Sábado, 10 de Dezembro de 2005

I am

hurt you.jpg

Em ocasiões estranhas permito-me ser quem sou.Consigo ser quem sou,completamente...

Fico numa espécie de transe,o meu corpo ganha vida ao ser o portal da minha alma.
A minha alma torna-se por momentos visível.
Como uma música irresistível sai pela minha boca.Por momentos sinto-me pura,quase divina,por falar a verdade que mora no meu centro,no meu coração.
Nesses escassos momentos iluminados sou simplesmente eu.
Nunca pensei que isto pudesse acontecer,mas acontece.São despoletados pela presença de uma pessoa.A minha alma deixa de ser qualquer coisa que sinto e passa a ser algo que vivo e respiro.Nesses momentos sinto todas as partes de mim,e espanto-me por ver o que apenas sentia remotamente,nesses momentos vejo a vastidão de quem sou.

O momento passa,antes não me apercebia disto mas agora sei que existem efeitos secundários.Tudo obedece às leis mais elementares da Física,expecialmente os nossos corpos.A reação do meu corpo espera pelos momentos seguintes,espera pelo dia seguinte.

Aí sinto que a minha alma me abandonou,e caio no abismo e na nausea.Como uma drogada sinto todos os sintomas de privação,a ressaca depois da utopia.
A escuridão depois de uma luz mais intensa que o próprio sol.
Quando ainda não compreendia isto o medo consumia-me completamente e por isso eu culpava a pessoa que tinha despoletado a minha verdade e aquele momento.
A ignorãncia gera o medo,como sempre o fez.
Agora sei,sinto,que tudo isto sou eu,compreendo melhor a dinâmica do que me acontece mas ainda não o compreendo totalmente.Sei que nestes momentos aprendo...e quero continuar a aprender.

Seria bom que com o tempo conseguisse controlar estes extases.O que é um paradoxo.Como sempre fui ao dicionário,antigo,depois de Exsurgir e antes de Extemporaniedade encontro-o.

Êxtase:Arrebatamento da alma,que se acha como transportada fora do corpo.Afecção nervosa caracterizada pela imobilidade e pela absorção completa do espírito.Estar em extase diante de alguém ou de alguma coisa,estar absorto.

Coincide,senti-o assim.A peça encaixa-se e os limites esbatem-se e desaparecem.Por curiosidade desconfiada procuro a definição de ressaca.

Ressaca:Movimento violento das ondas sobre si mesmas,quando bateram contra um obstáculo.Fig.Volubilidade.

Sim eu conheço isto...Defenitivamente.Mas não o consigo compreender como o primeiro termo.Não gosto do sentido figurativo,acho-o prejorativo,associado ao carácter.Mas no fundo o que são as mudanças,senão isso mesmo?Chego à conclusão que pouco sei sobre o que me acontece.
Porque é que o meu corpo se ressente do que se passa na alma?E vice-versa...
Sei que fico com mais conhecimento sobre os principios e morais que me regem quando se dão esses momentos.Sei mais sobre mim porque me sinto completamente,até aos sítios mais inóspitos,obscuros e desconhecidos da minha alma.
Tenho estes momentos quase todos os dias...com intensidades variáveis,por vezes nem me apercebo deles.Outros momentos são como se se abrisse um corte na minha carne,e a alma fosse arrancada do meu corpo e atravéz dele.Nessas alturas fico com a alma longe de mim por muitos dias até regressar.São horas,sentidas em cada segundo...de morte,de tormento.

Não me queixo disto,acho-o uma dádiva.Como a própria vida.Quero compreender melhor...''the race is long and in the end its only with yourself''.Eu sei....
Nestas alturas sinto-me um ser humano...muito humano.

Aware


publicado por aware às 22:51
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5 comentários:
De a 11 de Dezembro de 2005 às 23:08
A felicidade que me fazem sentir fica no meu coração...não me esqueço disso.Levo-o comigo,obrigada******aware
(http://pilgrimhearts.blogs.sapo.pt)
(mailto:jani_fullmoon@hotmail.com)
De a 11 de Dezembro de 2005 às 14:33
Hoje deixo-te apenas um mimo... pois já reparei que tenho muito que ler [te ler], mas de momento o tempo não me permite, mas voltarei para ler-te com mais atenção... :) Um beijinho grandeAran_aran
(http://capricornioemim.blogs.sapo.pt/)
(mailto:aran_aran@sapo.pt)
De a 11 de Dezembro de 2005 às 11:21
Não queiras controlar esses extases. É uma dádiva e é assim que os devias encarar. Pobres dos que não são como nós, que não conseguem esse descolar do chão. Claro que há a ressaca. Mas a ressaca é uma das nossas humanidades. Viver numa linha recta? Não, nós gostamos das estradas da montanha. Vincent
(http://www.alinhadesombra.blogs.sapo.pt)
(mailto:vincent-x@sapo.pt)
De a 11 de Dezembro de 2005 às 11:18
És um alambique. Fermentam-se sentimentos e emoções, etiliza-se então o teu corpo e ficas embriegada de vida. Tudo altamente medonho e ao mesmo tempo desejável, viciante talvez. Mas o vício da vida não é pecado nem é ilegal. Pecado peca, quem vive sem ser o que é.
Como sempre, adorei.Henrique Moreira
(http://pagan.blogs.sapo.pt)
(mailto:henriquemoreira1@hotmail.com)
De a 11 de Dezembro de 2005 às 10:57
Só dizer-te, que cada texto das tuas descobertas e aprendizagem, é uma licção de auto conhecimento e controle, magnífica! BeijoMaria Papoila
(http://apapoila.blogs.sapo.pt)
(mailto:msantosilva@sapo.pt)

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