainda mais sei que tenho de viver completa e por mim.

Independente de tudo o que existe.

Momentos são vividos no tempo presente, totalmente na sua primeira e ultima vez... como nunca e eu não os agarro, quero-os demasiado bem. Correm como a chuva, correm como as letras por entre os meus dedos.


Luz cheia e invisível.



Aware
publicado por aware às 12:48
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5 comentários:
De Ser-se em Palavras a 5 de Novembro de 2006 às 22:23
Novamente um olá, quanto tempo sem deixar aqui qualquer marca mas há espaços que nunca se esquecem..
Hoje fica uma lição, um relaxar da alma, um olhar sobre o momento, sobre a verdadeira cor do agora..
É como a "árvore dourada da vida" só se constrói de momentos sentidos, humanamente apaixonados.. vamos criando a nossa própria filosofia, o nosso olhar sobre o tempo, o nosso tempo, de uma forma que não nos permite procurar aquilo que já fomos.. ou aquilo que algo nos possa ter feito viver... é como uma pirâmide, com os seus desiquilibrios que não pode voltar atrás para tirar uma das suas peças.. já lá está, é uma estrutura já moldada e suplantada, todo o resto, voltando a essa peça, se desmoronaria e o presente perderia a sua cor...
E nem tu, nem ninguém gosta do presente cinzento..

Agora chega o frio.. óptimo tempo para se escrever:P, sempre que conseguir, faço uma visita :)
Fica bem****
De Rita a 5 de Novembro de 2006 às 23:30
como te compreendo...viver um momento é delicioso, mas queimar as lembranças e deixá-lo ir-se desvanecendo no tempo é libertador:) viva a impermanência:)!
De Aran_aran a 7 de Novembro de 2006 às 00:50
Olá! Magnifico!!!! Sabes minha amiga... tens razão... não existem dois momentos iguas como não existem duas caras iguais!!! ;) Um beijinho grande... PS: tb gostei de ler o anterior... mas não comentei, pq o soninho não deixou... ;) beijinhos
De Jorel a 7 de Novembro de 2006 às 13:55
Afinal ainda há Luz nas tuas palavras, mesmo que seja de Lua cheia invisivel. Ainda bem.
De Å®t_Øf_£övë a 12 de Novembro de 2006 às 00:31
Aware,
Tens toda a razão quando dizes que não existem dois momentos iguais. Todos os momentos nas nossas vidas são mágicos e cabe a cada um de nós, torná-los mais marcantes... por isso não devemos perder as oportunidades. É que corremos o risco de deixar passar a oportunidade da nossa vida de sermos felizes.
Enfim... estamos todos em busca de amor, amizade, paz, esperança, afecto e sonhos...
Bjo.

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